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30 de abril de 2021 às 13:32

Crusoé inclui potiguares Rogério Marinho e Fábio Faria entre auxiliares do governo que se beneficiam de estrutura paga com dinheiro público para fazer campanha

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A revista Crusoé dessa semana, os gastos públicos para pagar campanhas políticas do presidente Bolsonaro, candidato à reeleição, e de ministros mais próximos que disputam cargos em seus estados.

Do Rio Grande do Norte, citados Rogério Marinho e Fábio Faria.

Rogério mais uma vez citado na mídia nacional como candidato a governador.

Fábio segue articulando junto à mídia dominada financeiramente pelo ministério que ele ocupa, como possível vice nq chapa de Bolsonaro.

O bolsonarismo surgiu e ascendeu ao topo do poder de maneira relâmpago. Ainda como deputado federal do baixo clero, Jair Bolsonaro levou apenas quatro anos para se notabilizar e garantir influência e capilaridade suficientes não somente para ganhar o Planalto, mas também para eleger aliados pelo Brasil afora. Em 2022, ele quer consolidar seu projeto político. A julgar pelas derrotas anedóticas de seus apadrinhados nas últimas eleições municipais, não será fácil.

Sem tempo a perder, e tentando evitar a repetição dos resultados ruins do ano passado, o presidente colocou a campanha nas ruas – a dele e a dos mais fieis integrantes do alto escalão. Trata-se de uma via de mão dupla.

Enquanto ele próprio se beneficia de uma tropa de choque incumbida de defender o legado bolsonarista e pregar a polarização, ministros aproveitam-se do aparato estatal e da popularidade do chefe, ainda que ela esteja em decadência, para impulsionar seus próprios nomes.

A agenda de Bolsonaro e de seus homens de confiança inclui um encorpado cronograma de viagens semanais, bancadas pelos cofres públicos, para inaugurações, visitas a obras e entregas de moradias populares. Os eventos são usualmente marcados pela claque do Planalto, que, ensandecida, grita os nomes dos presentes e transborda em elogios ao governo federal. O périplo dos ministros-candidatos pelo país ignora o recrudescimento da pandemia, que matou 400 mil brasileiros em pouco mais de um ano, e é usualmente registrado nas redes sociais.

As possíveis candidaturas, antes tratadas apenas nos bastidores, foram admitidas perante os holofotes pelo próprio presidente da República. Só elogios a Tarcísio de Freitas, Bolsonaro sugeriu que o ministro da Infraestrutura pode concorrer ao governo de São Paulo – o estado é comandado por João Doria, seu rival.

“Quem sabe São Paulo adote o Tarcísio para o ano que vem?’, disse Bolsonaro, entre risadas. Na Esplanada, o nome de Tarcísio é aventado também como uma opção para o posto de vice na chapa de Bolsonaro.

O presidente fez o comentário após uma viagem a Feira de Santana, na Bahia. Ele, Tarcísio e um grupo de deputados voaram em um jato da FAB, a Força Aérea Brasileira, para participar da cerimônia de entrega de um trecho de parcos 22 quilômetros de duplicação da BR-101.

A extensão da pista inaugurada é igual à distância entre o Palácio da Alvorada, onde vive o presidente, e o Aeroporto de Brasília. Do palanque montado para o evento, Tarcísio, cada vez mais tarimbado nos gestos típicos da política, fez questão de mencionar os nomes de todos os políticos presentes e se derreteu em elogios ao seu feito.

“São 22 quilômetros que vão diminuir o tempo de viagem, que vão ajudar às pessoas e reduzir o número de acidentes”, disse o ministro, apelidado pelo chefe de “O homem do asfalto”.

A FAB não informa os custos de seus voos por considerar essas informações “estratégicas’. Crusoé, no entanto, fez a cotação do trajeto Brasilia-Feira de Santana junto a duas empresas de taxi aéreo. A opção mais em conta estima um gasto de 234,2 mil reais para a operação de um avião com capacidade para doze pessoas. O valor inclui as viagens de ida e volta – cada uma com duração de 1 hora e 37 minutos no ar.

Em franca campanha, Tarcísio cumpriu compromissos fora de Brasília em pelo menos 33 dias entre junho de 2020 e 29 de abril deste ano, segundo sua agenda oficial. O ministro realiza a maior parte dos trajetos em voos comerciais, com notas pagas pelo governo. As passagens emitidas junto a empresas de transporte aéreo totalizam 10,7 mil reais, segundo informa o Portal da Transparência. Não há como precisar os custos das viagens realizadas em aviões da FAB, como a de quarta-feira, quando o ministro embarcou para participar da inauguração da Avenida Portuária do Rio.

