Thaisa Galvão

23 de março de 2019 às 21:01

Enquanto presidentes da República e da Câmara se atacam, a reforma da Previdência vai descendo pelo ralo [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Enquanto isso, a reforma da Previdência vai sendo empurrada com a barriga.

Sem articulação, deputados que morrem de medo da tal reforma, pensando em perder votos nas suas bases, vão dizer Não ao projeto do executivo.

Veja como foi a troca de gentilezas, à distância, entre o presidente da República Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara Rodrigo Maia:

Do G1:

SEXTA-FEIRA

17h – Bolsonaro, em entrevista no Chile

“Eu quero saber o motivo que ele está saindo (da articulação da Previdência). (…) Estou sempre aberto ao diálogo. Eu estou fora do Brasil, mas quero saber qual o motivo, mais nada. Eu não dei motivo para ele sair.”

Sobre como trazer Maia “de volta” para a articulação…

“Só conversando, não é? Você nunca teve uma namorada? E quando ela quis embora, o que você fez para ela voltar? Conversou? (…) Estou à disposição para conversar com o Rodrigo Maia, sem problema nenhum”.

21h – Rodrigo Maia, em entrevista à TV Globo

“Ele (Bolsonaro) precisa ter um engajamento maior. Ele precisa ter mais tempo pra cuidar da Previdência e menos tempo cuidando do Twitter, porque, senão, a reforma não vai andar. (…) O meu papel eu vou continuar cumprindo, coordenando dentro da Câmara a aprovação da reforma e (…) colocando de forma clara na figura do presidente da República a responsabilidade dele conduzir, por parte do governo, a aprovação da reforma.”

SÁBADO

10h – Rodrigo Maia ao chegar para reunião do PPS, em Brasília

“É importante que o governo acerte na articulação. E ele não pode terceirizar a articulação como ele estava fazendo.”

“Quer dizer, transfere para o presidente da Câmara e para o presidente do Senado uma responsabilidade que é dele e fica transferindo e criticando: ‘Ah, a velha política está me pressionando, estão me pressionando’. Então ele precisa assumir essa articulação, porque ele precisa dizer o que é a nova política”.

10h – Bolsonaro, em café da manhã em evento no Chile

“Alguns, não são todos, não querem largar a velha política, que infelizmente nos colocou nesta situação bastante crítica em que nos encontramos.”

12h – Bolsonaro, em pronunciamento conjunto com presidente do Chile, Sebastian Piñera

“Temos preocupações, sim, com as discussões que ocorrem por ocasião da reforma da Previdência e queremos aprová-la.”

“Entendemos que é o único caminho que temos para alavancar o Brasil juntamente com outros países da América do Sul para o lugar de destaque que nós merecemos estar. (…) Eu confio na maioria dos parlamentares que essa não é uma questão de governo, mas sim uma questão de Estado. É uma questão para nós, no Brasil, não enfrentarmos situações que outros países enfrentaram, como na Europa.”

15h – Bolsonaro, antes de embarcar de volta ao Brasil

“O que é articulação? O que está faltando eu fazer? O que foi feito no passado? Eu não seguirei o mesmo destino de ex-presidentes, pode ter certeza disso”, disse o presidente.

“A bola está com ele (Rodrigo Maia). Eu já fiz a minha parte. Entreguei. E o compromisso dele, regimental, é despachar e o projeto andar dentro da Câmara. Nada falei contra Rodrigo Maia, muito pelo contrário. Estou achando que está havendo um tremendo mal-entendido. O Brasil é maior do que todos nós. O Rodrigo Maia, eu nunca o critiquei, eu não o critiquei. Não sei por que ele de repente está se comportando dessa forma um tanto quanto agressiva no tocante à minha pessoa”.

15h13 – Rodrigo Maia, em São Paulo

“Eu vivo num país democrático, e dentro daquilo que vocês me perguntam, e que a sociedade me demanda, eu falo o que acredito. Sem nenhum tipo de agressão a ninguém, né? Até porque eu não uso as redes sociais para agredir ninguém.”

“Eu uso as redes sociais para dar informação aos meus eleitores, à sociedade brasileira. Assim tenho me portado desde que assumi meu primeiro mandato de deputado federal e na Presidência da Câmara.”

“Basta olhar meu twitter e o twitter do presidente e do entorno dele, para ver quem está agredindo quem. O que o presidente está dizendo não é o que ele está fazendo”.

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