Thaisa Galvão

15 de maio de 2014 às 5:44

Para a governadora Rosalba Ciarlini, os que defendem a política ‘do quanto pior, melhor’, tentam ‘passar um trator’ por cima dela [2] Comentários | Deixe seu comentário.

A governadora Rosalba Ciarlini abre hoje uma série de entrevistas que o Blog vai fazer ao longo da campanha político que está despontando.
Rosalba é governadora e sonha com a reeleição.
Se você perguntar se será candidata ela vai dar um Não redondo e dizer que só fala de política na hora certa. Mas, basta um jeitinho para você entender, a cada pergunta, a cada entrelinha, que o sonho da governadora, que está inelegível, é vencer a batalha jurídica e provar por A mais B ao seu partido, o DEM, que muito mais do que uma aliança com o PMDB, o Democratas tem chance de reeleger a governadora.
Como sonhar não paga imposto e realizar sonhos não é impossível, Rosalba sonha com um Rio Grande do Norte que para ela está somente começando.
Essa entrevista foi feita em duas partes.
Foi atípica como dizem os políticos em relação à derrota na eleição suplementar de Mossoró. Começamos no restaurante Santa Maria. Bacalhau à Lagarero foi o prato comum escolhido para os 3 da mesa – o secretário de Comunicação Paulo Araújo acompanhou. E teríamos terminado a entrevista onde começamos se eu…sempre eu…não tivesse deletado, assim, como sem querer e não querendo, uma das 3 partes da gravação.
Mas, vamos lá, começar do começo…por Mossoró.

