#JornalismoSemFakeNews

14 de março de 2015 às 9:10

Quem disse que jovem tem que beber ou usar droga só para agradar alguém da turma?

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Lendo hoje o artigo do advogado Erick Pereira no Novo Jornal, como mãe de pré-adolescente, essa fase tão cheia de verdades onde a “intromissão” dos pais é classificada de “mico”, fiquei refletindo sobre o que fazer para evitar que minha filha siga o que pensa e diz seu coração e sua cabeça, a partir dos ensinamentos de casa, e não a “regra”, muitas vezes de uma minoria que imprime uma liderança sobre os demais.

E lembrei, mais uma vez, de um episódio que já contei, com riqueza de detalhes, para minha filha de 12 anos.

Eu estava na faculdade, já atuando no jornalismo, e fui convidada para um jantar. Eu e mais umas 5 pessoas.

Lá para as tantas, depois de muita conversa, e de goles de cerveja que eu não bebi, rodou na mesa um cigarro de maconha. E a sequência dos tragos parou em mim, que firmemente, diante de ‘colegas’ até mais velhos do que eu, alguns já respeitados na profissão, disse não.

Questionada eu fui. Firme também. Não quis e pronto.

E conto pra ela que minha atitude não impediu que eu continuasse convivendo com essas pessoas, e chegando ao patamar profissional em que elas estavam, e até passando na maioria dos casos.

O ‘maria vai com as outras’ não faz um adolescente virar gente grande.

Os ensinamentos de casa, quando eles existem, esses sim.

Em alguns casos, aliado à educação dos pais, que tal seguir as leis?

Eis o artigo em questão:

É CRIME

Erick Pereira

Advigado

A venda de bebidas alcóolicas a menores de 18 anos deixou de ser contravenção e virou crime. A lei, ora submetida à sanção da presidente, sujeitará estabelecimentos comerciais que vendam bebida alcóolica a menores à pena de detenção de dois a quatro anos e pagamento de multa de R$ 3 mil a R$ 10 mil.

A notícia lavou a alma do meu primogênito de 14 anos, alvo de deboche de colegas por haver se recusado a ingerir bebida alcóolica numa festa. O comportamento que me encheu de orgulho motivou a zombaria solta que só a crueldade irrefletida dos muito jovens consegue engendrar. Sim, os recém-chegados à adolescência têm incrementado suas celebrações com a oferta magnânima da antiquíssima e lícita droga sob os olhares e bolsos complacentes dos pais. 

Segundo o último Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, 69% dos garotos de 14 a 17 anos bebem pelo menos uma vez por semana, percentual superado nos últimos anos pelos – pasmem – 74% das meninas de mesma faixa etária. 

Cenas que inundaram as redes sociais e os noticiários recentes mostraram um eufórico jovem numa competição alcóolica. Trinta doses de vodca depois, sucumbiu à intoxicação. Não foi o primeiro a morrer após demonstração suicida e imatura de virilidade, coragem ou equivalente estúpido que se queira associar. Demonstrações que se iniciam em encontros sociais ao abrigo de entidades escolares, esportivas ou familiares que parecem negar evidências de que exageros do tipo propiciam mais que comprometimentos de funções psicossociais – acidentes, direção perigosa, sexo sem proteção, abandono de emprego ou dos estudos. São um risco à saúde ou mesmo à sobrevivência. 

O neurocientista Carl Hart, um dos maiores especialistas do mundo em adição, enfatiza que o risco de vício é muito maior quando o uso de drogas tem início no começo da adolescência que na idade adulta. No caso do álcool, 20% dos usuários se tornam viciados. 

Não sabemos se a nova lei a ser incluída nas disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ficará, a exemplo de tantas outras, relegada a status de inutilidade das leis que não pegam. Fiscalização de estabelecimentos que vendem bebidas alcóolicas, por mais eficaz, não bastará para coibir esse consumo precoce devastador. Haverá vigia para vigiar – e penalizar – os vigias-pais? Aqui vale repetir o brocardo de Memórias, de Richelieu, para quem fazer uma lei e não mandar executar é autorizar a coisa que se quer proibir.

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