Thaisa Galvão

13 de janeiro de 2013 às 11:02

Energia Eólica: de redenção a problema no Rio Grande do Norte [4] Comentários | Deixe seu comentário.

O que parecia ser a redenção no Rio Grande do Norte, a energia eólica passa a ser problema.

Cá pra nós, já que não entendo nadica sobre o assunto, mas isso me parece campanha para tirar do pequeno estado, com os melhores ventos, da jogada. Que é alta, pesada e desigual.

Sei não…

Eis a reportagem da Folha de S. Paulo de hoje:

 

E O VENTO VIROU

Atraso em obras de transmissão deixa geradoras de energia eólica paralisadas no NE

 

Nelson Barros Neto

De Salvador

Renata Moura

Colaboração para a Folha, em Natal

 

Problemas de estrutura e atrasos em obras federais estão impedindo a operação de usinas eólicas, afetando investimentos e onerando os custos do setor no Brasil.

Hoje, por exemplo, há 26 parques eólicos prontos no Rio Grande do Norte e na Bahia, mas todos estão fora de operação porque o governo federal ainda não instalou linhas de transmissão para levar a energia produzida ao consumidor. Esses parques ociosos têm um total de 622 MW de potência instalada.

Se esses parques estivessem em operação, a energia deles (289 MW na BA e 333 MW no RN) seria capaz de iluminar o Rio Grande do Norte inteiro ou Salvador (BA), terceira maior cidade do país.

Outro exemplo: essa quantidade de energia ociosa equivale à potência da termelétrica de Uruguaiana (RS), que produz pouco mais de 600 MW com uma energia mais poluente e mais cara.

 

PREJUÍZO

Além do desperdício de energia, a paralisia custa caro. A cada mês, desde julho, o governo federal é obrigado a repassar R$ 33,6 milhões para compensar o prejuízo das empresas que colocaram R$ 1,2 bilhão naquele que seria o maior complexo eólico da América Latina, na região de Caetité (BA).

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) estima que o ônus da ociosidade para a população alcançará os R$ 440 milhões até setembro, quando os parques devem, enfim, conseguir operar.

A responsabilidade pelas linhas de transmissão, para conectar as eólicas ao sistema nacional, é da estatal Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), do grupo Eletrobras.

Os atrasos chegam a um ano e meio.

“Não podemos dizer que os problemas de hoje são normais, mas não são irreversíveis. E todo setor que cresce de forma acelerada enfrenta gargalos de infraestrutura”, diz Elbia Melo, presidente da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica).

O cenário só não é pior porque seis parques no Ceará (186 MW), com conclusão prevista para 2012, atrasaram as obras. Caso estivessem prontos, elevariam as despesas do governo com compensações aos investidores.

 

CUSTO SUBESTIMADO

Uma das críticas ao governo federal é que, nos leilões a partir de 2009, vencidos pela Chesf, o Ministério de Minas e Energia subestimou o custo da construção das linhas de transmissão em locais de difícil acesso.

Procurado por três dias, o ministério não respondeu à reportagem.

Já a Chesf aponta entraves de licenciamento ambiental e do patrimônio histórico (os trajetos das linhas cruzam sítios arqueológicos).

A empresa, porém, entrou com o pedido de licenciamento em Caetité poucos meses da entrega dos parques.

A seção baiana do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente negam dificuldades.

“Nossa área virou um Judas no Sábado de Aleluia. Todo problema de construção recai sobre o meio ambiente”, diz o secretário do Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler.

 

*

INVESTIDOR FAZ SUA PRÓPRIA LINHA DE TRANSMISSÃO

Gasto extra para escoar energia será de R$ 110 mi

De Salvador

Colaboração para a Folha, em Natal

 

Os problemas de escoamento da energia eólica  fizeram a empresa paulista Bioenergy tomar duas atitudes fora do plano inicial: mudar a localização de parte de seus investimentos e construir a própria linha de transmissão.

Segundo Sérgio Marques, presidente da companhia, a ideia é eliminar o risco de atraso na entrega de energia de seus empreendimentos e viabilizar a venda de parte dos futuros megaatts no mercado livre.

 

A empresa que tem 380 MW contratados em leilões do governo federal nos últimos três anos, prevê construir 13 parques eólicos nas cidades de Paulino Neves e Tutóia, no maranhão, e investirá R$ 110 milhões extras na linha que escoará a energia.

 

O projeto inicial previa a instalação de 4 desses 13 parques no Rio Grande do norte. A obra no Estado, porém, foi suspensa no final de 2011 por causa dos problemas de conexão com a rede.

“O RN é territorialmente pequeno, com grande concentração de parques no litoral e linhas de transmissão passando uma por cima da outra. Começamos a ver uma grande quantidade de parques sendo contratados sem planejamento”, diz Marques.

Com a mudança nos planos, a Bioenergy diz ter jogado ao menos R$ 10 milhões “pelo ralo” em investimentos preliminares.

 

Há quase dez anos, o setor começou a defender a implantação de um “linhão” que passaria por regiões com potencial de geração eólica como Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Funcionaria como uma autoestrada à espera do desenvolvimento. A ideia não prosperou.

Os leilões passaram a ser realizados em 2009 e, só depois disso, com a demanda já conhecida, as linhas passaram a ser licitadas.

 

Outro gargalo enfrentado pelas eólicas é o transporte dos equipamentos para a criação dos parques. “Não tem cabotagem ou via férrea. O deslocamento é pela estrada e, como os equipamentos são pesados e grandes, aumenta o custo de produção”, diz a presidente da ABEEólica, Elbia Melo. (NBN e RM)

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