Thaisa Galvão

4 de setembro de 2013 às 22:38

Natalense que descobriu estrelas gêmeas do sol vai dar aulas na Universidade de Harvard [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Do Globo Universidade, página hospedada no portal da Rede Globo, entrevista com o natalense doitor em Astrofísica, José Dias do Nascimento, meu amigo Mosquito, com quem tomei muito vinho em Toulouse, na França, quando ele ainda pesquisava as estrelas subgigantes.
Hoje orgulha saber que está se preparando para um período como professor convidado na Universidade de Harvard…

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Astrofísico José Dias fala sobre estrelas gêmeas solares
‘As gêmeas representam o passado, o presente e o futuro do Sol’, destaca

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Compreender os estágios da evolução do Sol parece ser um objetivo distante.
Física e intelectualmente.

Mas não é uma realidade inalcançável. Um grupo de pesquisadores de várias universidades do Brasil é noticia há várias semanas pela descoberta de mais uma estrela “gêmea” do Sol.

O doutor em astrofísica e técnicas espaciais, José Dias do Nascimento, é um deles. Antes de concluir um período de pesquisa na Universidade Paris-Sud e começar outro como professor convidado do Smithsonian Center for Astrophysics (CfA), na Universidade de Harvard, o astrofísico tenta explicar em palavras terrenas o significado dos seus projetos de pesquisa para o Brasil e o mundo.

Globo Universidade – Como surgiu o seu interesse por astronomia?
José Dias do Nascimento – Foi por volta dos 12 anos, quando eu lia a série do Carl Sagan chamada “Cosmos”. O meu pai comprou este livro para mim e, a partir dele, eu comecei a perceber a grandiosidade do universo e da astronomia. O que mais me encantava era a maneira como o Carl Sagan apresentava a conexão que a gente tem com o cosmos. Posso dizer, então, que a série foi a porta de entrada para a astronomia no meu caso.

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GU – Como foi sua formação acadêmica?
JDN – Assim que eu concluí meu curso de Bacharel em Física na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), já fiz o meu mestrado em astrofísica e, em seguida, me candidatei para uma bolsa de doutorado no Observatoire Pic Du Midi, na Université Paul Sabatier, em Toulouse, na França.

No doutorado, me juntei a um grupo de pesquisadores que estudavam a evolução do Sol e das estrelas. Neste mesmo período surgiram várias novidades no campo da astrofísica, sobretudo na astrofísica estelar.
A primeira novidade foi a descoberta dos planetas extra solares e a segunda foi o aparecimento de uma missão francesa chamada CoRoT. Esta missão espacial enviou um satélite para estudar a convecção, a rotação e o trânsito dos planetas, ou seja, a missão tinha como objetivo estudar as alterações do Sol e das estrelas do tipo solar, além de buscar novos planetas.

Então eu passei todo o meu doutorado ouvindo sobre essa missão e quando eu voltei para o Brasil soube que havia aberto uma chamada de projetos. Decidi participar desta chamada, fazendo a sugestão de um destes projetos, que estaria relacionado justamente à busca por estrelas “gêmeas”.

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Como se iniciaram estes estudos?
JDN – Há 30 anos, os pesquisadores franceses J. Hardrop e G. Cayrel de Strobel perceberam que havia a possibilidade de existirem estrelas muito parecidas com o Sol, mas, nessa época, ainda não haviam descoberto nenhuma delas. A partir de então, surgiram vários grupos de pesquisa no mundo todo para encontrar estes objetos similares ao Sol. Foi quando, em 1996, o astrofísico na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Gustavo Porto de Melo, conseguiu observar a estrela 18Scorpion, da constelação de Scorpion, que foi a primeira “gêmea” que apareceu na literatura internacional de astrofísica. Como eu era muito amigo do Gustavo, nós partimos numa busca internacional por outras estrelas “gêmeas”.
Mais ou menos 12 anos depois, eu conheci o professor Jorge Melendez, que estava trabalhando na Universidade do Porto, e foi quando nós começamos a fazer uma busca por “gêmeas”, isso em torno de 2008 ou 2009.

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GU – É destes estudos que vêm essa riqueza de resultados que estamos tendo no Brasil hoje?
JDN – Para se ter uma ideia, nós podemos dizer que o projeto do nosso grupo – ou seja, eu, Jorge Melendez e Gustavo Porto – lidera as pesquisas mundiais em busca de “gêmeas” solares.
Ao longo dos nossos estudos, nós já descobrimos três estrelas: a CoRoT Sol 1, que foi a que nós observamos através do satélite; a 18Scorpions, que o Gustavo descobriu e observou nos anos 1990; e a mais recente é a estrela do Jorge, que ele publicou há poucos dias.
Passaram-se 30 anos e hoje nós temos cerca de cinco estrelas “gêmeas” descobertas com propriedades incrivelmente similares ao nosso Sol, o que é muito pouco, porque nós precisamos de calibradores para entender a evolução do universo e, até agora, só tínhamos o Sol.

Será que o Sol é uma estrela normal ou especial? Quantas estrelas idênticas ao Sol existem? Então essa é a base das nossas pesquisas.

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GU – E o que a descoberta destas cinco estrelas significa para o mundo?
JDN – Elas significam, na realidade, que sistemas muito parecidos com o nosso são possíveis e isso possibilita o abandono da visão heliocêntrica que existe na humanidade até os dias de hoje. Nós não temos apenas um Sol no universo, temos vários. Isso é um ponto importante, porque até o momento falava-se na possibilidade de existirem estrelas similares ao Sol, mas elas nunca haviam sido descobertas. Hoje, porém, nós já temos um grupo de estrelas para ser estudado.
Estas estrelas são importantes porque representam o passado, o presente e o futuro do nosso Sol. A estrela HIP102152 é a “gêmea” mais velha já descoberta e pode nos falar sobre o futuro do Sol. A 18Scorpions é a mais nova e representa o passado. E temos, ainda, a CoRoT Sol 1, que é um pouco mais velha que o Sol também. E nós tomamos o nosso Sol como o presente.
Em uma visão mais didática, podemos comparar a uma pessoa que tivesse irmãos gêmeos de idades diferentes, mas que são completamente iguais.

Ao olhar para o nosso irmão mais novo, podemos ver como nós éramos no passado. E olhando nosso irmão mais velho, poderemos saber como estaremos daqui a alguns anos. Essa, portanto, é a visão evolutiva dos estudos das “gêmeas”.

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GU – E quais são os próximos passos em relação à descoberta da nova estrela “gêmea”?
JDN – Neste momento, nós estamos trabalhando na melhor caracterização destes objetos.

Uma vez que a gente descobre uma “gêmea”, tentamos caracterizá-la da melhor forma possível, ou seja, compreender exatamente qual o seu raio, a sua massa, além de fazer novas observações para ter certeza que nós estamos vendo o que achamos que estamos vendo.

O segundo passo, baseado no meu interesse mais particular, é observar o magnetismo dessas estrelas, porque uma das fontes de extrema dependência entre a Terra e o Sol, além da radiação que recebemos todos os dias, é o campo magnético.

Neste meu projeto particular, que está concentrado lá em Natal, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), já existe um grupo que está desenvolvendo o estudo magnético dessas estrelas. O que eu quero saber é quanto de campo magnético cada uma dessas “gêmeas” têm, quanto de partículas essas estrelas lançam no espaço e quanto de raio-x.

Estes estudos sobre o magnetismo e o fluxo de partículas são extremamente importantes para melhor compreender o início da vida. Então nós fornecemos elementos que vão estar diretamente ligados ao desenvolvimento da vida em cada uma dessas estrelas, se é que tem vida.

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GU – Você já afirmou que a descoberta da nova estrela mostra que a radiação do nosso Sol deve aumentar de forma que a superfície da Terra esquente cada vez mais. O que isso significa para as futuras gerações?
JDN – As estrelas “gêmeas” que nós descobrimos e que têm mais de 2 bilhões de anos representam exatamente como a radiação do nosso astro rei, o Sol, vai estar daqui há 2 bilhões de anos.

É difícil dizer o que estará acontecendo com a Terra nesta época, mas o que a gente sabe é que nós podemos traçar uma linha evolutiva de como a temperatura da Terra vai se comportar devido à própria evolução do Sol. Por exemplo, uma conta muito fácil que a gente costuma fazer, baseado nas reações das estrelas “gêmeas”, é que a radiação do Sol aumentará até um ponto que a Terra não suportará a existência de água no estado líquido.

Isso já mostra a ligação que nós temos com o nosso astro central. Ou seja, para as futuras gerações é importante compreender como a Terra vai evoluir e nós temos 2 bilhões de anos para descobrir.

