Thaisa Galvão

24 de janeiro de 2013 às 15:00

Falta de segurança faz veranistas e empreendedores abandonarem casas e terrenos no litoral norte do RN [1] Comentários | Deixe seu comentário.

Quando a ponte Forte-Redinha foi inaugurada, surgiu uma nova perspectiva para o litoral norte do Rio Grande do Norte.

Com as praias a um pulo da capital, bastando atravessar a ponte, a hipótese de se fazer grandes negócios era uma realidade plantada na cabeça de investidores, e principalmente, de proprietários de casas e terrenos nas praias do lado norte.

Até morar em Muriú, Jacumã e praias vizinhas, chegou a se cogitar entre donos de belas casas.

O tempo passou, o acesso à ponte não foi concluído, a proximidade existe, mas a facilidade não é a esperada, e o pior: a falta de segurança pôs fim ao sonho de muita gente.

E mais: provocou um prejuízo inestimável a donos de casas e terrenos.

 

Os bandidos atravessaram a ponte nova, mas a segurança não os acompanhou.

Na terça-feira, depois de passar em Porto Mirim, decidi seguir viagem pela antiga estrada que liga uma praia a outra.

Passei por Muriú, Barra de Maxaranguape, Caraúbas e Maracajaú.

Confesso que no trajeto, em alguns trechos, nos sentimos, eu e meu marido, passando por cidades fantasmas.

A falta de segurança mandou embora os veranistas.

São muitas as casas de verão abandonadas…sem manutenção e sem uso.

 

Casas abandonadas (Fotos: Thaisa Galvão)

Mais abandono

 

São muitas casas postas à venda, troca, ou até para alugar. Costume de muitos verões.

Mas, pelo que a gente percebe, sem a menor perspectiva de fazer um bom, ou até um mau negócio.

Aquele negócio tão desejado com a chegada da ponte nova.

As placas de vende-se colocadas nos imóveis, dão sinal de que a oferta é antiga, mas ninguém apareceu para comprar, trocar e muito menos alugar.

 

Nenhum interessado...

Quem compraria?

 

Os terrenos, então…muitos com placas e nenhuma coragem de alguém, pelo menos, perguntar o preço.

O deserto vai tomando conta das praias sem segurança depois de muitos arrastões, assaltos, crimes…

 

O que seria investimento, virou prejuízo

 

Nem mesmo um empreendimento turístico que começou a ser construído próximo ao Cabo de São Roque, em Maxaranguape, escapou do abandono.

A obra está parada e dá pra ver que materiais como portais do prédio, já assentados, foram roubados.

Por perto, passantes dizem que aquele seria o hotel do famoso jogador inglês, David Beckham, que veio ao Rio Grande do Norte em janeiro de 2008 fazer o lançamento com pompa e circunstância.

Além do hotel com vários campos de golfe, seria construído na área um centro de treinamento que levaria o nome do inglês.

Abandono total.

E por aqui nunca mais se ouviu falar de David Beckham.

 

Obra de hotel parada...abandonada...roubada...

O que seria o hotel do jogador famoso da Inglaterra

 

Quem veraneia nas praias mais badaladas, como Jacumã, Porto Mirim e Muriú, paga o preço da insegurança. E no orçamento do verão, é obrigado a acrescentar os salários de, no mínimo, dois seguranças 24 horas.

Ou então, trocar o conforto de uma casa grande e arejada com redes na varanda, por um chalé miúdo dentro de um condomínio com muro alto, cerca elétrica, câmeras, sensores…segurança.

Confesso que deu pena presenciar o abandono e constatar que as placas de vende-se afixadas em muitas casas, não surtirão nenhum efeito.

E que sobrará aos contribuintes que nunca deixaram de pagar seus impostos, o prejuízo de perder a sua casa de verão, ou o seu terreno guardado como investimento.

O cenário de abandono, em alguns trechos, dá medo.

Ainda mais quando a gente se depara com um carro jogado à beira-mar, com sinais de que foi incendiado.

Certamente para apagar vestígios de um crime qualquer.

 

Cenário de medo

 

 

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