Thaisa Galvão

4 de setembro de 2017 às 20:02

Janot quer saber porque delatores da JBS deixaram de apresentar áudios “gravíssimos” na delação [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Do G1
Janot manda investigar se delatores da JBS omitiram informações e diz que benefícios do acordo podem ser cancelados
Em pronunciamento nesta segunda (4), procurador-geral disse que MP obteve áudio ‘gravíssimo’. Segundo ele, mesmo se benefícios forem rescindidos, provas da delação não serão anuladas
Por Renan Ramalho, G1, Brasília
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou nesta segunda-feira (4) que determinou a abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações de práticas de crimes no acordo de delação premiada dos executivos do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS. 
Segundo Janot, dependendo do resultado da investigação, os benefícios oferecidos no acordo de colaboração dos irmãos Joesley e Wesley Batista poderão ser cancelados.
Em um pronunciamento na sede da Procuradoria Geral da República (PGR), o chefe do Ministério Público informou a jornalista que os investigadores obtiveram na última quinta-feira (31) áudios, com conteúdo que ele classificou de “gravíssimo”, nos quais um dos donos da empresa, Joesley Batista, conversa com Ricardo Saud, diretor institucional da J&F e um dos delatores do Lava Jato.

A medida, destacou Janot, atinge três dos sete executivos da empresa que fecharam a delação.

“Determinei hoje [segunda] a abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações sobre práticas de crime no processo de negociação para assinatura do acordo de delação no caso JBS. Áudios com conteúdo grave, eu diria gravíssimo, foram obtidos pelo Ministério Público Federal na semana passada, precisamente, na quinta-feira, às 19h”, afirmou Janot na entrevista concedida no auditório da PGR, em Brasília.
Ainda de acordo com o procurador-geral, a análise da gravação revelou diálogo entre dois colaboradores “com referências indevidas à Procuradoria Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal.

Janot enfatizou aos jornalistas que ainda que ocorra a rescisão dos benefícios concedidos aos delatores, eventuais novas denúncias não estarão inviabilizadas porque todas as provas continuam válidas.

“Vamos deixar claro. A provável rescisão de um acordo de colaboração premiada, se ocasionada pelo colaborador, não invalida nenhuma prova. Todas as provas continuam hígidas, válidas. O único resultado negativo é para o próprio colaborador, que perde toda ou em parte a premiação que lhe foi concedida.”

Procurador da Lava Jato

Na gravação, informou o procurador, há relato de conduta criminosa por parte do ex-procurador da República Marcelo Miller, auxiliar próximo de Janot que deixou o Ministério Público neste ano para atuar em um escritório de advocacia que atende a JBS. Posteriormente, ele foi desligado da banca.

Na PGR, ele trabalhou como auxiliar direto de Janot por três anos, inclusive, em casos ligados à Operação Lava Jato.

“Se [Miller] descumpriu a lei nas suas funções deverá pagar por isso. Qualquer pessoa que vier a ter descumprido deverá pagar. Não há ninguém que esteja a salvo da lei”, completou em seguida.

No diálogo, ocorrido em 17 de março segundo a PGR, eles falam sobre uma suposta atuação de Müller na confecção de propostas do acordo que seriam fechadas com o órgão. Além disso, eles teriam conversado sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

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