GU – Há comentários sobre a possibilidade do nosso sistema solar ser bastante parecido com o sistema da estrela “gêmea” do Sol. Quais os indícios que possibilitam este pensamento? Isso indica que podem haver planetas similares à Terra em outros sistemas?
JDN – Existe uma estrela “gêmea” em particular que apresenta um perfil de abundâncias químicas que as outras estrelas não contêm.

O nosso grupo de pesquisa entende que este perfil, com esta determinada composição, é justamente a assinatura dos planetas rochosos. A princípio, os planetas e as estrelas são formados da mesma matéria, mas alguns dos elementos fundamentais para a formação dos planetas são oriundos das estrelas, como se elas doassem parte de sua composição química para a formação dos planetas.

Para você chegar nessa afirmação, porém, é necessário fazer uma observação extremamente robusta através dos telescópios.
Uma das novidades desta estrela “gêmea” é que ela tem um nível de abundância que parece indicar que ela está inserida em um sistema planetário com planetas rochosos, como a Terra por exemplo.

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GU – Em 2010, o Brasil assinou um acordo para aderir ao Observatório Europeu do Sul (ESO), uma das principais organizações de pesquisa em astronomia. A definitiva entrada do país neste grupo ainda depende da aprovação do Congresso, mas o que esta nova parceria significa para a astronomia brasileira?
JDN – Hoje, a astronomia brasileira conta com possibilidade de acesso ao céu do norte, através do telescópio Gemini e CFHT (Canada Hawaii Telescope), que são gerenciados pelo Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). Vale ressaltar a importância do LNA nestas recentes descobertas. No entanto, em relação ao céu do sul, nós ainda não temos nenhum observatório com os instrumentos competitivos e de alta performance como os que o ESO fornece. A entrada do Brasil no ESO, portanto, significa uma grande conquista para as futuras gerações de astrônomos, astrofísicos e astroquímicos brasileiros. Posso dizer que esta é a porta de entrada para o futuro da astronomia, porque não se faz mais astronomia com poucos recursos. O ESO possibilitará aos astrônomos brasileiros o acesso aos mais modernos instrumentos disponíveis. Mas é importante dizer, também, que o Brasil precisa continuar investindo no céu do norte e na observação espacial através de satélites.

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GU – Na sua opinião, qual a importância do apoio das universidades nos processos de pesquisa?
JDN – As universidades desenvolvem um papel fundamental junto aos projetos de pesquisa. A USP e a UFRN, por exemplo, participam deste tipo de descoberta lado a lado com as melhores universidades do mundo, como a Paris-Sud e a Universidade de Harvard, onde eu trabalharei pelos próximos 18 meses, talvez dois anos. Ou seja, vale destacar a importância de uma universidade sólida, com recursos, para que a ciência esteja nesse padrão internacional e traga resultados efetivos.

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GU – E como a participação dos jovens pode ser inserida nesse contexto?
JDN – Os jovens precisam abrir os olhos para as ciências, não só para as astronomia, porque a astronomia é a porta de entrada das ciências. É sempre a partir do telescópio que a gente começa a perceber a beleza da luz, das lentes.

A beleza da própria biologia, geologia, arqueologia…

Hoje o Brasil já possui universidades muito bem estabelecidas, mas ainda precisa de mais profissionais cientistas e engenheiros se quiser dar um passo além no ponto de vista da economia global. A ciência e a tecnologia atuam como os principais componentes que nos aproximam dos países de primeiro mundo, quer dizer, o que nós temos hoje aqui é fruto do desenvolvimento da ciência e da tecnologia ao longo dos últimos séculos.

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4 de setembro de 2013 às 21:52

Governadora Rosalba e ministro Aldo Rebelo visitarão juntos as obras da Arena das Dunas [0] Comentários | Deixe seu comentário.

A governadora Rosalba Ciarlini e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, vão visitar, juntos, as obras da Arena das Dunas.
A visita está marcada para às 10 horas desta sexta-feira.

Terminada a visita, governadora e ministro conversarão com a imprensa.

A obra da Arena das Dunas já está 88,5% concluída.
O estádio de Natal e o Itaquerão, de São Paulo, são as duas obras prometidas para dezembro com os cronogramas mais adiantados do Brasil.

4 de setembro de 2013 às 21:48

Cardápio do almoço de João Maia e Ricardo Motta foi de rompimento a fortalecimento [0] Comentários | Deixe seu comentário.

O Blog apurou com o Chef do almoço na casa do deputado João Maia, em Brasília, onde à mesa sentaram ele e o presidente da Assembleia Legislativa do RN, Ricardo Motta, e descobriu: o cardápio era beeem variado.
Rompimento era apenas a azeitona da empada.
A base do prato era outra…
Bem nutritiva, fortalecedora…

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Rompimento – ou não – crise institucional, gestão, candidaturas, coligações…
O menu degustação foi beeem demorado.

4 de setembro de 2013 às 17:30

Vereador Lairinho Rosado aprova projeto que proíbe agressão musical às mulheres em eventos da Prefeitura de Mossoró [1] Comentários | Deixe seu comentário.

Projeto polêmico aprovado na Câmara de Mossoró.
De autoria do vereador Lairinho Rosado (PSB), o projeto denominado “antibaixaria musical” foi aprovado à unanimidade do plenário.

O projeto proíbe a reprodução de músicas que denigram ou tratem de qualquer forma pejorativa ou ainda incentivem a violência contra a imagem da mulher, em eventos pagos pela Prefeitura.

“Esse projeto visa combater a propagação musical da baixaria e da agressão contra a mulher, o que pode contribuir para uma melhoria da qualidade do repertório”, explicou o vereador

O projeto aprovado pela Câmara agora segue para sanção do poder executivo municipal.

4 de setembro de 2013 às 17:02

Ney Júnior no Procon [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Sondado para ocupar a titularidade da Fundac, Procon ou Sejuc, o ex-vereador Ney Lopes Júnior deverá ser nomeado para o Procon estadual.
Com nomeação nos próximos dias.

Ney chegou a ser prefeito de Natal, nos dois meses em que a capital teve 3 gestores.
Foi o último e passou a faixa ao prefeito eleito Carlos Eduardo.
Deu conta.
Deu nó em pingo d’água para entregar o governo arrumado.
Se mostrou grande.
Mas, mesmo filiado ao DEM, esteve fora do governo do Estado até agora.

Ney Júnior, que é advogado e jornalista, sempre se dedicou, na televisão, a um programa intitulado “Procure seus Direitos”.
A cara do Procon.

4 de setembro de 2013 às 16:53

João Maia recebe Ricardo Motta para almoçar em Brasília [1] Comentários | Deixe seu comentário.

O deputado Federal João Maia (PR) recebeu hoje em sua casa de Brasília, para almoço, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, deputado Ricardo Motta (PMN).

Num café que tomou com João, na última vez que foi a Brasília, Ricardo foi pedir para o PR liberar a desfiliação do deputado Vivaldo Costa do PR.
Tudo resolvido.

Certamente que o cardápio do almoço de hoje foi outro.

O PR deverá romper com o governo Rosalba Ciarlini no mês de outubro.
Como Ricardo trabalha para incluir o PP, do filho vereador Rafael Motta, na coligação proporcional com o PMDB do deputado Henrique Alves, que já rompeu com o governo, e com o PR de João, que vai romper, certamente não ficará na aliança com o governo…

Logo…
Concluindo…
O almoço tinha como prato principal…rompimento.

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A governadora Rosalba Ciarlini também está em Brasília.
Mas não foi convidada para o almoço.
Ou teria sido mais um jogo da verdade?

4 de setembro de 2013 às 16:44

Ex-prefeito de Alto do Rodrigues inelegível por 8 anos [0] Comentários | Deixe seu comentário.

O juiz eleitoral da comarca de Pendências, Marco Antônio Mendes Ribeiro, condenou à inelegibilidade por oito anos, o ex-prefeito de Alto do Rodrigues, Eider Medeiros (PMDB), que foi candidato à reeleição em 2012.
A condenaçãoe se estendeu ao seu candidato a vice-prefeito, Antônio José Bezerra de Souza (PMDB).

O juiz determinou que uma cópia do processo fosse enviada ao Ministério Público Eleitoral para a instauração de processo disciplinar, “se for o caso, e de ação penal”.

4 de setembro de 2013 às 16:36

Fotógrafo Canindé Soares homenageado hoje com título de Cidadão Macauense [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Fotógrafo-parceiro, Canindé Soares recebe hoje, no Teatro Porto de Ama, em Macau, o título de Cidadão Macauense.
A proposição da distinção ao homem das lentes que tão bem retratou Macau, foi de toda a Câmara Municipal, à unanimidade da Casa.
A solenidade terá início às 20 horas, e 24 pessoas serão homenageadas com o título ou com a Comenda 9 de Setembro.
A festa de hoje integra a programação das comemorações pelos 138 anos de emancipação política de Macau.

