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22 de junho de 2009 às 23:47

Quem é o Partido do Muro? O PSDB ou o PMDB?

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A presença do senador Garibaldi Filho no encontro do PSDB, em Natal, ainda dá o que falar.
É que, convidado do PSDB, Garibaldi foi…e roubou a cena da festa.
Para o publicitário Alexandre Macedo, Garibaldi foi ao evento do PSDB para receber o Muro do partido…
Entendeu não?
Leia o comentário de Macedo, veiculado nesta segunda, na 96 FM.
O PSDB VENDEU OU EMPRESTOU O MURO AO PMDB?
Em um passado não muito distante, o PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira, era chamado por políticos, jornalistas, analistas políticos e muito mais gente, de Partido do Muro.
Porque sempre ficava no meio quando tinha de tomar decisões importantes. Foi assim em muitas ocasiões, até que um dia ganhou o apelido que, de tão parecido com o mundo real, ficou definitivo e marcou o partido como um aglomerado indeciso.
Isso acontecia quando o PSDB era oposição, mas também valeu quando foi governo.
De um tempo pra cá, o PSDB tem se esforçado para perder essa pouco charmosa definição: partido que vive em cima do muro. E tem conseguido, pelo menos nos grandes embates nacionais, e até aqui mesmo no Rio Grande do Norte.
No cenário nacional, o senador líder Arthur Virgílio, não dá trégua ao presidente Lula. Cava por todos os lugares qualquer coisa que possa ser chamada de escândalo na República Petista, e chega a disputar com o senador José Agripino o título de maior opositor ao presidente Lula no Senado Federal.
E, por aqui, o PDB tomou rumo e rota.
Em 2006, quando tinha como certa a aliança com o PMDB para a reeleição do senador Geraldo Melo, não foi isso que ocorreu. O PMDB, seguindo a orientação do senador Garibaldi Alves Filho, naquela ocasião fortíssimo candidato ao governo, fez a escolha por uma aliança com o DEM, deixando o PSDB e o senador Geraldo Melo na rua da amargura, depois de muitos anos de convívio político.
Com esse canto de carroceria dado pelo aliado de longo tempo, o PSDB foi para as ruas solitariamente no primeiro turno e depois passou a apoiar a reeleição da governadora Wilma de Faria, quando trabalhou e ajudou na segunda vitória de Wilma frente a Garibaldi, naquela eleição.
A partir daí, o PSDB passou a fazer parte do Governo de Todos, inclusive participando do seu planejamento e indicando membros na equipe governamental.
O PSDB, oposição no campo federal, ficou sendo governo no campo estadual.
Mas isso é normal. Como diz a galera mais jovem, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Mas o que nos interessa hoje é afirmar que o PSDB, antigamente considerado por alguns como o Partido do Muro, tomou seu destino: aqui e em Brasília.
Mas, e com quem ficou o muro?
Aparentemente está com o PMDB.
E por que a gente chega a essa conclusão?
Primeiro, porque o PMDB passou um bom tempo sem saber se era governo ou oposição no plano federal. Terminou sendo governo e parece que está satisfeito por lá.
É verdade que o PMDB tem ajudado e muito ao presidente Lula na formulação de seu governo; na administração de vários de seus Ministérios, e no apoio legislativo, que é de fundamental importância para qualquer governo.
Mas, não nos esqueçamos que mesmo assim, nem todo o PMDB reza na cartilha de Lula.
Há os membros do PMDB que rezam na cartilha do governo Lula e na cartilha política de Lula.
Há outros que rezam na cartilha do governo Lula, mas nem rezam tanto assim na cartilha do presidente e político Lula.
E há os que não rezam tanto nem na cartilha do governo Lula, nem na cartilha do presidente e político Lula, ficando com um olho aberto e outro fechado na luta da sucessão 2010.
Ora, todo mundo sabe que o PMDB é um partido grande e, portanto, difícil de concentrar seus pensamentos, suas diretrizes e seus interesses políticos. Mas, partido político é partido político, e não deve ser tão ‘partido’ assim. Tem de haver o mínimo de união, coerência e unidade.
Mas, e o PMDB aqui no Estado?
Aí, o muro tá ficando ainda maior, quem sabe até formando uma verdadeira muralha.
De um lado, há o PMDB simpático ao governo Wilma e ao projeto de uma aliança entre o partido, o PSB, o PT e os demais partidos da base de Lula e Wilma, rumando para a eleição 2010 sob o comando do presidente.
De outro lado, há o PMDB que, às vezes, é simpático a esse projeto de aliança da base lulista, com uma composição estadual unindo o PMDB ao PSB, da governadora Wilma e do atual vice e futuro governador Iberê Ferreira. Esse é o mesmo PMDB que, de vez em quando, mesmo publicamente, difere desse pensamento e externa vontade de que o PMDB volte a se aliar com o DEM e com outros partidos ou lideranças que fiquem fora da ala governista.
Então, enquanto durar essa diferença explícita de pensamento, o PMDB não vai fugir de poder ser chamado de novo Partido do Muro.
Porque, ou o PMDB vai se aliar ao PSB, ao PT e aos outros partidos alinhados com os governos Lula e Wilma, ou vai se aliar com o DEM, o PSDB e outros partidos contra o projeto político do grupo que está hoje nesses governos.
E, finalmente, como fica o PMDB?
Quem é do PMDB conhece bem as suas maiores lideranças políticas no Rio Grande do Norte, o senador Garibaldi Alves Filho e o deputado Henrique Eduardo Alves, e pode fazer projeções mais certeiras.
Por enquanto, quem não é do PMDB, vai ficando por aqui, achando mesmo que o partido alugou ou comprou o muro que era do PSDB, que já está se definindo a ficar contra Lula e Wilma, mesmo que ainda disponha de vários cargos no governo estadual. Mas, isso é como já dissemos antes: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Tá na hora do PMDB começar a pensar nisso, afinal ele tem uma longa história de firmeza política e cumprimento de compromissos e não fica bem essa estratégia, tão criticada por ele mesmo no passado, quando os Maia se dividiram em três e formataram todas as alternativas de ficar no poder.
Não. O PMDB não tem essa tradição e não deve incorporá-la ao seu histórico, até porque não fica bem.
Mas, para isso, o PMDB tem de se definir no projeto político de 2010. Se ainda não quanto a nomes, mas de blocos políticos.
Nesse caso é bom o PMDB ir pensando em devolver ou repassar o muro em que está.

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