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6 de julho de 2016 às 0:38

Após discussão no twitter sobre homofobia, youtuber e deputado Marcos Feliciano gravam debatem sobre a polêmica

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Do Estadão:

O que te define é o que você tem entre as pernas”, diz Marco Feliciano

Pastor participou de debate com o youtuber Felipe Neto

O youtuber Felipe Neto se desentendeu recentemente no Twitter, após rebater mais uma das declarações polêmicas e homofóbicas do deputado Marco Feliciano.
O pastor revidou e Felipe propôs um debate civilizado gravado em vídeo, que foi realizado em Brasília e só foi publicado nesta terça-feira. Também foi disponibilizada uma versão sem edições e cortes para download.

Casamento Gay

— Os tempos mudaram? Mudaram, não tem nenhum medieval aqui, mas não adianta os tempos mudarem e a Constituição não mudar, ela tem que ser refeita nesse quesito e nunca houve esse debate — inicia Marco Feliciano sobre a questão envolvendo casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Neto então pede para que o pastor discuta se concorda ou não, como pessoa e não como pastor e parlamentar, com a decisão do Supremo Tribunal Federal em aceitar as relações homossexuais na união civil.

— O STF não aprovou a união civil, a Constituição foi rasgada, o Supremo julgou o caso de uma união estável, duas pessoas morando juntas. O meu medo é que a união estável se torne apta para uma união civil e ela se torne o casamento, como vão ficar as igrejas? Uma vez que as igrejas não apoiem um casamento, elas podem ser criminalizadas — disse Feliciano.

Em resumo, Feliciano não responde ao questionamento de Felipe Neto e justifica com indagações, dizendo que casais homossexuais não podem gerar filhos e, sendo assim, essas pessoas não podem proteger o Estado e nem garantem a longevidade da população. O deputado deixa claro que, para ele, a existência do ser humano é de exercer a função de reprodutor.

— Por exemplo, eu cuidei do meu pai a vida inteira dele, e se por acaso ele tiver um relacionamento com um homem há pouco mais de 30 dias, esse homem pode entrar na Justiça e assim levar tudo de uma vez só e eu nada — justificou.

Religião

O youtuber e o deputado partiram para o tema religião e gays, comentando sobre o Novo e o Velho Testamento da Bíblia, mas sem muito desenvolvimento.

Questionado se ele condena os homossexuais a irem para o inferno, Feliciano irritou Felipe Neto ao responder dizendo que “90% dos homossexuais, que ele conhece, tem esse tipo de vida porque foram abusados ou tiveram sérios problemas na vida.”

Gêneros

Inspirado pelas declarações do pastor evangélico, Felipe Neto o questiona se ele realmente não acredita que pessoas nascem homossexuais e se isso aconteceria porque seriam influenciadas.

— Ensina a criança o caminho onde ela se deve andar e ela vai andar por ele. A pessoa não nasce gay, ninguém nasce gay. Não existe gênero, existe sexo. Você nasce homem ou mulher e o que vai te definir por isso é o que você tem entre as pernas — argumentou o pastor utilizando modelos de tomadas de energia elétrica para exemplificar o que seria homem e mulher para ele, “encaixa e não encaixa, aqui entra e nada sai”.

— O amor sexual entre dois homens é um fenômeno de comportamento, gays são um fenômeno de comportamento — encerrou Marco Feliciano.

Boicote

O pastor promoveu um boicote à Natura, patrocinadora oficial da novela Babilônia em 2015, exibida pela Globo, por exibir um beijo entre as atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg logo no primeiro capítulo.

— Um beijo gay não precisa entrar na casa de um brasileiro, sendo que aquela emissora é paga com dinheiro público. Senhoras podem ser lésbicas, mas não precisam mostrar isso pra todo mundo, não precisa ficar se esfregando, não precisa ficar transando no meio da rua — enfatizou Feliciano.

O deputado revelou que não assiste a novelas, mas que foi alertado pela revista VEJA, que entrou em contato questionando sobre o seu posicionamento sobre o beijo gay exibido na novela.
Marco Feliciano encerra a entrevista afirmando que a homofobia não pode ser criminalizada, já que em sua opinião a “não aceitação” de homossexuais seria uma “liberdade de pensamento, que não pode virar crime”.

Assista ao debate dos dois:

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