Thaisa Galvão – Governadora, vamos começar por Mossoró. A senhora sem palanque, um resultado inesperado, dança de partidos. Como a senhora avalia?
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Rosalba Ciarlini – Foi a primeira vez que aconteceu uma eleição suplementar. Nunca na história da cidade a decisão do povo não foi referendada. O quadro da suplementar foi bem diferente do que o de dois anos atrás. O próprio prefeito Silveira que tinha apoiado Larissa tomou outra posição. O partido que apoiava Cláudia (PMDB) tomou outra posição. Por isso esse alto número de nulos e brancos e de abstenções. Sempre que houve cadastramento eleitoral a abstenção na eleição seguinte foi mínima. As pessoas não tiveram interesse de votar porque, tenho certeza, essas pessoas queriam novamente julgar Cláudia Regina nas urnas. Os que quiseram votar procuraram quem de certa forma tinha mais identidade e como Silveira era presidente da Câmara, já apoiando a gestão de Cláudia…
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TG – O palanque de Larissa mudou. O PMDB migrou da chapa de Cláudia para a chapa de Larissa e ela terminou a eleição com quase metade dos votos que teve há dois anos…
RC – Isso chamou atenção e vale uma reflexão.
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TG – O povo de Rosalba votou em Silveira?
RC – Eu só tenho o meu voto e preguei a neutralidade.
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TG – Mas a senhora é uma liderança em Mossoró.
RC – Senti nas ruas que as pessoas que decidiram votar a tendência era votar em Silveira. E tem uma história interessante: em várias eleições estivemos juntos, eu e Silveira.
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TG – Existe uma identidade entre os dois?
RC – Não deixa de ter.
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TG – O exército de Rosalba que votou em Silveira, vota no pré-candidato ao Governo do PSD, partido de Silveira, Robinson Faria, ou retorna para o lugar de origem para votar em Rosalba?
RC – É outra eleição. As pessoas vão fazer a separação bem direitinho. Eleição municipal é uma coisa, ainda mais sendo suplementar, e eleição estadual vai ser outra, bem diferente.
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TG – O grupo que apoiou Silveira, apoiou o prefeito. Na eleição estadual muda tudo porque não é mais o prefeito, é o candidato do prefeito…
RC – Cada qual tem seu grupo, mas precisa estar com uma liderança muito consolidada para fazer a transferência de votos.
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TG – A senhora acha pouco tempo até outubro?
RC – Tá em cima.
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TG – Os eleitores então devem voltar para o rosalbismo?
RC – Não vou fazer essa avaliação porque será especulação. Vamos aguardar.
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TG – Por que Cláudia foi candidata, ela não sabia dos problemas jurídicos?
RC – Ela tinha esperança de pelo menos ter o direito de fazer campanha como Larissa teve.
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TG – A senhora chegou a pensar em outro nome?
RC – Não dava mais tempo.
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TG – Mas antes, antes da campanha?
RC – Não, minha candidata sempre foi Cláudia.
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TG – O que representa Mossoró numa campanha política?
RC – É o segundo colégio eleitoral e tem um reflexo muito grande em toda a região.
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Thaisa Galvão – Governadora, juridicamente hoje a senhora está inelegível. O que tem feito para reverter esse quadro?
Rosalba Ciarlini – Estou fazendo minha defesa.
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TG – A senhora conseguiu uma liminar para se manter no cargo (o TRE a afastou), e conta com um instrumento jurídico para levar candidatura adiante?
RC – Nós estamos mostrando que eu não fui candidata. E que nunca houve nenhum problema em relação às minhas candidaturas. Estou fazendo a defesa confiante na decisão da Justiça.
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TG – A senhora não foi candidata, mas precisa de um instrumento jurídico para ser.
RC – Eu tô fazendo minha defesa porque, na realidade, é um direito né?
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TG – O que lhe assusta mais hoje, o fantasma da inelegibilidade ou o fantasma de não ter a legenda para disputar a reeleição?
RC – O que me assusta…é não poder levar adiante a vontade de poder fazer mais pelo Rio Grande do Norte, encontrar os meios para fazer ainda mais e ter condições porque a vontade existe, mas as condições no nosso Estado muitas vezes não nos deixa fazer.
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TG – Essa vontade de fazer mais ultrapassa 2014, 2015, 2016…Vai mais adiante?
RC – A vontade é mesmo de ver esse Estado organizado, tanto que o RN Sustentável é um programa para 5 anos e que começou agora.
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TG – É um projeto para duas gestões..
RC – Seja quem estiver, espero que continue.
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TG – A senhora espera que seja a senhora?
RC – Nós fizemos um plano estadual de educação pois o Rio Grande do Norte não pode mais ficar na lanterna. Mas ainda não está como queremos. Fizemos um plano para ser Lei, para valer daqui a 15, 20 anos, passando pela valorização do professor, avaliação do PISA, Prova Brasil, evasão, repetência. Esses todos tem números interessantes.. Também fizemos um plano de Cultura. Hoje a população cobra, e nós ainda temos os planos de Saúde e de Desenvolvimento. Isso tem que ficar claro para que as pessoas cobrem porque os mandatos passam, mas o Rio Grande do Norte fica. Temos que fazer os alicerces.
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TG – Rosalba está alicerçando o Rio Grande do Norte para entregar a Rosalba?
RC – Sempre gostei e gosto muito de trabalhar. Não temo desafios e sou persistente como toda mulher.
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TG – Voltando à questão jurídica, quando o TRE decidiu pelo seu afastamento do cargo, teve medo que acontecesse com a senhora o que aconteceu com a ex-prefeita Micarla de Sousa?
RC – O trabalho tem me consumido tanto, o RN Sustentável e o plano de saneamento são projetos do meu governo, mas de repente eu disse: ‘Meu Deus do céu, ninguém está vendo o estado do Rio Grande do Norte?’ Essa é uma possibilidade desse Estado ser maior e nós vamos continuar nessa política do ‘terra arrasada’, do ‘quanto pior melhor’, do ‘pagar mil para o outro não ganhar dez’, e do ‘poder pelo poder’, então por isso é preciso passar um trator por cima de todo mundo? A mudança está aí, passa pela cultura das pessoas, pela mentalidade política das pessoas.
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TG – Passa pela sua cabeça permanecer inelegível e ficar 8 anos fora da política? A senhora ficaria neutra na eleição de outubro como fez em Mossoró?
RC – Eu não tenho bola de cristal e não gosto de falar em ‘se’. Eu falo do hoje, do agora. Eu nunca fiz planos para ser política e de repente eu me tornei política. Meu sonho de infância e de juventude era ser médica, essa que é minha profissão que eu amo, e em qualquer momento da minha vida eu estarei sempre sendo médica. De repente fui convocada para ser candidata. O candidato daquela época era Laíre Rosado, ele já estava eleito…
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TG – Prefeito de férias?
RC – De férias, tinha 70% nas pesquisas e eu comecei uma campanha, fui eleita, não tinha reeleição. Fui ser médica e fui convidada para ser candidata à vice-governadora de Lavoisier. Depois fui eleita de novo, foi um mandato difícil, desgastante, mas no final as pessoas reconheceram que Mossoró estava se transformando, e eu fui reeleita para o terceiro mandato. Depois fui ser candidata ao Senado com Fernando Bezerra também eleito, de férias, tinha na época 160 prefeitos apoiando ele, eu tinha 6 ou 7… Fui eleita, sei que deixei marcas no Senado. Agora há pouco o embaixador da Argentina disse, ‘a senhora foi a senadora da Licença-Maternidade”…foi um projeto importante. Mas eu fiz uma escolha: renunciei a mais 4 anos no Senado, que tinha um trabalho menos estressante. Vim para o Governo sabendo que ia enfrentar situações muito difíceis. Obras paradas, muitas obras paradas. Muitos problemas e que eu subestimei porque os problemas eram muito maiores, que engessaram o Estado. Fiquei sem poder dar um passo adiante, por falta de credibilidade, o Estado estava inadimplente…

2 respostas para “Para a governadora Rosalba Ciarlini, os que defendem a política ‘do quanto pior, melhor’, tentam ‘passar um trator’ por cima dela”

  1. fernando disse:

    O pior é ela como governadora.O melhor é ela fora do governo.

  2. luis eduardo disse:

    Pior foi o que ela fez e faz no rn .

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