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4 de setembro de 2013 às 16:27

Deputado Mineiro explica ausência em encontro com ministra do Meio Ambiente [0] Comentários | Deixe seu comentário.

O deputado Fernando Mineiro explicou ao Blog, por e-mail, porque faltou ao encontro com a ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, mesmo tendo sido convidado pelo gabinete da governadora Rosalba Ciarlini.

Ele também relatou como aconteceu o bate-rebate entre ele e a Rosa, ontem, durante evento em Ponta Negra.

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Gostaria de fazer o seguinte esclarecimento sobre a matéria “Governadora Rosalba rebate deputado Mineiro”:

1 – Parabenizei os (as) participantes pela realização da Conferência e disse que a sobre Igualdade Racial havia sido suspensa um dia antes de acontecer e que a das Cidades havia sido adiada;

2 – Pedi à governadora que enviasse à Assembleia Legislativa um projeto sobre coleta e destinação de resíduos sólidos e disse que eu votaria à favor, mesmo ela tendo vetado projeto de minha autoria sobre este tema;

3 – Ela, a governadora Rosalba (DEM), interrompeu minha fala e disse que o veto foi devido à inconstitucionalidade de meu projeto. A responsável pela Conferência das Cidades, que estava no plenário, também me interrompeu e falou que a Conferência não havia sido adiada, mas apenas reduzida a sua duração. Quanto à suspensão da Conferência de Igualdade Racial é fato;

4 – De fato não fui ao almoço com a Governadora e a Ministra do Meio Ambiente. Já que ela tocou no assunto, explico o porquê:

4.1 – Quando a Ministra Isabela veio a Natal para participar do seminário “Motores do Desenvolvimento”, fui convidado pelo seu assessor para um almoço de trabalho entre o Ministério e o Governo do Estado para discutir a implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR). O convite foi feito a mim porque meu mandato realizou uma audiência pública sobre este tema no semestre passado e é um assunto que entendo. Aceitei, de pronto, o convite. Quando soube que o almoço seria na casa da Governadora, comuniquei que não iria por uma razão muito simples: não acho correto tratar assuntos do Estado (a reunião era de trabalho) na casa dos gestores. Além disso, a Fiern ofereceria um almoço aos participantes do seminário. Depois soube que o almoço foi transferido para o Gabinete Civil. Fui posteriormente informado pela Ministra do Meio Ambiente sobre os assuntos tratados no almoço e disse a ela que estou à disposição do Ministério e do Governo do Estado para contribuir com a implantação do Cadastro Ambiental Rural aqui no RN.

É isso. Simples assim.

Att,

Mineiro

4 de setembro de 2013 às 16:14

Apesar do desejo, Governo ainda está longe dos planos de Carlos Eduardo [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Que o prefeito de Natal, Carlos Eduardo, está doidinho para ser candidato a governador, ninguém tem dúvida.
Resta saber o que ele terá que fazer para renunciar à Prefeitura e se eleger, já que corre o risco de ficar sem Governo e sem Prefeitura, caso não seja eleito governador.

Carlos está…tipo…pronto para montar o cavalo que está passando selado.
Mas teme a reação do eleitor.
Afinal de contas, ele tem dito que seu compromisso é com o povo de Natal, e que tem mandato até 2016.
Aliás, a promessa de cumprir o mandato até o fim foi feita tão logo se elegeu prefeito.

E o que falta para Carlos Eduardo criar coragem, renunciar à Prefeitura, e se lancar candidato?
Huummm…

Esperar o PMDB esgotar todas as possibilidades de candidatura própria…e garantir apoio à sua candidatura?

Porque pelo PMDB, como já sonharam o ministro Garibaldi Filho e o deputado Henrique Alves, será impossível.
Estamos a um mês do fim do prazo para filiação, e Carlos, que é presidente do PDT, não tem motivo nenhum para trocar o partido pelo PMDB.
Se fizer, corre o risco de morrer na praia.

Para disputar o governo, Carlos não seria do PMDB, mas precisaria co PMDB.
Mas tudo com base em números e dados. Em pesquisas qualitativas e eleitorais. Ouvindo a voz das ruas.

Por enquanto, administrar Natal.
Lá para janeiro, uma avaliação do quadro atualizado.
Caso o governo esteja longe aos olhos de Carlos, o foco será terminar o mandato e tentar a reeleição.

4 de setembro de 2013 às 12:51

Noite de autógrafos de Débora Seabra terá presença de João Ubaldo Ribeiro [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Primeira professora do Brasil com síndrome de down, Débora Seabra de Moura lança amanhã, o livro “Débora Conta Histórias”.
A sessão de autógrafos, a partir das 19 horas no Solar Bela Vista, vmcontará com a presença do escritor João Ubaldo Ribeiro, que assina o prefácio do livro.
Ubaldo desembarca agora no começo da tarde em Natal.

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4 de setembro de 2013 às 11:59

O jantar político de Garibaldi e Carlos Eduardo em Brasília [0] Comentários | Deixe seu comentário.

O prefeito Carlos Eduardo, que vem sendo cotado para disputar o governo do Estado, com apoio do PMDB, jantou ontem em Brasília com o ministro Garibaldi Filho.
Jantar muito proveitoso politicamente, segundo Carlos em seu twitter.
Formaram mesa no Bistrô Expand, o ministro, o prefeito e o chefe da Casa Civil da Prefeitura, Sávio Hackradt.
Ao Blog, Garibaldi confirmou o jantar, mas disse que só Carlos pode falar sobre o que foi conversado.
Todo mundo sabe que todo mundo sabe que Garibaldi defende candidatura própria, do PMDB.
Masss…

Eis o twitter de Carlos sobre o encontro de ontem.

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4 de setembro de 2013 às 11:31

Lígia Torres volta a entregar direção do hospital de São Paulo do Potengi [0] Comentários | Deixe seu comentário.

A médica Lígia Torres, filha do ex-líder político caicoense, Manoel Torres, do PMDB, voltou a entregar o cargo de diretora do hospital regional de São Paulo do Potengi.

Há alguns meses, depois de queda de braço na Secretaria de Saúde, Lígia entregou o cargo e tirou férias.

Na volta, a pedido do deputado Henrique Alves (PMDB), e sob protesto do ministro Garibaldi Filho, Lígia reassumiu o cargo.

Agora, com o rompimento do PMDB com o governo, Lígia pediu novamente para sair.

4 de setembro de 2013 às 10:16

Deputado Fábio Dantas no PCdoB [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Como o Blog informou, no primeiro café da manhã do deputado Fábio Dantas com o presidente do PCdoB, Antenor Roberto, Fábio, que deixou o PHS, vai se filiar ao partido comunista.

“Comunismo é o bem comum”, garante Fábio, que vai se filiar ao novo partido no dia 19, em solenidade na Assembleia Legislativa.

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4 de setembro de 2013 às 8:17

Mais um deputado na cadeia [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Da Folha:

Valdemar Costa Neto, deputado condenado no mensalão, diz que pagará ‘dívida’ na prisão

FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

O deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado no processo do mensalão, se prepara para cumprir a pena numa cela em Brasília. Já está desocupando o apartamento funcional cedido pela Câmara. Alugou um flat na capital da República. Concluirá essa transição na semana que vem e ficará pronto para “pagar essa dívida com a sociedade”.

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Condenado pelo STF a 7 anos e 10 meses de prisão e multa de R$ 1,1 milhão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Valdemar terá o benefício do regime semiaberto: entrará na cadeia às 18h e pode sair às 6h da manhã do dia seguinte para trabalhar.

O deputado acaba de completar 64 anos. Ficará nove anos privado dos seus direitos de se candidatar novamente. Se desejar, só poderá voltar a vida partidária plena aos 73 anos, em 2022.

Em entrevista ao programa Poder e Política, da Folha e do UOL, mostrou-se resignado. Quando deixará o cargo de dirigente do PR? “Logo que eu tenha que começar a cumprir a pena. Saio da secretaria-geral e já começo a trabalhar na área administrativa do partido”. Ele é o primeiro mensaleiro a falar de maneira direta sobre como será sua rotina de presidiário.

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Na atual fase do julgamento do mensalão, os recursos de Valdemar foram rejeitados por unanimidade. Ele queria ser equiparado ao marqueteiro Duda Mendonça, que fez a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.

Duda recebeu dinheiro do mensalão, mas o STF o absolveu por considerá-lo um profissional que vendia legitimamente serviços -e que, depois de descoberto, pagou os impostos sobre o dinheiro recebido.

