Thaisa Galvão

14 de março de 2016 às 11:44

Igreja se pronuncia sobre a crise [0] Comentários | Deixe seu comentário.

A Arquidiocese de Natal emitiu  nota sobre o momento atual do Brasil. 
Segue:
NOTA
O Serviço Social Arquidiocesano em Rede reunido em assembleia, nos dias 08, 09 e 10 do corrente, em Natal/RN, vem manifestar a sua preocupação com o atual momento político que atravessa o Brasil, caracterizado por intensa polarização emocional, e com a necessidade de avançarmos na garantia dos direitos históricos já conquistados. 

Empenhados na construção de uma sociedade justa e fraterna, como casa comum de todos e todas, reafirmamos:

Compromisso com a democracia e com a Participação Cidadã
A sociedade brasileira lutou muito para conquistar a democracia. 

A nossa história em alguns momentos foi marcada pelo autoritarismo e ainda convive com a desigualdade socioeconômica e regional que tem como uma das consequências à corrupção, tão presente em nossa história secular. 

É preciso avançar na construção de uma cultura democrática e plural e, por isto, o respeito e o diálogo são fundamentais. O Papa Francisco tem incentivado a cultura do encontro. Para construir um ambiente democrático e civilizado precisamos de abertura ao outro, visões e ideais diferentes, multiplicidade de organizações, projetos políticos e opiniões. Democracia não se faz apenas com um lado e sim com a pluralidade, não se faz com a destruição do outro e sim com a garantia da participação de todos e todas. Democracia não se faz na base do ódio e sim na busca sincera do entendimento e da convivência entre os diferentes.
Garantia e aplicação dos direitos
Para superarmos os nossos problemas históricos é necessário o reconhecimento que muito já foi feito, mas, ainda existe muito por fazer. Continuamos com as características de uma sociedade, por demais, excludente e desigual. Uma das nossas tarefas urgentes é superarmos a desigualdade socioeconômica, regional e enfrentarmos todo tipo de corrupção. Para isso a mobilização permanente por um educação e saúde pública de qualidade para todos e todas, moradia digna, democratização da terra e da água, trabalho decente, saneamento ambiental são barreiras que a Igreja através da suas organizações e pastorais sociais têm lutado e se empenhado. 

O Papa Francisco fala dos três T’s: terra, teto e trabalho como lutas sagradas e que dignificam o ser humano. “(…) a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias tantas vezes desviadas por inúmeros fatores. É impossível imaginar um futuro para a sociedade sem a participação como protagonistas das grandes maiorias e este protagonismo transcende os procedimentos lógicos da democracia formal. 

  1. A perspectiva de um mundo de paz e de justiça duradouras pede que superemos o assistencialismo paternalista, exige que criemos novas formas de participação que incluam os movimentos populares e animem as estruturas de governo locais, nacionais e internacionais com aquela torrente de energia moral que nasce da integração dos excluídos na construção do destino comum. E assim com ânimo construtivo, sem ressentimento, com amor”.1

Esta tarefa esta fundamentada na opção evangélica e preferencial pelos pobres assumida pela Igreja e reafirmada pelo Papa Bento XVI quando disse, em Aparecida (SP), que esta opção está implícita na Fé Cristológica.
Sigamos nestes compromissos, sem nenhum retrocesso e solucionando os nossos problemas unicamente pela via democrática, no dever de garantir a governabilidade.
Natal/RN, 13 de março de 2016
Arquidiocese de Natal
Serviço Social Arquidiocesano em Rede – SAR

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