Thaisa Galvão

20 de dezembro de 2011 às 0:05

De Acari para a Globo [3] Comentários | Deixe seu comentário.

Da Tribuna do Norte desta terça-feira:

De Shakespeare para a Globo

Yuno Silva – Repórter

Há quase vinte anos, a adolescente Izabel Cristina de Medeiros percebeu que não adiantava querer controlar o destino em seus mínimos detalhes. Acalentando o desejo de atuar como jornalista profissional, seus planos foram abalados logo na primeira ida ao teatro e desde então passou a cogitar outras formas de atuação: nos palcos, sob os holofotes das artes cênicas. Apesar do nome de batismo, ela já ganhou o mundo como Titina – apelido recebido da madrinha antes mesmo de nascer – e mais uma vez o destino bate à sua porta com um novo desafio.

Titina Medeiros no premiado espetáculo Sua Incelença Ricardo III

Dona de grandes olhos verdes, sorriso largo e um ar de seriedade que deixa transparecer o alto nível de seu compromisso com a carreira, a atriz assinou ontem à tarde, no Rio de Janeiro, contrato com a TV Globo para trabalhar na próxima novela das sete em um papel de destaque. A previsão é que “Marias do Lar”, título provisório do folhetim que irá substituir “Aquele Beijo”, entre no ar em abril. “Tudo aconteceu muito rápido, chega a ser assustador. Mas estou tranquila, segura”, disse Titina por telefone pouco depois de conhecer parte do elenco da novela.

“Foi bom reconhecer na equipe que vai estar comigo no estúdio um técnico de som que havia trabalhado comigo em 2003 e 2004 no quadro (do programa Fantástico) ‘Brasil Total’ quando fiz três programas falando aqui do RN”, comemorou. Titina falou sobre a fabricação do doce chouriço, a encenação da Paixão de Cristo em Apodi e a pesca do siri em Ponta Negra.

Sobre a novela ela adiantou que “o personagem é muito bom, uma vilãzinha legal, engraçada e ingênua, mas não posso adiantar muita coisa”. Nascida em Currais Novos por puro acaso, pois na época não faziam cirurgia de laqueadura em Acari, Titina Medeiros contou que tudo começou em abril deste ano, quando esteve no Paraná onde participou do Festival de Teatro de Curitiba com o grupo Clowns de Shakespeare encenando o premiado espetáculo “Sua Incelência, Ricardo III”, onde interpreta a desbocada rainha Elizabeth. Nesses grandes festivais, sempre tem olheiros e produtores de elenco de plantão e o grupo acabou sendo convidado para, quando estivesse passando pelo RJ, visitar os estúdios da Globo. “Fiz vários testes desde setembro e calhou que gostaram de mim”, lembrou Titina, que preferiu não fazer alarde antes de formalizar sua participação.

Mas a informação ‘vazou’ e acabou indo parar em páginas eletrônicas especializadas em assuntos de televisão. “De repente comecei a receber mensagens parabenizando, e passei a me perguntar como é que ficaram sabendo. Até que um amigo me disse que tinha visto na internet. Não queria dizer nada, preferia que as pessoas me vissem pela televisão, mas não tinha mais como segurar”.

Titina Medeiros vai gravar a novela entre janeiro e agosto do próximo ano, e até lá seus projetos com os Clowns de Shakespeare terão que ser readequados. O ator César Ferrario, companheiro da atriz e parceiro  no grupo, disse que houve um consenso de que o melhor a fazer neste momento é ensaiar com outra pessoa para substituir quando Titina não puder conciliar a agenda. “Teremos sim que pensar nessa substituição temporária, é uma coisa natural que acontece com qualquer grupo”. A turnê pelo Chile de “Ricardo III” terá a presença de Titina, que na volta já desembarca no Rio de Janeiro.

“Vamos começar a ensaiar ‘Hamlet’ no segundo semestre como parte das comemorações dos 20 anos dos Clowns, e Titina está no projeto”, adiantou César que falou em nome do grupo. Segundo ele, há propostas de fazer algumas apresentações em São Paulo durante o Carnaval e a atriz já está vendo se consegue conciliar.

É interessante notar a segurança que o fazer teatral em grupo proporciona a seus integrantes: “Fazemos um tipo de teatro que não prioriza o lado comercial, a intenção é pesquisar, experimentar, e estamos conseguindo reconhecimento a partir daqui de Natal”, lembrou Ferrerio, que prefere não se precipitar quando questionado sobre uma possível renovação de contrato entre Titina e a TV Globo. “É cedo para dizer qualquer coisa, o importante é que estamos todos muito felizes por ela”.

HISTÓRICO – Em 1992, mesmo ano em que teve seu primeiro contato com o teatro quando assistiu a performance da atriz portuguesa Maria do Céu Guerra no espetáculo “Pranto de Maria Parda”, Titina Medeiros estreou como uma fada na “A Bela Adormecida”, dirigido por Jesiel Figueiredo.

Entre 1996 e 98 fez parte do Grupo Tambor de Teatro, de João Marcelino, com quem encenou “O Príncipe do Barro Branco” ao lado do ator Chico Villa, e “Brincadeira de Bolso” que ficou em temporada na Aliança Francesa. “A imagem que tenho de Titina é ela chegando com a prima Nara Kelly e eu disse: ‘você não quer participar?’ E ela entrou, e foi um momento lindo na minha vida – acredito que na dela também”, disse Marcelino. “Acho bacana o fato dela estar na Globo, mas é interessante ter a noção de que é só mais um veículo de manifestação da arte do ator. Não é um prêmio, um troféu, não é o ponto máximo, Titina busca qualidade em qualquer lugar. O bacana é terem visto nela esse talento”.

O diretor acredita que o fato também lança luz sobre a cidade, e Titina acaba se transforma em um farol para que as pessoas veja o teatro do Rio Grande do Norte com outros olhos. O Estado ganha outra dimensão, ganha divisas.

Depois do Tambor fez trabalhos avulsos, trabalhou em Autos e começou a participar de espetáculos do Clowns de Shakespeare a partir de 2003. Com o grupo fez “dos prazeres e dos pedaços”, “Muito barulho por quase nada”, Roda Chico” e “Sua Incelência, Ricardo III”. Nesse meio tempo tamb[ém integrou o grupo Carmim, com o qual montou o espetáculo “Pobre de Marré”. Este ano, ainda encenou em Brasília e no Rio de janeiro a peça “A mulher revoltada”, do jornalista Xico Sá.

Do Blog – Daqui do meu cantinho fico torcendo pela minha vizinha de infância lá em Acari. Filha de Chico Torres e ‘dona’ Maria Isabel, Titina era a irmã pequenininha de Rejane (hoje jornalista em Brasília) e de Sandra. Galega pequena e de pescoço meio emperrado, parecia uma boneca que eu tinha e que eu chamava de “Pililita”. Revelação que nunca fiz a Titina. Era coisa que me reservava a comentar com minha irmã.

Agora a “Pililita” que não tem mais o pescoço emperrado, cresceu de corpo e de alma. E daqui vou logo avisando: há tempos deixei de assistir novela, mas não vou resistir e acompanharei o sucesso da minha ex-vizinha da Rua da Matriz. Batendo palmas. E feliz.

E me referindo à reportagem da Tribuna (De Shakespeare para a Globo), eu mudaria o título. Seria bem óbvia: “De Acari para a Globo”.

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