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23 de setembro de 2010 às 11:43

Denúncia contra ministro Franklin Martins pode expor podridões na política potiguar

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Pense num assunto que vai feder nas esferas potiguares, só é essa denúncia da licitação que contratou a empresa Tecnet para prestar serviços à EBC – Empresa Brasileira de Comunicação, que administra a TV Brasil…
Na lista de beneficiados, Cláudio Martins, filho do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins.

Subordinada ao ministro Franklin Martins, a EBC admitiu saber que Cláudio Martins, filho do ministro, era funcionário da Tecnet Comércio e Serviços antes de contratá-la por R$6,2 milhões. O ministro nega haver irregularidade no processo.

Mas, quem tem tudo sobre as irregularidades é o natalense Ângelo Varela, conhecido por amigos como Ângelo Burrão…que de burro não tem nada.
Ângelo desenvolveu um software complexo utilizado em gerenciamento de emissoras de rádio e TV, utilizado há 10 anos pela TV Educativa. Contrato que lhe rende 10 mil reais por mês.
Acontece que, segundo Ângelo detalhou ao Blog agora há pouco, pelo telefone, o filho de Franklin Martins encontrou uma forma de copiar o software e de participar de concorrência para prestar serviços à EBC.
Ângelo foi informado da fraude pela Sony, sua parceira.
E junto com a Sony, participou da tal concorrência, mas perdeu
Ângelo tentou vender o serviço aos ganhadores da concorrência, já que eles ganharam sem ter o produto, mas acabou sendo deixado de lado, até que denunciou a fraude ao Ministério Público Federal, Polícia Federal, Justiça Federal e Tribunal de Contas da União.
Mas, em vez da concorrência ser anulada, o edital foi revogado, com a EBC se mostrando desinteressada no assunto.

O negócio começou a esquentar e um repórter da revista Veja fez a mátéria e foi ouvir o ministro Franklin Martins.
Voltou do Planalto com dois recados para dar ao natalense: primeiro, que a
matéria havia sido abortada e a revista iria para as bancas sem uma linha sobre o assunto. E segundo, que o contrato dele com a TVE, apesar de faltar 3 meses para vencer, estava sendo renovado, e que um novo edital estava sendo lançado e ele poderia participar, pois dessa vez a concorrência seria limpa.

"Os editais foram lançados e eu vi que estavam sujos, direcionados ao filho de Franklin Martins, mas eu deixei passar. Passou, ele ganhou e eu fui para o vencedor tentar vender meu serviços", disse Ângelo, afirmando que ouviu da pessoa com quem falou que o edital havia sido direcionado, sim, que eles ganharam sem ter o produto, que iriam comprar os serviços…mas terminaram botando o potiguar na geladeira.
Ângelo mais uma vez recorreu à revista Veja, que mais uma vez pegou as informações e guardou na gaveta.
"Tenho muitas provas, são mais de 100 gravações", revelou Ângelo, que disse ter encontrado no jornal O Estado de São Paulo, a intenção de publicar a denúncia.

"Mas eles publicam a denúncia como sendo do jornal, e não minha. Porque repassei pra eles as provas e eles foram ouvir pessoas", explicou o natalense, que alertou: "Mas o rolo maior vai acontecer hoje, aí em Natal".
O natalense, que mora em Recife, chegará hoje ao RN para conversar com algumas pessoas, especificamente com dois políticos.
Um deles, que se diz amigo de Franklin Martins, com muito acesso ao Planalto há pelo menos duas campanhas políticas, foi procurado à época por Ângelo, que ofereceu a Franklin – via amigo natalense – o valor de 6 milhões de reais.
"Queria que ele recebesse meu dinheiro legítimo para que ele saísse da ilegalidade e eu pudesse ganhar a concorrência, já que o software que tenho é único no mundo. Mas o picareta daqui, se dizendo o bamba no assunto, disse que dos 6 milhões, 2 milhões ficariam com ele, e o resto seria entregue a Franklin", revelou Ângelo Varela, afirmando que o natalense sabe de muitas coisas sobre caixa dois federal.

"Tive 4 reuniões com ele, todas gravadas. Vou hoje a Natal para conversar com ele. Dizer que ele tem 5 minutos para me dar a lista completa da quadrilha e ganhar a delação premiada, sob pena de seu nome ir parar no meio da denúncia", disse Ângelo ao BLog…
"Vou dizer que o amigo dele, Franklin Martins, caiu em desgraça, e pedir 5 minutos para ele pensar, e entregar todo mundo ou se entregar", afirmou Varela, dizendo que sua vinda a Natal hoje será acompanhada pelo Ministério Público do Tribunal de Contas da União, que já tem em mãos todas as denúncias e provas.
"O Ministério Público do TCU me autorizaou a negociar delação premiada com esse natalense. Você não acha que vale a pena a gente poupar um e entregar a quadrilha?", questionou Ângelo, que também inclui na lista de conversas por aqui, alguns políticos.

"Uma meia dúzia de políticos que prevaricaram. Um deles, inclusive, eu já mandei recado pela mulher dele, pois ele me disse que iria levar minhas denúncias ao (então) ministro José Múcio, marcou uma reunião pras 4 horas, mas quando eu cheguei lá ele disse que eu era um agitador, que as denúncias eram infundadas, não quis ver mais as provas e disse que José Múcio não me receberia. Me chamou de mal educado e inconveniente", disparou Ângelo, afirmando que também vai procurar por este político e conversar 5 minutos com ele.
Não para negociar delação premiada, mas para pedir que ele faça o que disse que faria à época: tomar providências.
E que providências seriam estas? Segundo Ângelo Varela, pedir ao Planalto a demissão de Franklin Martins e de todo o seu grupo, incluindo a jornalista Tereza Cruvinel, diretora da TV Brasil.

Se vai feder?
*
Ângelo Varela tentou, há mais de dois anos, instalar em Natal, um sistema de web TV, a TV Natal, que chegou a funcionar em regime de experiência. Contava à época com a colaboração do engenheiro Jaime Mariz.
O estúdio da emissora – fui a primeira entrevistada de um programa experimental – foi instalada em uma sala da UnP, no shopping Orla Sul.
A última vez que encontrei Ângelo, que é amigo antigo do meu marido, foi no carnaval do ano passado, assistindo a uma apresentação ao lado do Praia Shopping.
Hoje ele mora em Recife com a mulher e uma filha pequena.

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