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12 de dezembro de 2007 às 9:39

Folha de S. Paulo dá início à série de reportagens contra Garibaldi

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A imprensa do Sul não vai deixar o senador Garibaldi Filho sossegado. Hoje, dia de sua eleição e de sua posse, a Folha de S. Paulo, que vem nos calos do senador desde que ele começou a viabilizar sua candidatura a presidente do Senado, publica reportagem dando conta de caixa 2 na campanha de 2002.
Mesmo admitindo que o nome do senador não consta da denúncia. Leia o texto, na íntegra:

Promotoria investiga caixa 2 em campanha de Garibaldi
Nome do senador não consta da denúncia sobre desvio de recursos públicos

RUBENS VALENTE
ENVIADO ESPECIAL A NATAL

O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), lançado ontem pelo partido à presidência do Senado, teve gastos da sua campanha de 2002 cobertos por um suposto esquema de desvio de recursos públicos investigado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte.
Segundo a denúncia de quatro promotores da Defesa do Patrimônio Público de Natal (RN), protocolada em 24 de novembro passado e acolhida pela Justiça, cerca de R$ 210 mil saíram dos cofres da Secretaria de Defesa Social, passaram por uma empresa de informática, a Microtec Sistemas, e acabaram nas contas bancárias de 17 pessoas que faziam parte ou foram contratadas pela empresa de marketing político Polis Propaganda e Publicidade.
A Polis pertence ao marqueteiro João Santana, ex-sócio do publicitário Duda Mendonça e amigo do senador Garibaldi. Ele foi também o responsável pelo marketing da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.
Os promotores denunciaram que recursos públicos foram usados para quitar dívidas da campanha de Fernando Freire (PMDB), ex-vice-governador de Garibaldi e então candidato ao governo, acusado de peculato e formação de quadrilha. O nome de Garibaldi não consta da denúncia da Promotoria.
Em entrevistas concedidas desde sábado, Garibaldi, Freire e dois ex-contratados da Polis localizados pela Folha em Natal reconheceram que a campanha era única (Freire ao governo, na qual foi derrotado, e Garibaldi ao Senado) e que João Santana trabalhou para os dois candidatos ao mesmo tempo. O comitê financeiro único disse ter gasto R$ 1,53 milhão, Freire declarou despesas de R$ 181 mil e Garibaldi, de R$ 835 mil.
"A Polis trabalhou não só na campanha ao governo como na campanha ao Senado. O candidato Garibaldi, hoje senador, e também o candidato Geraldo Melo. Então era uma campanha conjunta, majoritária, tanto para governo quanto para o Senado", disse o redator de rádio George Wilde Silva de Oliveira, contratado pela Polis.
Oliveira é filho de José Wilde de Oliveira Cabral, o principal assessor de comunicação social nas gestões de Garibaldi no governo do RN e que hoje é assessor do senador em seu gabinete, em Brasília. George recebeu R$ 7.000 depositados pela Microtec numa conta do Unibanco em 9 de outubro de 2002, logo após o final da campanha. "Eu desconheço essa empresa [Microtec]. Quando eu soube, tive um grande espanto, porque eu não sabia que os cheques tinham vindo dessa empresa", disse George.
"Era tudo junto, era tudo na mesma casa, que fica em Morro Branco, um bairro aqui perto", contou o locutor Nilbert Roberto Maciel Mata, que recebeu R$ 5.000 da Microtec. Em 2006, ele voltou a trabalhar com Garibaldi, na derrotada campanha a governador.
"Em 2002 eu fiz locução para Fernando Freire e Garibaldi, como era candidato ao Senado, eu tinha algumas falas que eu fazia: "Ouça agora as propostas de Garibaldi". Fazia, fazia sim", disse o locutor. Ele foi informado da origem do dinheiro ao depor neste ano à Polícia Civil: "Quando eu soube, fiquei chocado, porque a gente nunca está a par dessa parte [financeira]. Hoje em dia a política está uma esculhambação."

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