Thaisa Galvão

28 de junho de 2013 às 23:22

Correio da Tarde: jornal fecha as portas nesta sexta-feira [1] Comentários | Deixe seu comentário.

Sete anos.

Foi o tempo que durou o vespertino Correio da Tarde.

Que sob o comando do empresário Walter Fonseca, teve uma temporada sendo editado – com manchetes diferentes – em Natal e Mossoró.

Primeiro foi a edição de Natal que fechou.

E nesta sexta-feira, foi às bancas a última edição mossoroense.

Editor do vespertino, o jornalista Pedro Carlos, que mantinha uma coluna no veículo, encerrou sua participação com uma nota de lamento.

 

E a direção do jornal emitiu uma nota explicando os motivos da decisão:

 

NOTA DE ENCERRAMENTO

 

A direção do jornal CORREIO DA TARDE informa que encerra a partir de hoje a sua circulação. O jornal deixará de existir por uma série de fatores que estão acima dos nossos desejos e esforços para continuar essa história que tão bem fez ao Rio Grande do Norte em seus mais de sete anos de existência.

As dificuldades para se fazer jornal são do conhecimento de todos. Os anúncios estão cada vez mais escassos, o número de assinantes diminui vertiginosamente por conta da facilidade do acesso ao conteúdo, gratuitamente, via Internet. Os custos crescem em escala exponencial, enquanto a arrecadação com as vendas nas bancas e de propaganda está praticamente no mesmo patamar há anos.

É fato que todos os jornais enfrentam essa dificuldade e alguns precisam fazer malabarismos editoriais para sobreviver. Este jornal optou por não seguir essa linha. Manteve-se, em todo o seu período de existência, na condição de baluarte na defesa dos interesses da sociedade, uma voz incansável contra as injustiças e perseguições.

O jornalismo coragem tem um preço a ser pago e nós entendemos isso desde o primeiro dia em que entramos em circulação. Mas, como o diretor-presidente Walter Fonseca disse na abertura dos nossos trabalhos, este jornal circularia até o seu último dia sempre com a marca da credibilidade. Chegamos a ele com ela intacta. E disso nos orgulhamos.

Sofremos injustiças, desvalorizações, descompromissos. Mas nos mantemos no mesmo diapasão, sem medo de dar a notícia, sem amarras ideológicas, políticas ou financeiras. Fizemos jornalismo com J maiúsculo.

O dia de hoje é triste para nós, do CORREIO DA TARDE e, também, para o jornalismo brasileiro. Quando se fecha um jornal, a sua visão de repórter da história acaba interrompida. É como se queimássemos uma biblioteca inteira que ainda estava para ser escrita.

Ao mesmo tempo, é dia de agradecer a todos os colaboradores que fizeram deste CT, em seus sete anos, dois meses e 17 dias de existência, um dos jornais de maior repercussão neste Rio Grande do Norte. A todos os editores, repórteres, impressores, diagramadores, pessoal de apoio. Cada um escreveu uma página nesse livro, que tem fim agora, mas que certamente será lembrado para a eternidade. Não temos dúvidas de que o jornalismo feito aqui, mesmo com humildade, mas com muita raça, ainda será lembrado por muitas gerações.

A direção deste CORREIO DA TARDE deixa aqui, principalmente, o agradecimento a você, leitor, que nos fez chegar até aqui. Se sobrevivemos a todas as intempéries e chegamos a este 28 de junho, foi graças ao seu apoio. O mesmo devemos dizer aos nossos assinantes e anunciantes, figuras importantíssimas em toda a nossa trajetória.

Orgulhamo-nos da história que escrevemos e, apesar da despedida, vale lembrar Fernando Pessoa e sua célebre frase no poema Mar Português: Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.

 

A direção

 

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