Thaisa Galvão

12 de fevereiro de 2016 às 11:04

Marqueteiro de Lula e Dilma na mira da lava jato [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Da Folha de hoje:

Lava Jato vê indício de repasse da Odebrecht a marqueteiro ligado ao PT
DANIELA LIMA

MARINA DIAS

DE Brasília

GRACILIANO ROCHA

Enviado especial a Curitiba
A força-tarefa da Operação Lava Jato investiga pagamentos atribuídos a subsidiárias da Odebrecht em contas, no exterior, controladas pelo marqueteiro João Santana, responsável por campanhas do PT e da presidente Dilma Rousseff. 

A apuração envolve as finanças dele em diversos países, entre eles a Suíça.
O publicitário baiano comandou todas as campanhas presidenciais do partido desde a reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. 

Os dados sobre a movimentação financeira de Santana integram pacote de documentos enviados ao Brasil pela promotoria suíça em acordo de cooperação.
O inquérito que apura as finanças do publicitário foi aberto em novembro do ano passado e tramita em sigilo, em Curitiba. 

Ele passou a ser investigado após a Polícia Federal encontrar na casa do lobista Zwi Skornicki, ligado ao estaleiro asiático Keppel Fels, uma carta de Mônica Moura, mulher e sócia de Santana.
O manuscrito indicava contas de Santana na Inglaterra e nos EUA. A informação foi revelada pela “Veja”.
Um dos focos da investigação são valores recebidos por Santana em 2014, quando o marqueteiro fez as campanhas presidenciais de Dilma, no Brasil, e de José Domingo Arias, derrotado no Panamá -país onde a Odebrecht tem diversos interesses.
No momento, segundo a Folha apurou, não é possível estabelecer com certeza a origem destes pagamentos, se por serviços prestados no Brasil ou em outro país.
Nos últimos anos, o marqueteiro tem feito diversas incursões no exterior. 

Em 2012, por exemplo, respondeu pela comunicação das candidaturas presidenciais de José Eduardo dos Santos, em Angola, e de Danilo Medina, na República Dominicana, locais em que a construtora também tem obras.
Oficialmente, Santana recebeu R$ 88,9 milhões da campanha de Dilma em 2014. 

Outros pagamentos vinculados à campanha, se confirmados, seriam em tese caixa 2. 

As informações sobre a investigação foram confirmadas pela Folha com três autoridades que atuam no caso, advogados que acompanham a Lava Jato e pessoas ligadas a executivos da Odebrecht.
A empresa, maior empreiteira do país, cresceu nos governos petistas e é investigada por suspeita de corrupção em obras da Petrobras.
Procurado pela reportagem, o advogado de João Santana, Fábio Tofic, disse que o publicitário desconhece qualquer apuração que envolva seu nome e que, inclusive, questionou formalmente o juiz Sergio Moro, que conduz a investigação em Curitiba, sobre a existência de um inquérito contra seu cliente.
Santana não nega que receba dinheiro no exterior por campanhas realizadas, mas diz que tudo é declarado.
“Indagado há mais de 20 dias, o juiz não respondeu. Tudo leva a crer que essa investigação não existe ou temos que admitir que há abuso de autoridade, já que ele não foi informado”, disse Tofic.
O advogado acrescentou que o mesmo questionamento foi feito, dias depois, à Polícia Federal e que, novamente, não obteve resposta.
Procurada, a Odebrecht também disse que desconhece o inquérito.
MENSAGEM
E-mail apreendido pela PF no ano passado no celular do presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, preso desde 2015, fazia menção ao “risco” da exposição sobre uma “cta suíça”. 

Em mensagem a um executivo da empreiteira, Marcelo escreveu: “Dizer do risco cta suíça chegar na campanha dela”.
Esse é o segundo inquérito do qual o marqueteiro é alvo. Em maio de 2015, a Folha revelou que a PF abriu investigação para apurar a suspeita de que duas de suas empresas trouxeram de Angola para o Brasil US$ 16 milhões, em 2012, numa suposta operação de lavagem de dinheiro para beneficiar o PT.
A investigação segue aberta, em segredo de Justiça. Na época, Santana disse que ela partia de “premissa falsa”. 

“Tentar criminalizar internalização de recursos beira o ridículo”, disse, concluindo que a operação fora acompanhada pelo BC, com pagamento de impostos.

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