Thaisa Galvão

9 de outubro de 2015 às 8:12

Nobel da Paz 2015 vai para a Tunísia [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Do G1

Quarteto de diálogo nacional da Tunísia vence Nobel da Paz 2015

Grupos tiveram ação decisiva para democracia na revolução de 2011. Protestos populares derrubaram regime de Ben Ali, há 23 anos no poder

  

 
O Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia ganhou nesta sexta-feira (9) o Prêmio Nobel da Paz de 2015, “por sua decisiva contribuição para a construção de uma democracia pluralista no país durante a revolução de 2011″, segundo o comitê que entrega o prêmio.

O quarteto foi formado em 2013, quando o processo de redemocratização do país estava correndo risco de colapsar após assassinatos políticos e protestos se espalharem pelo país.

As organizações dividirão os 8 milhões de coroas suecas (US$ 963 mil) concedidos pelo prêmio, que será entregue em 10 de dezembro em Oslo, na Noruega.

Ele é composto por quatro organizações: a União Geral Tunisiana do Trabalho (UGTT, um sindicato), a União Tunisiana da Indústria, do Comércio e do Artesanato (Utica, patronato), a Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia (ONAT) e a Liga Tunisiana dos Direitos Humanos (LTDH).

Durante o anúncio, o comitê do Nobel afirmou que o quarteto “estabeleceu uma alternativa, um processo político pacífico em um período no qual o país estava à beira de uma guerra civil”, e foi “instrumental ao permitir que a Tunísia, em um espaço de alguns anos, estabelecesse um sistema de governo constitucional.”

Segundo o comitê, sua formação garantiu “direitos fundamentais para toda a população, sem distinção de gênero, convicção política ou religião”, e seu trabalho permitiu que os avanços alcançados durante a revolução não fossem perdidos.

As organizações representam diferentes setores e valores da sociedade tunisiana. “Com essa base, o quarteto exerceu seu papel de mediador e força motriz para promover o desenvolvimento democrático pacífico na Tunísia com grande autoridade moral”, disse o comitê do Nobel. Por isso, o prêmio foi dado ao quarteto em si, e não às quatro organizações individuais.

O Nobel ressaltou o papel essencial que o quarteto teve na transição da revolução até a realização de eleições democráticas e pacíficas na Tunísia em dezembro de 2014.

Reação dos ganhadores

O chefe da UGTT disse que o prêmio é uma mensagem para a região sobre o poder da negociação e do diálogo e “uma homenagem aos mártires da democracia tunisiana”.

“Este esforço feito por nossa juventude permitiu que o país virasse a página da ditadura”, acrescentou Houcine Abassi, líder do histórico sindicato.

Revolução de 2011

A Revolução de Jasmim, como ficou conhecido o processo que atingiu a Tunísia entre 2010 e 2011, levou à queda do presidente Ben Ali, que ocupava o cargo desde 1987.

Ela começou com protestos populares após o suicídio de um vendedor ambulante, contra o regime autoritário do presidente. As manifestações foram reprimidas violentamente, e resultaram na derrubada do regime em 14 de janeiro de 2011.

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Últimos ganhadores

2014: os vencedores do Nobel da Paz foram o indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay, “pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação”. A estudante do Paquistão se tornou a mais jovem ganhadora do prêmio.
2013: Organização para a Proibição das Armas Químicas, entidade que supervisiona destruição do arsenal químico na Síria em guerra.
2012: União Europeia (UE), por ter contribuído para pacificar um continente devastado por duas guerras mundiais.
2011: Ellen Johnson Sirleaf, Leymah Gbowee (Libéria) e Tawakkol Karman (Iêmen), por sua luta não violenta em favor da segurança das mulheres e seus direitos a participar dos processos de paz.
2010: Liu Xiaobo (China), dissidente detido, “por seus esforços duradouros e não violentos em favor dos Direitos Humanos na China”.
2009: Barack Obama (Estados Unidos) “por seus esforços extraordinários com o objetivo de reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”.
2008: Martti Ahtisaari (Finlândia) por suas numerosas mediações de paz em todo o mundo.
2007: Al Gore (Estados Unidos) e o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU por seus esforços para aumentar o conhecimento sobre as mudanças climáticas.
2006: Muhammad Yunus (Bangladesh) e seu banco especializado no microcrédito, o Grameen Bank, porque “uma paz duradoura não pode ser obtida sem que uma parte importante da população encontre a maneira de sair da pobreza”.

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