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15 de outubro de 2010 às 17:37

Para João Maia, desgaste do governo Wilma derrotou Iberê

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O deputado federal João Maia foi bem claro: o governador Iberê Ferreira perdeu a eleição por causa do governo Wilma de Faria, do qual ele era o vice. Para João, o desgaste da administração foi o ponto que pesou para a derrota de Iberê.
Sobre a eleição da senadora Rosalba Ciarlini, ele registrou a compet^^encia dela. Não como gestora, mas como candidata, que há 4 anos faz campanha para conseguir um feito inédito no RN: se eleger governadora no primeiro turno.
Eis a íntegra da entrevista de João Maia exibida hoje na Rádio Cabugi do Seridó, concedida ao repórter Magno César, no Jornal da Cabugi, redigido por Paulo Mello:

Rádio Cabugi – Como o senhor avalia o resultado do pleito em 3 de outubro para o PR-RN?

João Maia – Nós conseguimos uma votação muito expressiva. Nós fomos votados em todas as cidades mais uma vez, ultrapassamos 207 mil votos, é um número muito significativo, e é um reconhecimento de trabalho. A gente não tinha elegido nenhum deputado estadual na última eleição e dessa vez nós elegemos dois, e ficamos com a primeira suplência. Então, eu penso que esse trabalho de organização, de divulgação das propostas, dos projetos do Partido da República foi pelo povo do RN. 

RC – Como o senhor analisa o insucesso eleitoral do seu candidato Iberê Ferreira e da candidata ao Senado, Wilma de Faria? 

João Maia – Iberê era o meu candidato, o PR tinha só o primeiro voto do senador Garibaldi Filho. Eu penso que Iberê herdou um governo numa situação muito difícil e enfrentou uma candidata muito competente. Rosalba, desde que ganhou a eleição de senadora, teve uma presença marcante em todos os municípios do Rio Grande do Norte, foi se consolidando com uma candidatura muito forte e o Governo realmente não ajudou Iberê. Quer dizer, o estado em que Iberê encontrou a organização, as finanças do Estado, não o ajudou. Eu não vou tirar os méritos de Rosalba não, ela trabalhou com competência pra ganhar a eleição.

RC – O senhor é um político que não falta com a verdade em seus conceitos emitidos. Daí a sua credibilidade diante dos seus conterrâneos e lideranças políticas do RN. Partindo deste princípio, a que atribui a derrota da candidata de sua coligação ao Senado, Wilma de Faria, inclusive não tendo seu integral apoio?

João Maia – Não era da minha coligação. Eu tenho respeito e consideração por Wilma, e jamais falaria mal de alguém que perdeu. Eu só brigo pra cima, eu não brigo pra baixo. Acho que ela merece respeito, mas só pra recomposição da verdade, a nossa coligação era com o PMDB e o PV, portanto, o nosso único candidato a senador era o senador Garibaldi Alves Filho. Eu não sei atribuir, eu não consigo analisar as razões da derrota da ex-governadora Wilma porque é, inclusive, um fato muito inédito. Talvez no Brasil todo não tenha nada igual: alguém que passou oito anos no governo e que não se elegeu pra o Senado. Isso é mais motivo de reflexão pra ex-governadora Wilma do que pra mim.

RC – Dentro desta mesma análise franca e correta, como é do seu costume, o senhor, numa avaliação independente, não identifica como comprometedora e falha as condições que a ex-governadora entregou o executivo ao candidato Iberê Ferreira de Souza, ao ponto do mesmo não ter tido como cumprir compromissos administrativos com o Estado, e daí receber, naturalmente, os benefícios eleitorais?

João Maia – Eu não conheço profundamente a situação. A impressão que a gente tem que as pessoas têm, é que o governador Iberê Ferreira realmente herdou uma situação financeiro- administrativa do Estado muito difícil. O pessoal refletiu muito na questão da saúde, especialmente, muito embora na questão da segurança eu penso que ele avançou muito. Mas na saúde, na educação, nos convênios
com as prefeituras, a gente sente que ele enfrentou dificuldades.

RC – Além da administração Wilma de Faria, quando a imprensa dizia e publicava
que a saúde, a educação e a segurança estavam sucateadas, quais os pontos, na sua avaliação, que comprometeram a possível vitória do candidato Iberê Ferreira de Souza junto ao eleitorado? 