“Nós tínhamos um acordo PT-PL. Fizemos um caixa de campanha de R$ 40 milhões. Isso foi público. Está aqui a Folha de S.Paulo [mostrando e lendo reprodução de reportagem no jornal, de 2002, que noticiou o acerto]: ‘PL diz que vai participar de caixa de campanha do PT’. Não foi nada escondido. Nós tínhamos R$ 10 milhões e o PT R$ 30 milhões”, diz Valdemar.

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“Como o Duda prestou o serviço dele, nós fizemos um acordo. Nós somos um partido político. Tem a mesma característica da empresa do Duda”, argumenta. Deu tudo errado. O STF rejeitou a tese por considerar que o deputado do PR “comercializou a sua função pública”, na qualidade de presidente e líder de um partido na Câmara.

Esta foi a primeira entrevista de Valdemar em muitos anos depois da eclosão do mensalão, em 2005. Um pouco abatido, ele agora espera apenas o momento de cumprir sua pena, pois não tem mais esperança de apresentar com sucesso algum recurso. Tampouco pode tentar apresentar os chamados embargos infringentes, pois ao ser condenado nunca chegou a ter pelo menos quatro votos a seu favor.

O antigo e loquaz deputado Valdemar Costa Neto só ressurge na entrevista quando ele começa um destampatório contra o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, que também foi o relator do processo do mensalão.

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“É um recalcado, um desequilibrado, um homem sem educação (…) É um homem que bate em mulher [referindo-se a uma suposta agressão à ex-mulher] (…) Não tem qualificação para o cargo. Ele compra um apartamento em Miami. Você já viu um ministro do Supremo ter apartamento em Miami? Não tem nada ilegal nisso aí, agora, criar uma empresa lá fora? A lei está aqui, ele não pode ter empresa. Ele pode ser cotista de empresa”.

O deputado se refere à compra, revelada pela Folha, de um imóvel pelo ministro por meio de uma empresa criada para obter eventual benefício tributário.

Avisada do inteiro teor das declarações de Valdemar, a assessoria de Joaquim Barbosa disse que o ministro respondeu com uma frase: “Não vou polemizar com réu condenado”. A assessoria também informou que o deputado usou na entrevista uma informação incorreta divulgada em sites na internet, sobre o magistrado ter recebido dinheiro indevido da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, sem dar aula -o que não seria verdadeiro.

A força de petistas ilustres para influir na nomeação de ministros do STF também foi analisada por Valdemar. “O PT nunca discutiu isso comigo”, diz ele. Por quê? “Para eu não pedir para eles. Porque se já estavam pedindo para eles, não podiam chegar e [dizer]: ‘Ó, me resolve o caso do Valdemar também’. Eu não tinha acesso aos ministros”.

Por enquanto, Valdemar Costa Neto não sabe se vai renunciar ao mandato de deputado quando for à prisão.

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A seguir, trechos da entrevista:

Folha/UOL – O sr. foi condenado pelo STF a 7 anos e 10 meses de prisão e multa de R$ 1,1 milhão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Apresentou recursos, que foram rejeitados por unanimidade. O sr. ainda pretende apresentar mais recursos e se considera inocente?
Valdemar Costa Neto: Não. Nós cometemos um crime eleitoral de caixa 2. Vamos ter que pagar por isso. Temos que cumprir o nosso dever com a sociedade. Acontece que os crimes foram classificados de outra maneira. É difícil para o Supremo também poder fazer um julgamento com uma pressão dessa, porque ficou o bem contra o mal.
Quando estourou o mensalão, como o PT estava envolvido –e o PT sempre foi o partido que tratou da moralidade no Brasil, que combateu a corrupção- aquilo chocou a opinião pública. A repercussão daquilo foi mundial. Ficou muito difícil para que um juiz, um ministro do Supremo, tocasse aquilo com tranquilidade.
O único problema nosso é que o processo demorou demais. Estamos sofrendo com isso aí. Estamos nessa história há oito anos.

***
O sr. continua achando errado os crimes que lhe foram imputados, corrupção passiva e lavagem de dinheiro?
Foi. Eles consideraram o seguinte: quem pegou dinheiro no mensalão, é lavagem de dinheiro. Não importa. A lei da lavagem é clara. Lavar dinheiro é esquentar dinheiro. Então, quem pegou dinheiro, vamos enquadrar em lavagem.
Eles tomaram essa decisão e vão incluir todos em corrupção ativa ou passiva. No meu caso, passiva.

***
O sr. se considera apenas culpado de crime eleitoral de caixa 2?
Nós cometemos um crime eleitoral, mas a demora do processo fez com que esse crime ficasse prescrito. Então, eles não podiam chegar, na hora do julgamento, em 2012… Depois de 7 anos de denúncia, eles não podiam chegar e falar: “Ó, está todo mundo absolvido. É crime eleitoral e isso está prescrito”.
Eles tiveram que tomar uma providência. E tomaram essa providência que nós não podemos discutir porque é uma decisão do Supremo. Nós temos que cumprir. Nós não devemos discutir.

***

Por isso que o sr., nos recursos, não requereu redução de pena?
Eu não requeri a redução de pena por causa da absolvição do Duda Mendonça [marqueteiro de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002]… Nós tínhamos um acordo. O meu caso era diferente dos outros. Nós tínhamos um acordo PT-PL. Um acordo de eleição. Nós fizemos um caixa de campanha, constituímos um caixa de campanha. Constituímos um caixa de campanha de R$ 40 milhões que nós íamos arrecadar. Isso foi público. Está aqui a Folha de S.Paulo [mostrando exemplar do jornal]. Olha aqui. A Folha de S.Paulo de 2002: “PL diz que vai participar de caixa de campanha do PT”. Não foi nada escondido. Nós íamos ter uma participação de acordo com os deputados que nós tínhamos de R$ 10 milhões e o PT de R$ 30 milhões. Esse caixa foi constituído com ajuda do nosso vice-presidente José Alencar, com os empresários e com a doação dele [José Alencar] também.
Se você me perguntar: “Mas foi errado fazer?” Foi. Eu fiz mal de insistir nisso aí porque, quando veio a verticalização [regra válida em 2002 que obrigava aos partidos terem uma unidade nas alianças eleitorais em todos os níveis], faltava um mês para as convenções. Ninguém mais podia mudar de partido. E nós tínhamos uma situação diferente.

***
Na argumentação do seu recurso na fase do julgamento dos embargos de declaração, o seu argumento era que seu caso guardava similitudes com o do publicitário Duda Mendonça, que havia vendido serviços ao PT na campanha de Lula. Recebeu dinheiro por isso. Dinheiro não declarado no exterior. E foi absolvido. No seu caso, era um acordo entre o PT e o PL, na época?
Isso. PL.

***

Partido Liberal, que é o atual PR. Só que o Supremo rejeitou por unanimidade esse argumento. Por que o sr. acha que o Supremo rejeitou esse argumento?
Nós já estávamos julgados faz tempo. Eu já tinha discutido isso com o nosso advogado e também com o Marcelo Bessa, que é meu advogado. Depois, junto com o Marcelo Bessa, resolvemos contratar o Nilo Batista. O Nilo não queria pegar a causa. O Nilo falou: “O Marcelo Bessa já fez o que tinha que fazer”. Nós insistimos. Quando veio a absolvição do Duda Mendonça, surgiu essa oportunidade. Como o Duda prestou o serviço dele, nós fizemos um acordo. Nós somos um partido político. Tem a mesma característica da empresa do Duda. Temos parecer no processo.

***

No julgamento dos embargos, um dos argumentos usados pelos ministros do Supremo para rejeitar o seu recurso foi diferenciar o seu acordo do acordo feito por Duda Mendonça dizendo que, no seu caso, o sr. e o seu partido comercializaram a função pública. Diferentemente de Duda, que era um serviço privado.
Você está certo. O Duda prestou o serviço dele. Mas acontece o seguinte: o caixa de campanha foi feito por nós. Quem contribuiu com esse caixa foi o Zé Alencar que, só da empresa dele, deu R$ 4 milhões. Ele que foi atrás dos empresários para constituir esse caixa. Nada mais natural do que você dividir um caixa de campanha para fazer a campanha dos deputados. É a coisa mais comum do mundo.
Nós pegamos um parecer, inclusive do Gustavo Tepedino, mostrando que a empresa do Duda tinha a mesma característica da empresa PL. A mesma característica comercial. E que esse acordo valeria desde que você tivesse prova de que você tivesse esse acordo. Eu tinha a Folha de S.Paulo e eu tinha o depoimento do Zé Alencar, que confirmou isso.

