Thaisa Galvão

8 de fevereiro de 2021 às 10:06

Mãe Luíza: o bairro das tragédias anunciadas [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Triste Mãe Luíza.

Por que o bairro de Natal que tem um dos nomes mais bonitos, é sempre o mais sofrido?

Em dias de chuva forte, sempre o mais castigado.

O registro de desabrigados e abandonados pelo poder público vem de anos seguidos.

Todo jornalista que atuou em redações em Natal pelo menos nas últimas 4 décadas, um dia recebeu como pauta, a cobertura de uma tragédia em Mãe Luíza.

Sempre anunciada.

Até a explosão de um botijão de gás em uma casa de Mãe Luíza ganha proporções gigantes.

Tudo porque no bairro com décadas de abandono, morar é um estado de humilhação.

Em Mãe Luíza, é comum – mas não deveria ser normal – se morar na beira de abismos ou em imóveis que valem por 4, como o ponto de mais uma tragédia que terminou em 4 mortes na madrugada deste domingo.

O botijão que explodiu em uma moradia, jogou pelos ares não uma, mas 5 moradias. Quatro compartilhadas e uma vizinha.

Foram quatro vidas.

No bairro com nome de Mãe, quatro mulheres foram as vítimas da vez. Mãe e filha foram juntas. Vítimas das tragédias anunciadas há décadas.

A última tragédia com saldo negativo de vida, aconteceu em 2014.

E pelas fotos da visita de um tal ministro de Integração Nacional, com presença de presidente da Câmara dos Deputados, da governadora do estado e do prefeito da capital, a conclusão de todos era a mesma: Mãe Luíza nunca mais seria a mesma.

Ministro Francisco Teixeira, presidente da Câmara Henrique Alves, governadora Rosalba Ciarlini e prefeito Carlos Eduardo Alves: promessa pouca é bobagem

O bairro, visto por tanta gente poderosa com promessas e soluções na ponta da língua, jamais iria registrar uma tragédia como a deste domingo, que foi potencializada exatamente porque o bairro só foi alvo de uma ação de marketing político naquele dia.

Que o dinheiro do tal ministro serviu apenas para o prefeito construir uma escadaria em forma de cartão postal na rua onde ele próprio morava, para o presidente da Câmara garantir sua candidatura a governador, para a governadora tentar fortalecer sua ainda possível candidatura à reeleição.

O tempo passou.

Ninguém sabe por onde anda Francisco Teixeira, o tal ministro da Integração do governo Dilma Roussef…

O presidente da Câmara Henrique Alves não se elegeu governador e depois foi alvo de operações da lava jato…

A governadora Rosalba Ciarlini não conseguiu legenda para disputar a reeleição…

E o prefeito Carlos Eduardo Alves construiu a bela escada quase ao lado do seu prédio, mas não concretizou as ações necessárias para o bairro visto por ele sempre da área de serviço do seu apartamento.

Moradores de Mãe Luíza perderam casas, se cadastraram num programa de aluguel social onde a Prefeitura atrasava os pagamentos, e muitos continuaram vivendo em amontoados, como as famílias, quatro famílias, que se dividiam em um imóvel que valia por 4, jogado pelos ares neste domingo.

Mãe Luíza continua pedindo socorro. E ainda precisando de uma ação definitiva.

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