João Maia  – A segurança eu faço uma ressalva. A segurança é um problema do país inteiro, as mudanças que Iberê fez na segurança ajudaram muito, a gente passou a ter uma segurança mais ativa, mais comprometida. A questão da saúde realmente é uma situação beirando a calamidade. Mas eu penso também, como a situação não estava boa, as pessoas viam, olhavam com bons olhos o fim da continuidade, e, portanto, a governadora eleita Rosalba encarnou esse sentimento de mudança. Eu acho que isso prejudicou muito Iberê. 

RC – Como o senhor recebeu o apelo da governadora eleita Rosalba Ciarlini para, junto com toda classe política, ajudá-la a enfrentar os problemas do Estado?

João Maia – Eu sou um norte-rio-grandense apaixonado. Eu conversei com a governadora eleita Rosalba. Minha posição não foi escolhida por mim, foi  escolhida pelo povo. O povo me escolheu pra ser oposição. Mas eu disse a ela com todas as letras, que o que eu puder fazer farei pra ajudar o Rio Grande do Norte. Eu jamais deixarei de fazer, inclusive disse que eu trabalhei por projetos muito importantes como Complexo da Abolição, a estrada do sal, que beneficiava Mossoró que era oposição. Eu sou oposição ao governo, não sou oposição aos interesses do povo do RN.

RC – O deputado João Maia entende como possível. neste convite. uma abertura para o diálogo político que possa desembocar nas eleições de 2012? 

João Maia – É muito cedo pra falar isso. O que posso afirmar aos conterrâneos do Seridó é que o RN vai contar com João Maia como contou até hoje, trabalhando duro nas áreas onde a gente pode ajudar para que a vida das pessoas melhore. Eu tenho muito orgulho do meu primeiro mandato, pelas novas estradas, quer dizer, por aqueles recursos que a gente trouxe pra os municípios. Essa é a nossa
função. A missão que o povo nos dá é de continuar a trabalhar. E é isso que eu vou fazer.

RC – O Partido da República que lhe deu uma votação consagradora em 3 de outubro, continua em crescimento e vem alcançando um resultado marcante. Nas eleições municipais de 2012, poderá credenciá-lo a disputar uma eleição majoritária?

João Maia – Sinceramente, é muito cedo. Eu tive esse sonho, mas eu estou naquela fase de passou a eleição, discutir em Brasília com a direção de partido sobre que rumo nós vamos tomar, apoiar a candidatura Dilma, que é nossa candidata no RN. Eu tenho uma responsabilidade, eu fui o deputado do partido, proporcionalmente, mais votado do Brasil. Nem foi Tiririca, nem foi Garotinho, quer
dizer, eu tive 13,1% dos votos válidos para deputado federal do RN, e isso o partido nacionalmente olha com muito respeito. Quero discutir meu futuro político e minhas ações políticas com o partido no RN onde já marquei uma reunião pra gente discutir esse segundo turno. Nacionalmente, fiz reunião com a direção do PR essa semana em Brasília. 

RC – A imprensa tem divulgado com certa insistência o possível estremecimento no relacionamento político do senhor com o deputado Vivaldo Costa, em virtude do apoio dele à governadora eleita Rosalba Ciarlini, como também pelo fato do senhor não ter alcançado a votação prometida e esperada em Caicó. O que há sobre isso verdadeiramente?

João Maia– Eu não tinha uma votação prometida. Eu tive muitos votos em Caicó e agradeço muito a cada voto recebido naquele município. Caicó é a nossa base no Seridó. Eu não tenho nenhum conflito em relação à questão de Vivaldo, pois ela foi definitivamente combinada. Vivaldo é o presidente de honra do partido e desde o início decidiu que apoiava Rosalba e a gente respeitou a sua posição. Brevemente terei uma reunião com Vivaldo e o que eu quero mesmo é me dedicar mais
à organização do partido em Caicó. Eu vou fazer essa tarefa pessoalmente, eu acredito muito em organização, a gente precisa rejuvenescer o partido, criar o PR jovem, fazer coordenação por cada região de Caicó, trazer as lideranças de bairros. Eu tenho em relação a Caicó uma crítica que eu já fiz a Vivaldo: nós precisamos elevar o nível de fazer política em Caicó. A minha conversa com
Vivaldo será em relação a isso, não por questão de votos que tive. Sou muito agradecido a cada um deles.

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