***

O fato é que foi rejeitado o seu recurso. O sr. pretende apresentar novos recursos na fase seguinte do processo do mensalão?
Nós temos direito a mais um recurso. Precisa ver se vão aceitar. Aí, precisa ver os [embargos] infringentes. Se vão aceitar os infringentes ou não, que não é o meu caso.

***

Mas o que influenciariam no seu caso os infringentes?
Depende. Se eles corrigirem, como têm corrigido os erros do Congresso… Porque o Congresso não tem legislado.
Nós tínhamos na Constituição dois graus de jurisdição. Hoje, só temos um grau de jurisdição. Não tem ser humano no mundo que não tenha direito a um recurso.
Eles [STF] tinham que tomar essa providência: dar para todos os condenados mais um julgamento no Supremo com outro relator e outro revisor. Os [embargos] infringentes preveem isso aí.

***

Mas não no seu caso…
Aí que está. Tinham que dar para todo mundo outro julgamento. Porque todo cidadão -somos signatários disso na OEA [Organização dos Estados Americanos]- tem direito a dois julgamentos. Nós só vamos ter um julgamento.

***
Encerrada a fase atual no Supremo, o sr. pretende recorrer a alguma corte internacional?
À OEA.

***

É uma decisão tomada?
É uma decisão tomada, mas só que o recurso para a OEA são dois, três anos. É um negócio muito demorado. Eu não acredito que a OEA se manifeste diretamente. E a OEA não tem poder sobre o Supremo Tribunal Federal. Pode impor sanções ao país.

***

O sr. não vai se beneficiar disso?
Não acredito. Porque no meu caso eu tenho uma pena de 16 meses de prisão semiaberta. Acho que não conseguiríamos fazer esse processo andar antes disso.

***

O sr. mencionou um valor que seria pago, R$10 milhões,compartilhado no caixa de campanha entre PT e PL em 2002. Quando o sr. começou a receber esse dinheiro, o sr. não desconfiou em nenhum momento sobre a origem ilegal?
Desconfiei.

***

Por que não denunciou?
Porque eu tinha que pagar o agiota que eu devia. Quem tinha assinado a promissória era eu com ele. A única coisa que eu fazia quando eu pagava uma parte era trocar a promissória. Eu peguei o dinheiro de um doleiro. O Bradesco não ia emprestar dinheiro para eleição. Eles combinaram que iam me dar o dinheiro. Quando chega no meio da campanha, o Delúbio [Soares, tesoureiro do PT à época] chega para mim e fala: “Valdemar, eu não vou ter condições de te pagar”.
E eu: “Mas como? Mas pelo menos me dá o dinheiro do Zé Alencar. Pelo menos a doação do Zé Alencar, pessoal”. Ele falou: “Não. Nós já gastamos por conta. Você faz um empréstimo, eu te pago depois da eleição”. Eu falei: “Como você vai me pagar?”. Com o Fundo Partidário, que é legal.
Peguei um empréstimo.

***

De quem?
De um doleiro. Do Lúcio Funaro. Peguei um empréstimo dele. Peguei um empréstimo a 3,5% por mês. Peguei R$ 6 milhões. A 3,5%, são R$ 200 mil reais por mês de juros. E aí, passou o tempo, o Delúbio começou a me pagar. Aí mandaram o nosso pessoal retirar um dinheiro no Banco Rural. Mandamos 2, 3, 4 vezes, não me lembro. Me pagaram uma vez em São Paulo. Eu falei: “Delúbio, eu não quero mais isso aí. Eu vou te pedir um favor. Pede para o Marcos Valério, que está pagando esse dinheiro”… Porque ele me falou que o Marcos Valério tinha feito um empréstimo, tinha endossado um empréstimo para o PT. “Pede para o Marcos Valério pagar diretamente o agiota para eu não ter que me envolver mais nisso. Eu só vou lá trocar promissória cada vez que pagar. Me avisa quando pagou”. E aí, o Marcos Valério começou a pagar diretamente o Lúcio Funaro.

***

Durante a campanha, o sr. tomou esse empréstimo do doleiro Lúcio Funaro e pagou os seus fornecedores de campanha. Esses recibos foram comprovados e apresentados para descrever as despesas?
Não. Eu doei esse dinheiro para os deputados na eleição.

***

E eles não tinham como comprovar as despesas?
Eu falei: “Espera, que quando eles me pagarem nós vamos poder… Como o dinheiro vem do fundo partidário, nós vamos poder regularizar esse dinheiro”.

***

Uma das acusações que pesam contra o sr. foi que não foi comprovada a despesa objetiva na campanha, por parte dos deputados a quem o sr. diz ter entregado o dinheiro. Isso nunca será possível de comprovar? Essas notas fiscais de serviços ao longo da campanha?
Não. Não tinham notas fiscais.

***

Ou recibos?
Eu dava o dinheiro para o cidadão que eu tinha prometido. Tenho vários depoimentos no meu processo de deputados e de candidatos a deputados falando que receberam dinheiro meu na campanha. Eles não levaram isso em consideração. Nenhuma testemunha eles levaram em consideração.

***

E o sr. rejeita a tese de que parte desse dinheiro foi paga já ao longo do mandato do presidente Lula para que os deputados do seu partido, entre outros, se mantivessem fiéis ao Palácio do Planalto?
Não. Eu já tinha dado o dinheiro para eles antes da eleição. Eu não tinha compromisso mais com eles. O compromisso do PT era só comigo. Não tinha nada disso. Isso é uma bobagem. Dizer o que você está me perguntando aí: “Você comprou deputados para votar na reforma da previdência?”. Nós éramos governo. Nós tínhamos tudo no governo.

***

Nesse acordo PT-PL em 2002, no apartamento do deputado do PT Paulo Rocha. Estavam presentes também os integrantes da chapa presidencial, Lula e José Alencar. No momento em que foi fechado o acordo financeiro, Lula e José Alencar ficaram de fora…
Ficaram na sala.

***

Ficaram na sala. E no quarto se discutiu o acerto financeiro entre os 2 partidos. Mas Lula e José Alencar sabiam do que se tratava naquele momento?
Sabiam que eu estava tratando desse acerto.

***
Desse valor que seria dividido?
Desse valor… O Lula falou assim para o Zé Alencar: “Zé Alencar, deixa eles conversarem que isso não é assunto nosso”. E nós fomos para o quarto e resolvemos e chegamos num acordo. Voltamos para a sala e: “Está resolvido o problema”.

***

Em que medida, depois desse acerto entre os dois partidos, esse acerto financeiro, Lula e José Alencar souberam detalhes de como se processavam os pagamentos?
Nunca. Nunca souberam. Eu cobrava o Delúbio porque o Delúbio era que comandava a parte financeira.

***

O sr. nunca teve oportunidade de dizer isso para Lula ou para José Alencar?
Não, não. O problema é que no começo não pagavam. Atrasaram muito para pagar.

***

Mas quando passaram a pagar.
Quando começaram a pagar, não. Nunca comentei esse assunto com o Lula. Eu estava com ele em reunião de líderes, reunião de partido. Nunca comentei o assunto com o Zé Alencar, porque eles sempre foram contra eu fazer esse acordo. O Zé Alencar foi contra. O Zé Alencar não queria que eu fizesse. E se eu tivesse que fazer hoje, eu não faria mais.

***

Mas ao longo do governo Lula, o sr. acredita que o então presidente não tinha o menor conhecimento do que fazia Delúbio Soares?
Nunca tomou conhecimento disso. O Delúbio tinha autonomia total no partido. Nunca tomou conhecimento disso. E nem o [José] Genoino, que era presidente do PT, que não cuidava desses assuntos.

***

Mas de onde exalava o poder para Delúbio?
Ele tinha. Ele era o tesoureiro do partido.

***

Sim. Mas quem o empoderou de forma absoluta, sem falar com ninguém?
Na época, ele já tomou a frente de todos esses acordos.

***

Sozinho?
Sozinho, sozinho.

***

Sem ninguém saber?
Sem ninguém tomar conhecimento.

***

José Dirceu sabia?
Não, não. Tomaram conhecimento do acordo PT-PL. Isso foi publicado em 2002, antes das convenções. Mas preste bem atenção. Quanto aos pagamentos, nunca tocaram no assunto. E ainda ele falava para mim: “Deixa que eu vou resolver isso aí. Eu vou te pagar centavo por centavo”. Só que eu esperava que ele me pagasse pelo fundo partidário e não deu certo.

***

E o sr. acha que, então, as declarações de algumas personalidades envolvidas nesse escândalo quando dizem que a cúpula do PT sabia, o presidente Lula sabia mais ou menos como se davam os pagamentos, essas informações não procedem?
Não procedem. Não procedem. Não estão falando a verdade.

