Thaisa Galvão

17 de setembro de 2011 às 12:28

Danilo Bezerra: o orgulho do Rio Grande do Norte que o Rio Grande do Norte ainda desconhece [19] Comentários | Deixe seu comentário.

Ele tem 17 anos e mora no Sítio Três Altos, a 5 quilômetros do centro da cidade de Almino Afonso, no Oeste do Rio Grande do Norte, onde cursa o terceiro ano numa escola da rede estadual de ensino.
Filho de Francisco Vicente Vieira, analfabeto e sem trabalho, e de Mara Núbia Bezerra, dona de casa e sem muito estudo, Danilo Bezerra Vieira é um exemplo raro de brasileiro que os setores da Educação desconhecem.
Sozinho, o menino que tem como ídolo Juscelino Kubistchek, construiu um pedaço de um sonho que ainda tem muito a ser erguido. Juntou os livros que tinha em casa e na sala sem reboco de sua casa simples, montou uma biblioteca.
Sem apoio e provando que muitas vezes vale a força própria para ganhar o reconhecimento, Danilo não precisou de prefeito, governador…mas de seu esforço e talento para chegar a Brasília como vencedor de um concurso de redação. Tema: Juscelino Kubistcheck.
Foi destaque no Senado, que hoje lhe é devedor. Ainda não entregou o notebook que ele ganhou por ter vencido o concurso.
Na semana passada voltou a Brasília. Foi a convite do IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada, que na festa de 47 anos de fundação, exibiu um documentário onde um dos personagens é Danilo.
O menino que orgulha o Rio Grande do Norte, mas que o Rio Grande do Norte ainda desconhece, é o entrevistado de hoje do quadro Fim de Semana.
Thaisa Galvão – Como surgiu a ideia da Biblioteca e por que a homenagem a Juscelino Kubistchek?
Danilo Bezerra – Surgiu do interesse em tornar acessível à comunidade um acervo de livros que tinha. O conhecimento deve estar aberto a todos. Eu homenageei o JK por que sou admirador deste homem público, sei de toda sua vida, e faço um paradoxo da construção de Brasília com a
biblioteca.
Thaisa Galvão – Você recebeu algum apoio?
Danilo Bezerra – Não. Apenas recebemos livros da Secretaria de Educação Estadual. Fora isso só a comunidade local e órgãos federais.
Thaisa Galvão – Sua biblioteca está localizada na zona rural?
Danilo Bezerra – Sim, a 5 km da sede do município.
Eu homenageei o JK por que sou admirador deste homem público, sei de toda sua vida, e faço um paradoxo da construção de Brasília com a
biblioteca.
Thaisa Galvão – Quantas visitas em média a biblioteca recebe por semana?
Danilo Bezerra – Uma média de 15 a 50 visitas.
Thaisa Galvão – Como foi que o seu trabalho chegou a Brasília?
Danilo Bezerra – Ano passado escrevi a melhor redação do Estado em um concurso de redação do Senado Federal e estive lá. Deu uma visibilidade maior ao meu projeto. Enviei um documento aos órgãos federais contando minha história.
Thaisa Galvão – Você foi a Brasília outra vez, foi recebido no Senado, com direito a discurso? Como foi isso?
Danilo Bezerra – Estive no Senado para conceder uma entrevista e conhecer o senador Pedro Simon, o qual ficou emocionado com meu projeto. Ele citou minha visita na sessão plenária do dia seguinte.

Danilo com a mãe Mara Núbia e o senador Pedro Simon

Thaisa Galvão – Depois disso veio o IPEA que foi a Almino Afonso registrar o seu trabalho para um documentário. Como foram as gravações?
Danilo Bezerra – Quando o Ipea viu um presidente de biblioteca com 17 anos, o instituto viu o potencial e que com a ajuda dada para mim na doação do conhecimento produzido, estava cumprindo sua missão de disseminar o conhecimento. As gravações duraram dois dias, na Escola Estadual Ronald Neo Júnior,onde eu estudo, e na minha casa.
Thaisa Galvão – Na semana passada você voltou a Brasília para o lançamento do documentário?
Danilo Bezerra – Terça (13), na presença do instituto, autoridades, empresários, pesquisadores e universitários participei da exibição e discursei para uma platéia lotada. Acompanhado-me estava minha mãe, Mara Núbia e a secretária estadual de Educação, Betânia Ramalho.
Thaisa Galvão – Pelo que tenho sentido o seu trabalho tem sido mais reconhecido em Brasília do que na sua cidade…
Danilo Bezerra – Infelizmente, as autoridades municipais não deram uma contribuição efetiva para minha obra social.
Thaisa Galvão – Você tem algum objetivo que ainda não tenha alcançado em relação à biblioteca?
Danilo Bezerra –  Sim, quero no futuro poder transformá-la em um instituto de pesquisas sociais para a sociedade e um mecanismo de propagação da cultura e educação no Estado.
Thaisa Galvão – Você espera que tipo de apoio depois do reconhecimento?
Danilo Bezerra – Poder proporcionar uma condição física melhor. A biblioteca é na sala de casa. Não disponho de matérias eletrônicos para a biblioteca. Até ganhei um notebook do Senado ano passado mas não recebi ainda.
Thaisa Galvão – Como fazer para doar livros para a biblioteca JK?
Danilo Bezerra – Os interessados podem entrar em contato através do e-mail dnlbzrr@gmail.com
Thaisa Galvão – Na sua família tem algum educador? Quem são seus pais, o que eles fazem?
Danilo Bezerra – Não. Meu pai é analfabeto, agricultor, mas hoje não trabalha mais devido um acidente de motocicleta. Minha mãe tem o ensino fundamental incompleto, dona de casa. Meus país são os maiores professores que tenho, sou um reflexo dos dois.
Thaisa Galvão – O que você está cursando agora e quais seus planos profissionais?
Danilo Bezerra – Estou no terceiro ano, pretendo realizar o vestibular para dois cursos: Direito e Comunicação Social.

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