Thaisa Galvão

31 de maio de 2014 às 5:54

Transposição: mais gastos para obra que não tem fim [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Ai Jesus…

Se um dia essa obra da transposição do São Francisco for concluída, pode acreditar, caro leitor: ela terá custado ao seu bolso, no mínimo 5 vezes mais do que foi planejado.

Só o seu salário continua assim, ó…

Vamos esperar que esse novos canais desviem somente água.

 

Da Folha de S. Paulo de hoje:

 

Inacabada, transposição do rio São Francisco deve ter dois novos eixos

João Pedro Pitombo

 

Apesar de obras da transposição ainda estarem em andamento, com orçamento quase dobrado e ao menos três anos de atraso, o governo já prepara a construção de dois novos canais que desviarão água do rio São Francisco.

Os projetos dos eixos sul e oeste deverão ser contemplados na terceira etapa do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a ser lançado em agosto deste ano.

A principal novidade será a opção pela contratação do projeto via RDC (Regime Diferenciado de Contratação), com o objetivo de "evitar erros" cometidos nos eixos leste e norte, cuja obra foi dividida em vários lotes, todos contratados pela lei de licitação.

O RDC permite que todas etapas de um mesmo empreendimento possam ser tocadas por uma única empresa.

"O governo reconhece que a estratégia adotada inicialmente [com a lei de licitações] se mostrou pouco adequada", diz Elmo Vaz, presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba).

As deficiências contratuais e de gestão na construção dos eixos atuais fizeram o preço da obra saltar de uma estimativa inicial de R$ 4,6 bilhões para os atuais R$ 8,2 bilhões. O prazo de entrega da obra da transposição foi adiado de 2012 para 2015.

A decisão pelo RDC foi tomada no momento em que o governo tenta emplacar no Congresso mudanças na legislação para permitir o uso do modelo em todas as licitações e contratos federais, de Estados e de municípios.

Com a previsão de ter 350 km de canais, o eixo sul da transposição vai atender a Bahia e Sergipe com a perenização dos rios Vaza-Barris e Itapicuru.

Segundo a Codevasf, a água servirá para garantir o abastecimento em cidades como Senhor do Bonfim e Capim Grosso (BA), além de levar água para os perímetros irrigados existentes na região. O anteprojeto já foi licitado, e os estudos de viabilidade estão em curso.

O eixo oeste, com estudos em fase de licitação, vai abastecer o Piauí e deverá ser composto por mais de um canal.

Além da água do rio São Francisco, existe a possibilidade de retirar água do aquíferos do vale do rio Gurgéia, no sul do Piauí.

O objetivo principal é fazer a água chegar à barragem de Petrônio Portela, que fica numa das regiões mais secas e pobres do Estado nordestino.

Um dos principais críticos da transposição, o bispo da cidade de Barra (BA), dom Luiz Cappio, que chegou a fazer greve de fome em 2005 e 2007 contra os desvios no São Francisco, chama de "eleitoreira" a possibilidade de construção dos novos canais.

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