***

O sr. acha que o presidente Lula não conhecia, não tinha ciência de como atuava Marcos Valério ou não conhecia Marcos Valério pessoalmente?
Não acredito que ele atuasse com o Marcos Valério. Não acredito que ele conhecesse. Eu estava sempre no Palácio. Eu mesmo fui conhecer o Marcos Valério muito tempo depois. Eu nunca tinha ouvido falar nele. Nunca vi ele frequentar palácio, nada.

***

A condução do processo no Supremo foi apropriada?
Não tenho nada a considerar sobre o julgamento do Supremo. Decisões judiciais são para ser cumpridas, e não para ser discutidas. Agora, quanto à escolha do ministro Joaquim Barbosa, isso foi um erro.

***

Por que foi um erro?
O Itamaraty estava certo quando reprovou o Joaquim Barbosa.

***

O que o sr. quer dizer com ‘o Itamaraty estava certo’? É sobre a argumentação a respeito da personalidade de Joaquim Barbosa num exame de admissão no passado?
É, ele não podia ser diplomata…

***

Por quê?
Por quê? Porque é um recalcado, um desequilibrado, um homem sem educação.

***

O presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, acusa o Itamaraty de preconceito por conta desse exame antigo…
Você viu o desequilíbrio dele? É um desequilibrado. Por quê? Passar pela cabeça dele, mesmo tendo preparo, tendo estudo, ser diplomata? Você conhece os diplomatas do Brasil. Essa é a classe mais preparada do país. Eu convivi com vários diplomatas, não vi nenhum do tipo dele. Só de passar pela cabeça dele em ser diplomata você vê que ele é um homem desiquilibrado. E aí agora vem o erro. Quem errou? O Lula errou. Porque o Lula quis fazer uma homenagem aos afrodescendentes. Justa homenagem. Mas ele deveria ter pesquisado melhor o Joaquim Barbosa. O Lula errou porque ninguém pode tirar nota 10 em tudo. O Lula foi muito bem na Presidência. Ninguém vai tirar nota 10 em tudo.
E o Senado também [errou], só que o Senado tem menos culpa. Você quando manda [a indicação de] um ministro para o Senado, ou ele é de um tribunal superior, ou ele é de um tribunal de Justiça, ou ele é um advogado-geral da União, ou ele é um jurista, tem um cargo de destaque num Estado. Ou ele é um advogado de renome.
Quando o cidadão vai para o Supremo, todos os senadores já o conhecem, ou têm informação. O Joaquim Barbosa foi para o Supremo e ninguém tinha informação dele.
Aí começaram a chegar as informações. É um homem que bate em mulher. Ele foi correndo fazer um acordo com a [ex-]mulher dele, lógico. Chegou para ela, disse: “Vou ser ministro do Supremo, você vai fazer um acordo comigo”. Aí, fizeram o acordo -“a agressão foi mútua”.
E quem falou isso foi a [ex-ministra] Ellen Gracie lá no Supremo. Foi o Eros Grau -falou também no Supremo isso aí.

***

Falou o quê?
Ele chamou o Eros Grau de velho caquético. O Eros Grau falou para ele: “Só falta o sr. querer bater num velho caquético, porque o sr. já bateu em mulher”. Isso no Supremo.
Agora, o pior. Vou mostrar que ele não tem qualificação para o cargo. Ele compra um apartamento em Miami. Você já viu um ministro do Supremo ter apartamento em Miami? Não tem nada ilegal nisso aí, agora, criar uma empresa lá fora? A lei está aqui. Ele não pode ter empresa. Ele pode ser cotista de empresa. Compra um apartamento em Miami e cria uma empresa lá fora. Isso é fraude. E põe o endereço da empresa no apartamento funcional, que é do governo, que ele está morando. É proibido. Está aqui no decreto.

***

Só para registrar, o ministro Joaquim respondeu em relação a essa operação dizendo que está tudo dentro da lei e declarado no imposto de renda…
…Da lei dele. Está aqui a lei! Eu te mostro a lei. A lei não diz isso. Está aqui: é vedado ao magistrado, Lei Complementar número 35, exercer ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou cotista. Ele é proprietário. Segundo lugar: o imóvel funcional só pode ser usado para residência.
Se é um deputado ou um senador que compra um imóvel em Miami, cria uma empresa lá fora, e põe o endereço dele no imóvel funcional -no imóvel da Câmara, ou no imóvel do Senado-, já estava no Supremo.
Eu te pergunto, o que o Ministério Público e o que o Conselho Nacional de Justiça fazem a esse respeito? Nada.
Mas se fosse contra um deputado ou senador, nossa senhora!
E vou te dizer mais. Ele recebeu R$ 520 mil da UERJ [Universidade Estadual do Rio de Janeiro] sem dar aula. Olha só. E tive informações no Rio de que ele era um professor medíocre. Era um professor medíocre.
Agora, vou te dizer mais. As ofensas que ele faz para as pessoas, para o jornalista do Estadão… As licenças que ele tirou durante o julgamento do processo do mensalão. Num ano ele tirou 4 meses. 127 dias.

***

Mas ele estava de licença médica…
Licença médica. Mas ele ia em bar aqui em Brasília comemorar aniversário dos amigos dele, vivia em restaurantes. Porque ele começou a ser aplaudido quando chegava nesses lugares. Eu não sei se ele vai ser aplaudido ainda, depois dessa compra desse apartamento em Miami.
Então, 4 meses em 1 ano [de licença]. Quando chegou no julgamento do [mensalão no] Supremo, ele tira uma licença no meio do julgamento, no ano passado, para ir para a Alemanha fazer um tratamento. Sabe por que ele tirou a licença? Ele deve ter uma assessoria de imprensa boa. Porque ia ter eleição do Obama na semana seguinte. Aí, não ia ter mídia. Não ia sobrar espaço nos jornais para o processo do mensalão. Porque ele só pensa numa coisa: em aparecer e se promover. Só pensa nisso.

***

O sr. está fazendo várias críticas ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa…
Só ao presidente do Supremo. Lógico, eu respeito o Supremo.

***

Essas suas críticas em relação ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa… O que isso poderia ter influído no resultado no mensalão, uma vez que são 11 integrantes?
Ele era o relator.

***

Mas há um revisor e há outros [ministros]…
Eles não têm condições de se dedicar a um processo de 50, 60, 80 mil páginas. Eles têm processos lá que não dão conta. O relator tem um peso muito grande nessas decisões, por isso ele é relator.

***

O sr. fez críticas graves aqui ao ministro Joaquim Barbosa. O sr. pretende, além dessas críticas, dar provimento a elas, tomar alguma atitude? Ou são só críticas que o sr. está fazendo?
Como deputado -veja bem, ainda sou deputado-, tive 174.826 votos. Tenho que mostrar alguma coisa para os meus eleitores. Não tenho atuado na Câmara como deveria, para não criar constrangimento para os meus colegas. Tenho trabalhado, tenho cuidado dos municípios, tenho ido em ministérios para arrumar verba para municípios, para desenvolver projetos e tudo o mais. Mas a minha função principal como deputado é denunciar esses erros. E isso foi um absurdo. Foi um erro. Um erro do Lula. Ele teve boa intenção no primeiro momento. Agora, chega no Senado, a aprovação dele. E aí nessa fase eu acompanhei. Saiu um comentário muito grande lá sobre a aprovação do Joaquim Barbosa. Aí ele, por ser afrodescendente, o Senado não mexeu.
Quem deveria ter feito isso tinha que ter sido o governo Lula. Volto a repetir. Ninguém pode tirar 10 em tudo. Errou, e isso foi um erro muito grande e que está trazendo um grande prejuízo para a imagem do Poder Judiciário brasileiro, apesar de eles estarem com o processo do mensalão, que dá um prestígio grande, dá uma popularidade bárbara.
Você vê, ele com essa popularidade… que isso vai acabar, e o Senado, que é quem tem o poder de tirar um ministro do Supremo, você pode esperar. Se ele continuar com esse comportamento, e esses casos aflorando, você não tenha dúvida que o Senado vai tomar providência contra ele. Não agora, porque agora ele está julgando o mensalão. O julgamento do mensalão é o julgamento do bem contra o mal. Pegou isso aí, não tem jeito. Então ninguém quer fazer nada com ele porque vão dizer: “Tá fazendo isso para salvar os mensaleiros”. Mas vai acontecer, o Senado vai reagir um dia.

***

O sr. não acredita que seus comentários sobre o Joaquim Barbosa possam ser interpretados como preconceito contra ele?
Não. Não tenho preconceito nenhum. Eu sempre prestigiei os afrodescendentes. Sempre prestigiei demais. E mais do que merecidamente, eles ajudaram a construir esse país. Eu tenho o maior respeito. Acontece que não é preconceito, é a realidade.

