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14 de novembro de 2021 às 12:48

Fim do PL

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Quando o PL tinha tudo para tirar Bolsonaro e suas “pautas” negacionistas, anti-vida, anti-saúde, anti-gente, anti-social, anti-minorias da jogada, eis que o partido se entrega ao bolsonarismo e, por um fundo partidário milionário, travestido de crescimento da legenda, está prestes a assistir Bolsonaro acabar com o PL.

Isso mesmo.

O PL se entregou a Bolsonaro para tê-lo no partido, ver aumentar a bancada na Câmara e Senado, e com isso, o já polpudo fundo milionário.

Achava que tinha dado o golpe, até que…

Lá em Dubai, Bolsonaro dá entrevista anunciando que o casamento com o partido de Vademar Costa Neto não tem nada de certo e que a filiação marcada para o dia 22, número do PL, pode não acontecer.

Bolsonaro quer tratar de “pautas conservadoras” com Vademar.

Sentindo-se o rei da cocada do PL, Bolsonaro que enfiar no PL temas que sempre estiveram fora da pauta da legenda, desfigurando completamente o Partido Liberal. Que sob o comando de Bolsonaro, mesmo presidido por Valdemar, passa a não ser o Liberal que prega.

Deus acima de tudo: lembrando que Deus sempre esteve no meio de todos, nunca acima. Acima se todos, só o deus de Bolsonaro, o que não o fez pelo menos tentar minimizar os efeitos de uma pandemia que matou mais de 600 mil pessoas, negando vacina e os cuidados para não disseminar a doença. Sem falar nas receitas recomendadas por ele como garoto-propaganda, de medicamentos produzidos pelo Exército e por uma empresa que financiava publicações, mas sem eficácia comprovada pela Organização Mundial de Saúde. Eficácia apenas financeira.

Família: lembrando que Bolsonaro tenta imprimir um modelo de família que ele desconhece. Constituiu 3, todas com suas peculiaridades como comando de rachadinha (a primeira), compra de imóveis com dinheiro vivo, denúncia de roubo de cofre e chifre anunciado (a segunda), e envolvimento do nome no caso Queiroz (a terceira). Sem falar que os filhos da primeira não se relacionam com o filho da segunda, que não frequenta a casa da terceira. Com esse resumo, Família não é, não pode e não deve ser uma pauta a merecer respeito na visão do presidente.

Pátria: a de Bolsonaro é a que foi ocupada pelos amigos militares visando um golpe em instituições como o STF. É a que abriga seus filhos em mandatos em diversas casas legislativas. É a que foi esfacelada sob promessas de fim de inflação, de preços populares para o botijão de gás e da gasolina, e sob a realidade de que, só os mais abastados podem comer carne. Detalhe para a picanha de 1.800 reais o quilo, da cozinha do Palácio da Alvorada. Paga com dinheiro público, claro.

Portanto, é essa a pauta que Bolsonaro quer imprimir ao PL, daí dizer que ainda precisa conversar muito com Valdemar da Costa Neto, como mostra O Globo na manhã deste domingo.

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo que ainda tem “muita coisa a conversar” com o ex-deputado Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido ao qual Bolsonaro estuda se filiar. Bolsonaro disse considerar “difícil” que a filiação ocorra no dia 22, como foi anunciado por Valdemar.

Bolsonaro e Valdemar reuniram-se no Palácio do Planalto na quarta-feira. Após o encontro, o presidente da legenda afirmou que a filiação estava definida e que uma cerimônia seria realizada no dia 22 de novembro, em Brasília.

Agora, no entanto, Bolsonaro disse que a entrada no partido ainda não está definida:

“Quer saber a data da criança se eu nem casei ainda? Que data vai nascer a criança. Tem muita coisa a conversar com o Valdemar”, disse o presidente, durante visita a uma feira de aviação em Dubai, de acordo com o portal G1.

De acordo com Bolsonaro, o “casamento” pode “atrasar um pouco”:

“Eu acho difícil essa data de 22. Tenho conversado com ele, e estamos em comum acordo que podemos atrasar um pouco esse casamento para que ele não comece sendo muito igual os outros. Não queremos isso. Entre as questões a serem definidas estão “pautas conservadoras” e política externa:

“Temos muitas coisas a acertar ainda. Por exemplo; o discurso meu e do Valdemar nas questões das pautas conservadoras, nas questões de interesse nacional, na política de relações exteriores”.

Outro ponto que Bolsonaro disse que “não vai aceitar” é o apoio a um candidato do PSDB em São Paulo. O PL pretende apoiar a candidatura do vice-governador, Rodrigo Garcia, filiado ao partido:

“A gente não vai aceitar, por exemplo, São Paulo apoiar alguém do PSDB”.

Chance de 99,9%

Na quarta-feira, antes do encontro com Valdemar, o presidente havia dito que a chance de entrar no partido era de 99,9%, mas que ainda faltava definir o palanque em São Paulo.

“Hoje vou conversar com Valdemar Costa Neto e acho que devemos bater o martelo. Só tem um pequeno detalhe que envolve São Paulo, que tem 30 milhões de eleitores, é o segundo maior PIB do país, depois da União. Se eu vier a disputar a reeleição, quero ter candidato ao governo de São Paulo, ao Senado e uma bancada de indicados (ao Congresso Nacional). Falta acertar esse pequeno detalhe com o Valdemar, que acredito que acerte hoje”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro está sem partido desde novembro de 2019, quando deixou o PSL, legenda pela qual foi eleito. Nos últimos meses, além do PL, ele também vinha conversando com PP e Republicanos. As três siglas fazem parte do bloco conhecido como Centrão.

Valdemar Costa Neto foi condenado a sete anos e dez meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito do esquema do mensalão.

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Do Blog: Bolsonaro já tinha aceitado o apoio do PL ao vice-governador de São Paulo em 2022. Sentiu-se desmoralizado e, como acontece sempre, voltou atrás na sua posição, provando mais uma vez que, o que ele diz, não se escreve.

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