Com gabinete a 800 metros de distância do de Tarcísio, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, também nutre pretensões eleitorais. Benquisto por Jair Bolsonaro o ex-deputado planeja concorrer ao governo do Rio Grande do Norte em 2022. Entre junho do ano passado e este mês, Marinho viajou 48 dias pelo Brasil. Sua andança custou 93,7 mil reais aos cofres públicos apenas em voos comerciais – afora esse valor, há ainda o custo, bem mais alto, daqueles realizados nas asas da FAB.

No governo federal, Rogério Marinho comanda programas estratégicos, como o “Casa Verde e Amarela’, substituto do “Minha Casa, Minha Vida’, e projetos de irrigação. A ele, Bolsonaro deu o apelido igualmente carinhoso de Aquaman. Chefe de um dos ministérios de maior potencial eleitoral, ele trabalha em rota de colisão com Paulo Guedes, que já o rotulou com epitetos como “gastador” e “fura teto”.

Bolsonaro, no entanto, jamais deixou o pupilo na chuva e faz questão de reforçar seu nome sempre que pode. Certa vez, após um embate entre os dois integrantes do alto escalão, o presidente chegou a afirmar que “ninguém viu um ministro do Desenvolvimento Regional (melhor) do que Rogério Marinho, um homem que vive pelo Brasil todo, mais especial no Nordeste’.

Enquanto pavimenta seus próprios planos, Marinho também prepara o terreno para as principais vitrines eleitorais de Bolsonaro. Coube a ele, no ano passado, traçar estratégias para a conquista do Nordeste, um tradicional reduto petista. Se nem todas as viagens são para os estados onde pretendem se candidatar, as agendas dos ministros-candidatos são fartamente exploradas nas redes sociais do governo e deles próprios. A ordem é sempre apresentá-los no figurino proposto por Bolsonaro, o de bons executores de obras.

0 time de “ministros candidatáveis conta ainda com Onyx Lorenzoni e Fábio Faria. Licenciados dos mandatos de deputados, os dois despacham do Planalto e são considerados muito próximos a Jair Bolsonaro. Genro de Sílvio Santos, Faria foi empossado em junho de 2020, quando Bolsonaro recriou o Ministério das Comunicações. Sob seu guarda-chuva, estão os Correios e a Telebras, além da área de imprensa e propaganda do governo federal.

Desde que deixou o Congresso, Faria ganhou notoriedade. Ativo defensor do presidente nas redes sociais, o ministro foi agraciado com uma sala no segundo andar do Planalto, de onde despacha com frequência, embora tenha seu próprio espaço no bloco E da Esplanada, e teve as atribuições ampliadas. À frente do projeto do leilão do 5G, chefiou uma missão na Europa e na China e, aproveitando a passagem pelo gigante asiático, intercedeu pela liberação de vacinas e insumos. Alem disso, o próprio Planalto admitiu a escalaçâo do ministro para as tratativas com a Embaixada da China, após o então chanceler Ernesto Araújo queimar pontes com os chineses. Com bom trânsito no Congresso e no empresariado, Faria conquistou prestígio e aparece também como uma das opções para assumir a posição de vice na chapa de Bolsonaro.

O perfil do ministro das Comunicações é similar ao de Lorenzoni, que comandou o Ministério da Cidadania, responsável pelo auxílio emergencial, entre fevereiro de 2020 e 2021. 0 hoje ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência se amolda sempre a Bolsonaro. Em recentes discursos, resgatou a narrativa de que ‘vida e economia’ caminham juntas, criticou o ‘lockdown’ e pregou o ‘tratamento precoce’, tal como o presidente. Cotado para a disputa do governo do Rio Grande do Sul, Lorenzoni deve turbinar ainda mais a agenda de viagens. Entre junho de 2020 e este mês, ele cumpriu compromissos fora de Brasília em 29 oportunidades — desse total, doze dias foram gastos com compromissos em seu estado-natal.

Experimentados nas urnas, Tereza Cristina, da Agricultura, João Roma, da Cidadania, e Flávia Arruda, da Secretaria de Governo, são outros nomes postos à mesa para completar a tropa de choque de Bolsonaro nas eleições de 2022. Todos tendem a fazer um número maior de viagens ao lado do presidente, que já cobrou do alto escalão a ampliação do cronograma de entregas. Na mira da CPI da Covid e com Lula de volta à corrida presidencial, Bolsonaro nunca precisou tanto de palanques eleitorais. A fatura de seu projeto político, que jnclui a eleição dos auxiliares mais próximos, fica com o pagador de impostos, como sempre ocorreu no Brasil.

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Do Blog – O ministro Fábio Faria é o segundo potiguar a ter o nome amplamente divulgado como possível candidato a vice-presidente da República.

O outro foi Henrique Alves, que assim como Fábio, era deputado federal.

O nome de Henrique foi cotado para ser vice na chapa do então presidenciável José Serra. Mas aí rolou aquela capa da revista IstoÉ onde a ex-esposa de Henrique, Mônica Azambuja Alves, teria denunciado a existência de contas não declaradas de Henrique em bancos da Suíça.

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