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11 de maio de 2015 às 7:58

Mônica Bérgamo e os bastidores políticos do casamento que deu o que falar

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Na coluna de Mônica Bérgamo, na Folha de hoje, os bastidores do casamento do médico Roberto Kalil, que cuida da saúde da presidente Dilma e do ex-presidente Lula.

Festa onde Lula reclamou do serviço, ignorou a presença da imprensa para justificar que ia de whiski em vez de vinho, e onde os dois ilustres padrinhos foram alvo de protestos.

Eis a coluna:

Mulher e filhas de Eduardo Cunha tietam Dilma em casamento

Eduardo, se não trazem comida para você, que é presidente da Câmara dos Deputados, imagine para um mero ex-presidente da República”, dizia Lula, fazendo piada na mesa que dividia com Dilma Rousseff, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL) no casamento do cardiologista Roberto Kalil Filho e da endocrinologista Claudia Cozer.

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A festa, na noite de sábado (9), se transformou na maior concentração de autoridades já vista fora de Brasília em anos recentes. Lula e Dilma foram padrinhos dos noivos, de quem são pacientes. José Serra também. Nas primeiras filas se sentaram Geraldo Alckmin, com Lu Alckmin, e Fernando Haddad com Ana Estela. Ministros e secretários de Estado acompanharam a cerimônia.

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Serra chegou a ser barrado na rua que dava acesso à festa: como errou o caminho, o comboio de Dilma teve que voltar na contramão. O trânsito foi bloqueado. Inconformado, o tucano espalhava broncas. Já Alckmin desceu do carro e caminhou calmamente até a entrada.

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“Ladra, ladra”, gritavam manifestantes que se reuniam na porta da festa, imaginando que Dilma poderia ouvir alguma coisa. “Tem só quatro pessoas lá fora protestando”, dizia um dos seguranças da presidente. “Eu contei 20”, reagiu Rosângela Lyra, da associação de lojistas dos Jardins e entusiasta das passeatas contra o PT.

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Kalil mostrava a mensagem de Colin Butterfield, do Vem Pra Rua, no Facebook, desautorizando o uso do nome do movimento pelos manifestantes. “Eu conversei com ele, não são eles que estão fazendo a manifestação”.

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Dentro do prédio, a situação era inversa. Embora boa parte fosse antipetista, convidados formavam fila para fazer selfie com Lula e Dilma.

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Eduardo Cunha chegou a ficar sozinho na mesa enquanto sua mulher, Cláudia, e três filhas do casal faziam fotos com a presidente. Diante da sugestão, feita a Cláudia, para que aconselhasse o marido a tratar melhor a presidente, a própria Dilma respondeu: “Ah, não estamos nessa, aqui hoje com a gente a conversa é outra!”. Cunha ria com a lembrança inevitável da música de Chico Buarque que diz: “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta”.

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“Juliana Pereira, uma moça lá do Rio Grande do Sul”, repetia Dilma quando lhe perguntavam quem assinava o vestido azul marinho que ela usava na festa.

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“Político, na frente de jornalista, só bebe vinho. Finalmente encontrei alguém para brindar com uísque”, dizia Lula, erguendo o copo de Black Label em direção ao senador Omar Aziz (PSD-AM). Na festa foram servidos também champanhe Barons de Rothschild Brut e vinho tinto Chateau Lafite Monteil.

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O parlamentar cochichou algo com o petista. Que respondeu em voz alta: “Eu digo que o segundo mandato da Dilma ainda não começou. Ela está arrumando a casa. O Brasil é muito rico, forte, vai superar, vai deslanchar”.

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A coluna perguntou ao ex-presidente o que pensava do panelaço contra o programa do PT – Lula foi uma das estrelas da peça publicitária. “Olha, eu não vi, eu não ouvi o panelaço. Eu estava no meu escritório, lá [na região do Ipiranga] não teve panelaço, em São Bernardo foi fraco. Eu não vou ser contra as pessoas que protestam. Mas eu acho que a gente tem que prestar atenção também nas pessoas que não protestam.”
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Dilma foi embora pouco depois das 22h30, e perdeu a parte mais animada da festa: o show de Tiago Abravanel, que fez as pessoas dançarem até as 5h. Os noivos embarcaram no mesmo dia para a lua de mel em Capri, na Itália.


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