Thaisa Galvão

8 de junho de 2021 às 18:20

Mentira espalhada por Bolsonaro foi combinada com auditor do TCU que incluiu texto fake no sistema. Auditor terá sigilo quebrado e vai depor na CPI [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Eita que a mentira de Jair Bolsonaro, usando um dado não existente no Tribunal de Contas da União, levantou uma crise – mais uma – sem precedentes.

É que foi descoberto que o auditor que inseriu no sistema, em pleno domingo, a informação de que metade dos mortos por covid no Brasil teriam morrido de outras doenças, é amigo dos filhos de Bolsonaro.

Na sessão da CPI desta terça-feira ficou definido que o tal auditor será convocado para depor, e mais, nesta quarta-feira, além da convocação dele, já será votada a quebra de sigilo de dados e de telefone do auditor.

Veja reportagem da Crusoé que mostra o print da tela do computador com o relatório fake que foi espalhado por Bolsonaro e desmentido pelo TCU.

Um relatório, que como disse Bolsonaro, “só jornalista não vai entender”, disse Bolsonaro, como sempre criticando profissionais de imprensa.

Porque ele mesmo sabe, apesar de não admitir, que jornalismo sério trabalha com verdade, e não vai entender nunquinha as mentiras do Planalto.

Deixa isso para os 3 “jornalistas” amigos de Bolsonaro. Aqueles 3 ou muito mais que ele confia em soltar a mentira e eles espalharem.

Às 18h39 do domingo, 6, o auditor do TCU Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques acessou o sistema interno do tribunal e incluiu um documento não oficial com informações distorcidas sobre a possibilidade de supernotificação de casos de Covid-19 no Brasil.

Crusoé teve acesso ao print da tela do sistema do TCU que registra o acesso do auditor e comprova a criação do documento – em formato PDF e em papel não timbrado – intitulado “Da possível supernotificação de óbitos causados por Covid”.

O servidor atua na Secretaria de Controle Externo do TCU da Saúde e mora em Jundiaí.

O acesso e a inclusão do material – cuja autoria já foi negada pelo próprio TCU ocorreram horas antes de o presidente Jair Bolsonaro, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, na segunda-feira, 7, dizer que um relatório da corte de contas, que ainda não havia sido divulgado, mostraria que metade das mortes por Covid registradas no ano passado, na verdade, tiveram outras causas.

“O relatório final, que não é conclusivo, disse que em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid, segundo o Tribunal de Contas da União. Esse relatório saiu há alguns dias. Logicamente que a imprensa não vai divulgar. Já passei para três jornalistas com quem eu converso e devo divulgar hoje à tarde. Está muito bem fundamentado, todo mundo vai entender, só jornalista não vai entender”, afirmou o presidente.

O documento adicionado por Alexandre Silva ao sistema do TCU já quase na noite de domingo, 6, ao qual Crusoé também teve acesso (leia a íntegra abaixo), diz que “segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, 94.949 pessoas morreram no ano de 2020 devido a Covid-19. Tais dados foram coligidos a partir das informações fornecidas pelas Secretarias Estaduais de Saúde. Ocorre que tais dados podem estar superdimensionados“.

Com base numa oscilação da variação média de óbitos entre 2019 e 2020, o texto afirma que “isso pode ser um indício de que a pandemia causou efetivamente cerca de 80 mil óbitos em 2020, 47% dos quase 95 mil óbitos registrados pelas Secretarias Estaduais de Saúde como decorrentes da Covid-19. Os outros 15 mil óbitos apontados como consequências da pandemia podem ter, na verdade, outras causas mortis“.

O próprio TCU negou nesta terça-feira, 8, ter produzido qualquer documento que mostre que cerca de metade dos óbitos registrados por Covid no país em 2020 não ocorreu pelo novo coronavírus, reforçando uma nota divulgada pelo tribunal na segunda-feira, 7.

Hoje, em nova conversa com apoiadores no Alvorada, Bolsonaro reconheceu que “errou” ao dizer que um relatório do TCU apontava que 50% das vítimas de Covid no Brasil em 2020 morreram por outras causas. Disse ainda que a tabela na qual se baseou para fazer a afirmação foi produzida pelo próprio governo com base em um documento do TCU.

“O TCU está certo. Eu errei quando falei tabela. O certo é acórdão. Tabela quem fez fui eu, não foi o TCU. Então, o TCU acertou em falar que a tabela não é deles. A imprensa usa para falar que eu fui desmentido. Mas, não tem problema.”

No entanto, o acórdão ao qual Bolsonaro se refere fala apenas que “utilizar a incidência de Covid-19 como critério para transferência de recursos, com base em dados declarados pelas Secretarias Estaduais de Saúde, pode incentivar a supernotificação do número de casos da doença, devendo, na medida do possível, serem confirmados os dados apresentados pelos entes subnacionais”.

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