Thaisa Galvão

25 de abril de 2019 às 15:28

Bolsonaro defende revista censurada pelo STF e diz que não vai entrar com ação contra nenhum órgão de imprensa [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Da revista Crusoé sobre a defesa do presidente Jair Bolsonaro:

Durante o café da manhã com jornalistas nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro criticou a censura imposta a Crusoé pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

A ordem, revogada dias depois, foi expedida em inquérito aberto pelo presidente da corte, DiasToffoli.

Bolsonaro afirmou que houve um “equívoco por parte de um ou dois ministros”. Depois, em tom de brincadeira, o presidente disse considerar que a censura é uma medida injusta “até mesmo com a Crusoé, que em 90% das vezes dá tiro de ponto50 em cima de mim”.

Para Bolsonaro, não se pode “apagar a chama da democracia”.

“Em que pesem os percalços entre nós, não podemos apagar a chama da democracia. Eu acho que houve um equívoco por parte de um ou dois ministros do Supremo nessa questão. Até porque ( ordem de censura) deu mais publicidade ao fato ainda. Porque se começar a censurar, acaba não tendo limite”, afirmou o presidente.

Embora tenha deixado claro que é pessoalmente contrário às medidas adotadas no inquérito aberto por Toffoli, Bolsonaro defendeu a decisão do advogado-geral da União, André Mendonça, que em parecer enviado ao Supremo chancelou o inquérito aberto por Toffoli.

“Eu parti em defesa do advogado-geral da União, que tem obrigação de defender a União, e ele defendeu o direito garantido em regimento interno do Supremo Tribunal Federal de eles abrirem inquérito. Foi isso que aconteceu. No mais, pelo que me consta, voltou atrás o Supremo dessa decisão (da censura), e segue o barco. Agora vamos tocar o barco.”

O presidente prosseguiu: “A liberdade de imprensa é a mesma coisa do artigo 56 da Constituição. Os deputados e senadores são invioláveis por palavras e opiniões. E o que é quaisquer? Quaisquer. Eu já fui processado muitas vezes pelo Supremo. Sou réu em alguns processos lá dentro, tenho perdido em primeira instância ações nesse sentido por falar, e acho injusto. E acho injusto não é porque é comigo, é com qualquer um, até mesmo com a revista Crusoé, que em 90% das vezes dá tiro de ponto50 (um tipo de metralhadora) em cima de mim, mas pode continuar dando, não tem problema, não. Não vou entrar com ação contra a Crusoé nem contra outros órgãos de imprensa. Eu vou é criticar, e vou continuar criticando, é um direito meu, como é direito de vocês também agir dessa mesma maneira”.

Mais adiante, Jair Bolsonaro voltou a defender enfaticamente a liberdade de imprensa, mesmo em situações em que autoridades como ele são alvo de denúncias. Ele citou reportagem da Folha de S.Paulo segundo a qual o governo estaria oferecendo 40 milhões de reais em emendas para aprovar a reforma da Previdência.

“Acho que tem que ter liberdade de imprensa. Não tem que apurar nada no tocante a isso aí (mencionando o inquérito e a censura). É liberdade de imprensa. Agora está saindo por aí que eu estou dando 40 milhões para aprovar a reforma da Previdência, tá certo? Eu não estou oferecendo nada. Se fizeram a conta em cima de emendas impositivas, o próprio nome diz. Vai chegar a um ponto que em três anos vou ter que pagar quase o equivalente a 40 milhões a cada parlamentar, que é de emendas impositivas. E dinheiro de onde? Você pode chutar: por exemplo, 300 deputados para aprovar a PEC vezes 40 milhões dá 1 2 bilhões. Paulo Guedes vai praticar o suicídio, ne? Ou vai me matar. Um dos dois.”.

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