Thaisa Galvão

9 de março de 2020 às 16:45

Fátima, Bolsonaro e a mudança de discursos seguindo a liturgia dos cargos [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Cada cargo com sua liturgia.

A governadora Fátima Bezerra é acusada, pela oposição, de ser contra a reforma da Previdência quando era senadora, e de ter mudado o discurso como governadora, fazendo a reforma no Estado.

Todo mundo sabe que todo mundo sabe que uma coisa é o político estar no legislativo e outra coisa é estar no Executivo.

O legislativo cobra, quer ver pronto, quer pressa…independente de quem e como vai ser feito. E se vai ser feito.

Já no Executivo tem que dar conta e prestar contas.

É assim com Fátima, é assim com Jair Bolaonaro, hoje presidente, antes deputado.

Quando deputado, Bolsonaro defendia o orçamento impositivo, que foi aprovado no final do ano passado, garantindo a cada deputado e senador, como emenda individual, o calor de 16 milhões de reais por ano.

O projeto defendido pelo deputado Bolsonaro, foi aprovado já com Bolsonaro presidente.

E em vez de receber 16 milhões por ano para emendas do seu mandato, terá que pagar 16 milhões a cada gabinete de deputado e senador.

A liturgia do cargo mudou e o discurso, claro, mudou junto.

A oposição que faz de conta que nada entende sobre liturgia de cargo, poderia dizer que o discurso de Bolsonaro era um e agora é outro.

O fato é que a liturgia do cargo obriga o mandatário a mudar o discurso.

Puxando para outro exemplo bem potiguar.

Como presidente da Assembleia Legislativa, o então deputado Robinson Faria trabalhou para aprovar, e aprovou, implantação de cargos e salários de servidores públicos, garantindo reajustes a várias categorias.

Porém, como governador, não conseguiu pagar a conta fechada, lá atrás.

O presidente do legislativo acabou aprovando o que não seria interessante para o Executivo, sem imaginar que a conta chegaria no seu colo.

Daí Bolsonaro hoje ter trabalhado para vetar o trecho do orçamento impositivo que ele tanto defendeu.

Portanto, cabe à classe política não enrolar a cabeça do eleitor, e sim fazê-lo entender que ao mudar de cargo, o político muitas vezes é obrigado a mudar de discurso.

Como aconteceu com Fátima, Bolsonaro, Robinson…ou qualquer outro que saiu do Legislativo para o Executivo.

A proposta sancionada no fim do ano aumenta o poder dos parlamentares para indicar gastos públicos, mas algumas regras foram vetadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

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