***

Tudo caminha para a sua condenação realmente transitar em julgado e ser mantida tal qual foi definida pelo Supremo. Mantida a sua condenação, o sr. terá o seu mandato de deputado federal contestado. Pretende lutar pela sua absolvição no plenário da Câmara?
Não pensei nisso ainda. Não decidi o que fazer.

***

Houve um caso recente, do deputado Natan Donadon, de Rondônia, eleito pelo PMDB. Condenado pelo Supremo, ele manteve o mandato em votação secreta na Câmara. A Câmara agiu corretamente?
A Câmara é o vácuo constitucional que nós temos. Se ele tivesse sido julgado pela Câmara antes, como nós tínhamos na Constituição, nós não tínhamos chegado nesse ponto.

***

Mas chegamos. A Câmara fez bem ao absolvê-lo?
Nós tivemos 404 deputados que votaram e 233 votos a favor. A maioria foi a favor.

***

Isso.
Faltaram 24 votos dos 257. A Câmara agiu como achou que deveria agir porque não conhecia o seu processo. Não foi consultada sobre o processo. Por culpa nossa. Por causa do vácuo legislativo que existe hoje no Brasil.

***

O sr. estava em Brasília no dia da votação. Registrou presença na Câmara. Porém, não votou na sessão propriamente. Por que o sr. não votou?
Eu não votei porque eu não conhecia o processo. Preferi me abster.
Ao se abster, o sr. ajudou na absolvição…
Não tenha dúvida. Se eu votasse, eu tenho certeza…

***

…Votaria para absolvê-lo?
Se eu votasse, iria me abster. Mas adianta eu falar isso para você? Se eu votasse, se eu estivesse na lista dos votantes…

***

Ou seja, abstendo-se, ajudaria a absolvição.
Se eu tivesse votado, [diriam]: “Valdemar é um dos que votou pela absolvição”. Então, preferi não ir votar.

***

Mas é a mesma coisa, não é? Porque o efeito é ajudar na absolvição ao não votar.
Sim, mas acontece que muitos deputados que não têm nada a ver com essa história, como não conhecem o processo, preferiram não votar. Mas isso tudo por causa desse vácuo constitucional.

***

Em dado momento, o seu processo vai chegar no plenário da Câmara. Se a Câmara o absolver, como o sr. pretende organizar operacionalmente a sua rotina?
Acho que Câmara vai ter outro procedimento, na minha opinião. Porque agora vão aprovar o fim do voto secreto.

***

O sr. é a favor ou contra [o fim do voto secreto]?
Totalmente a favor. Mas de tudo. Não é só para cassar deputado. Sou a favor para votar veto, para votar tudo. Acabar com o voto secreto para tudo. Eu sou a favor.
Aí vai vir agora cassação no Supremo. O cidadão é cassado no Supremo, não tem mais por que vir para a Câmara. Nós temos que por ordem na Constituição.

***

Dado esse novo cenário que pode vir a acontecer, mantida a sua condenação, o sr. considera eventualmente renunciar ao mandato?
Não pensei nisso ainda. Vou te dizer porquê. Primeiro, porque eu vou cumprir 1 ano de mandato se eu for absolvido e depois vou ter que cumprir pena. Então, eu tenho que avaliar o que é melhor. Vou considerar o pessoal, meus companheiros de partido.
Precisamos ver o que vai acontecer. Por exemplo, o Supremo, se for corrigir o que está errado, eles teriam que aceitar os infringentes para todos.

***

Mas não vão aceitar, a gente sabe…
Na minha opinião, do jeito que eles estão fazendo, podem não aceitar para ninguém.

***

Isso também é uma hipótese. Mas no seu caso é bem mais difícil.
Bem mais difícil. Deveriam aceitar para todos. O duplo grau de jurisdição. Isso tem que ser decidido.

***

Mas admitamos aqui, com grau de razoabilidade grande, que no seu caso é muito difícil. Aí, a sua condenação já está definida. O sr. não reflete como é que vai ser a sua vida após esse trânsito em julgado?
Eu reflito nisso há oito anos.

***

O que o sr. pensa? Como vai ser a sua vida?
Ué? Vou tocar a minha vida. Vou ter que trabalhar como fiz quando renunciei outra vez. Fui registrado no partido na parte administrava e trabalhei.

***

Mas o sr. teria que cumprir pena em regime semiaberto.
Aí vou trabalhar. Eu tenho domicílio aqui em Brasília. Eu vou trabalhar no partido novamente, mas saio da secretaria-geral do partido.

***

O sr. é secretário-geral do PR hoje.
Isso, porque eu não vou poder ter decisões políticas no partido estando com os meus direitos políticos suspensos. Saio da secretaria-geral e vou trabalhar na gestão do partido, na parte administrativa do partido como fiz em 2005 até 2007.

***

O sr. já avaliou onde poderá cumprir a pena em regime aberto aqui em Brasília?
Não. Eu tenho visto, tenho lido alguma coisa a esse respeito. A gente não pode reclamar de uma prisão. Prisão é prisão e não é um lugar para o camarada ir se divertir. Você vai passar dificuldades, é lógico. Ter que dormir todo dia na prisão, ficar de 6h [da tarde] às 6h da manhã cumprindo pena. É uma situação difícil, mas que nós temos que enfrentar. Eu tenho que pagar essa dívida com a sociedade.
Onde que pode ser? O sr. já averiguou aqui em Brasília?
Tem um que saiu uma matéria grande no jornal, no Correio [Braziliense]. Que tem um centro de detenção só para casos de semiaberto. Mas pode ser numa área da [penitenciária da] Papuda. Você dorme e sai de manhã. Aí precisa ver o que eles vão fazer. Isso eu não tomei conhecimento ainda.

***

Mas a decisão sobre ser em Brasília o sr. já tomou por conta do seu domicílio?
Eu tenho domicílio aqui. Estou aqui há 22 anos, tenho domicílio fixo aqui há uns 15 anos já. Já trabalhei aqui.

***

O seu domicílio eleitoral continua sendo em Mogi [das Cruzes], em São Paulo?
Agora eu transferi para cá.

***

Transferiu?
Transferi porque eu vou ficar aqui em Brasília esse período todo. Não vou poder ser mais candidato.
O sr. não pode ser mais candidato por quantos anos, no caso da confirmação da pena?
Oito anos, fora o mandato.

***

Fora o mandato?
É. Quer dizer que eu vou ficar mais 9 anos sem poder ser candidato. Não me passa isso mais pela cabeça de ser candidato. São muitos anos. Eu estou com 64.
Como será a sua atuação partidária? O sr. já disse que vai ficar administrativamente, mas e do ponto de vista da influência política?
Eu saio fora. Isso a gente automaticamente sai fora. Eu já senti no passado quando eu renunciei ao meu mandato. Eu era presidente do partido. Passei a presidência para outro. Saí da executiva. A tendência é sair fora da parte política. Ficar só na parte administrativa. É uma tendência normal. É normal isso aí.

***

O PR deve apoiar a reeleição da presidente Dilma no ano que vem?
Deve. Tem tudo para apoiar. O nosso partido faz parte do governo dela. E nós devemos apoiá-la.

***

O partido hoje é bem atendido pelo governo?
Depois que nós largamos o Ministério [dos Transportes] há 1 ano e meio atrás, e hoje nós voltamos já com respaldo do Ministério Público que já, você sabe, mandou para o Supremo que não tinha prova contra o Alfredo [Nascimento] e contra mim. Nós estamos tocando o Ministério. Estamos começando a tocar. O Ministério ficou parado todo esse tempo. E isso, para recuperar, vai demorar um tempo.

*

A presidente Dilma é uma grande administradora, como se dizia durante a campanha de 2010?
Ela é eficiente. É que a situação é outra. Hoje, a China está comprando menos. Os outros países e essas crises aí nos países árabes faz com que eles importem menos. Isso pesa muito para o país.

***

O sr. é muito influente no seu partido. Quando o sr. diz que vai se afastar da política, é difícil de acreditar como isso vai se dar na prática. Porque a influência a gente não dá para outra pessoa. Como isso vai se dar no PR?
Nós temos hoje o senador Alfredo [Nascimento], que é o presidente do partido. Quem vai me substituir na secretaria-geral, porque é o primeiro-secretário, é o senador Antônio Carlos Rodrigues, de São Paulo [suplente de Marta Suplicy, licenciada do Senado para ser ministra da Cultura]. Nós temos hoje senadores, deputados, todos que participam do diretório, todos que participam das convenções. Nós temos gente altamente qualificada para isso.

***

Quando se dará essa transição?
Logo que eu tenha que começar a cumprir a pena. Eu já saio da secretaria-geral do partido e já começo a trabalhar na área administrativa do partido, como fiz da outra vez em 2005, que eu passei 1 ano e meio trabalhando no partido na área administrativa.

***

E vai ser nessa mesma época que o sr. vai decidir sobre qual estratégia tomará na Câmara? Se renuncia, se luta pelo mandato em plenário?
Não pensei nisso. Sinceramente, eu não pensei nisso porque eu quero ver a decisão que o Supremo vai tomar. Porque tem muita gente, por exemplo, funcionários que dependem de mim na Câmara e tudo mais, que gostariam que eu ficasse até o fim do mandato. É evidente que sim. E se tiver uma oportunidade, vão chegar até a me pedir. Agora, precisa ver se isso é o melhor para mim porque eu tenho que liquidar essa dívida logo. Quero passar por isso logo para poder tocar a minha vida para a frente depois.

***

Como tem sido a sua vida pessoal nesses anos todos?
Triste. Muito aborrecimento. Muito constrangimento. Não tenho problema com meus amigos. Todos os políticos me conhecem. Com os políticos, não tenho. Não tenho com os meus amigos que me conhecem. Mas quem não me conhece pessoalmente pensa muito mal de mim. É natural isso aí. O camarada não me conhece pessoalmente, não sabe quem eu sou, como eu procedo.

***

O sr. foi hostilizado nesse período em algum momento?
Não. Só em 2006, na campanha, que eu não saí na rua para fazer campanha. Em 2005 e 2006, eu não fui hostilizado porque eu não saía. E em 2006, na campanha, eu evitei sair para não ser hostilizado. Só ia em lugar de redutos mesmo, fortes nossos. Então, eu não fiz campanha em 2006. Tanto que a minha votação caiu muito. Minha votação em 2006. Depois, em 2010, não. Passou tudo. Em 2010, acabou, não tive problema.

***

O sr. está arrependido?
Muito. Eu não devia ter feito acordo com o PT, financeiro. E não foi culpa deles, não. Eu que insisti. Quando eu comecei a discutir isso, o Zé Alencar foi contra, o Zé Dirceu foi contra.
Eu não faria mais. O erro foi meu.

***

O ex-ministro José Dirceu, comentando o processo do mensalão em uma entrevista aqui, disse que alguns ministros, quando foram nomeados já depois do processo do mensalão, manifestavam-se a respeito do caso e depois, quando empossados no Supremo, tomaram outra atitude. O sr. tem conhecimento desses fatos?
Acredito. Acredito nisso. Acredito.

***

Acredita ou sabe?
Não. Eu não sei porque o PT nunca discutiu isso comigo. É interessante isso daí. Eu me encontrava com o Zé Dirceu, com o pessoal todo, com o Genoino, com o João Paulo [Cunha], para discutir o assunto. Eles não discutiam o negócio de ministro do Supremo comigo. Você não sabe por quê? Para eu não pedir para eles. Porque se já estavam pedindo para eles, não podiam chegar e [dizer]: “Ó, me resolve o caso do Valdemar também”. Eu não tinha acesso aos ministros.

***

O sr. acha que eles pediam para eles?
Eles não tocavam nesse assunto comigo. Nunca.

***

O sr. acha que eles pediam para eles?
Eles deviam pedir para eles. Agora, chegavam para mim e falavam: “Mas vem cá. Como é que está o Supremo?”.

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4 de setembro de 2013 às 7:36

Grevistas desarmam acampamento na frente da casa da governadora [0] Comentários | Deixe seu comentário.

A quarta-feira amanheceu sem a presença dos grevistas da Saúde na frente da residência oficial da governadora Rosalba Ciarlini.

É que, mesmo sem chegarem a um acordo com o governo, os grevistas decidiram voltar ao trabalho, mas sem parar com as negociaçōes.

E depois de quase duas semanas com moradores extras, a rua onde mora a governadora amanheceu deserta.
Só as tendas que abrigaram os grevistas ainda näo foram retiradas.

Fotos: Maria Fernanda Galväo

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4 de setembro de 2013 às 0:12

Presidente do STF quer botar mensaleiros na cadeia [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Do Estadão:

Joaquim Barbosa deve pedir que réus sejam presos imediatamente

Mariângela Gallucci e Felipe Recondo – O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, deve pedir nesta quinta-feira, 5, a prisão imediata dos réus do mensalão. Se for concluída nesta quarta a análise de todos os embargos de declaração e rejeitada a possibilidade de novo julgamento para 11 dos 25 condenados, Barbosa e ao menos outros dois ministros defenderão que a pena comece a ser cumprida imediatamente.

Barbosa deu sinais, desde o início do julgamento dos primeiros recursos, de que pediria a antecipação do cumprimento da pena. Em vários momentos, o relator da ação penal afirmou que os recursos dos réus eram “meramente protelatórios” e visavam apenas a postergação da execução da pena.

O ministro Gilmar Mendes, que deverá apoiar a proposta, afirmou, ainda antes de iniciado o julgamento dos recursos, que os embargos de declaração eram protelatórios. Já dava sinais, portanto, de que defenderia a prisão célere dos condenados.

Normalmente, o tribunal só determina a execução imediata da pena depois de julgados os segundos recursos. Foi o que aconteceu recentemente no caso de Natan Donadon (RO). Condenado, o deputado recorreu da decisão. O tribunal rejeitou o recurso.

Novamente, Donadon contestou a decisão e depois de quase três anos de espera, o segundo recurso foi julgado e rejeitado também. Só então, em meio às manifestações de rua de junho, o tribunal determinou a execução da pena, alegando que os novos embargos tinham a intenção apenas de protelar o fim do processo.

Jurisprudência. Advogados dos réus já discutiam essa possibilidade nesta terça-feira. E ressaltavam que esta seria uma nova alteração na jurisprudência da Corte. Alguns dos condenados, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, prepararam-se para o fim antecipado do processo.

Todavia, parte dos ministros resiste a essa proposta. Alegam eles, essencialmente, que o tribunal inovaria se determinasse a prisão imediata dos réus após o julgamento dos primeiros recursos. A Corte daria motivo para os condenados reforçarem as acusações de que teriam sido submetidos a um julgamento de exceção.

Embargos. O tribunal retoma mnesta quarta-feira o julgamento dos embargos de declaração dos seis últimos réus. Em um dos recursos, os ministros terão novamente de discutir a quem cabe a decisão sobre a cassação do mandato de parlamentares condenados.

O deputado João Paulo Cunha (PT-SP), cujo embargo ainda precisa ser julgado, contestou expressamente a decisão da Corte do ano passado, quando a maioria dos ministros decidiu que caberia ao Congresso apenas homologar a perda do mandato.

A discussão ganhou força nesta semana em razão da decisão do ministro Luís Roberto Barroso. Liminarmente, o ministro suspendeu a decisão da Câmara de absolver o deputado do processo de cassação.

Barroso argumentou que, no caso de pena em regime inicialmente fechado, só caberia ao Congresso Nacional declarar a perda do mandato. O ministro alegou que seria impossível o deputado cumprir o mandato de dentro da cadeia.

Essa discussão e a decisão sobre a possibilidade de novo julgamento para parte dos réus podem se estender e adiar para a próxima semana o cronograma traçado pelo presidente da Corte.

4 de setembro de 2013 às 0:09

Prefeito Carlos Eduardo diz que o deputado Henrique Alves busca recursos para tapar buracos de Natal [1] Comentários | Deixe seu comentário.

O prefeito de Natal Carlos Eduardo foi ao twitter prestar contas de sua viagem a Brasília.
Onde foi recebido com pompas e circunstâncias pelos primos poderosos, presidente da Câmara Henrique Alves e ministro Garibaldi Filho..

@carloseduardo12 – Missão cumprida em Brasília. Agradeço ao Ministro Garibaldi, aos deputados Henrique Alves e Fátima Bezerra pelo apoio dado nas audiências.

‏@carloseduardo12 – Projetos Lagoa Azul, Brasil Novo e Novo Horizonte na Zona Norte e Planalto na Zona Oeste bem avaliados no Ministério do Planejamento.

‏@carloseduardo12 – Dep.Henrique luta por recursos na União para recuperarmos a malha viária de várias ruas e avenidas de Natal. Natal precisa e agradece.

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4 de setembro de 2013 às 0:03

Rosalba no lançamento de “Segredos do Conclave” [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Em Brasília, onde tem agenda administrativa nesta quarta-feira, a governadora Rosalba Ciarlini aproveitou a noite para ir ao lançamento do livro “Segredos do Conclave”, do jornalista da Globonews Gerson Camarotti.

a noite de autógrafos aconteceu na Livraria Cultura.

Gerson Camarotti é comentarista político da Globo News e hoje, um dos únicos jornalistas a entrevistar o Papa Francisco.

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