Thaisa Galvão

9 de agosto de 2015 às 21:05

Dilma se reúne com Temer e ministros para discutir corte de Ministérios e mudanças na equipe [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Do portal Fato Online:

Treze ministros, Michel Temer e líderes de governo se reúnem com Dilma no Alvorada

  
A presidente Dilma Rousseff, realiza desde as 19h30, no Palácio do Alvorada, reunião de coordenação política com ministros e parlamentares líderes no Congresso, além do vice-presidente Michel Temer. A expectativa é de que a partir deste encontro, que normalmente se realiza às segundas-feiras, mas foi antecipado já que amanhã ela viajará a São Luís (MA), saiam novidades como mudanças no comando dos ministérios e enxugamento das pastas. Essas são algumas das estratégias mencionadas por auxiliares da presidente com objetivo de contribuir para contornar a crise política.
Estão presentes, além de Michel Temer, os ministros Aloízio Mercadante (Casa Civil); José Eduardo Cardozo (Justiça); Edinho Silva (Comunicação Social); Jaques Wagner (Defesa); Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia); Ricardo Berzoini (Comunicações); Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência); Antonio Carlos Rodrigues (Transportes); Joaquim Levy (Fazenda); Nelson Barbosa (Planejamento); Eduardo Braga (Minas e Energia); Gilberto Kassab (Cidades); e, Eliseu Padilha (Aviação Civil). Também chegaram ao Alvorada José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, e José Pimentel (PT-CE), líder do governo no Congresso Nacional.
A presidente precisa do apoio dos ministros para reunificar a base aliada e evitar novas derrotas no Congresso. Na semana passada, a Câmara aprovou o texto-base da primeira “pauta-bomba” que está tramitando na Casa: a PEC 443, que garante a advogados públicos, delegados civis e federais vinculação aos salários dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o que aumentaria os gastos do governo. A Câmara ainda deixou o PT de fora do comando de duas CPIs.

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Do Blog: Apesar do ministro do Turismo, Henrique Alves, ser apontado como parceiro do vice-presidente Michel Temer na interlocução com o legislativo, ele não foi convocado para a reunião de hoje no Palácio da Alvorada.

9 de agosto de 2015 às 20:56

Procurador Rodrigo Janot anunciará nova lista de envolvidos em corrupção ainda este mês [0] Comentários | Deixe seu comentário.

De Gerson Camarotti, no G1
Dilma aguarda nova lista de Janot para iniciar reforma ministerial

Apesar da pressão que deve ser reforçada hoje na reunião de coordenação política, a presidente Dilma Rousseff quer aguardar a nova lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, desta vez com os políticos denunciados da Operação Lava Jato, para deflagrar uma reforma ministerial.
Dilma tem sido cobrada por aliados petistas e até pelo ex-presidente Lula a refazer o desenho da Esplanada dos Ministérios e com isso recuperar apoio da base aliada no Congresso. 
A presidente, contudo, quer ter um quadro mais claro das investigações sobre a corrupção na Petrobras para evitar nomeações de políticos envolvidos no esquema.
No final do ano passado, Dilma já havia feito isso quando deixou para a última hora o anúncio da equipe ministerial do novo governo e mesmo assim só anunciou Henrique Eduardo Alves para o Turismo depois que ele foi excluído da lista de investigados de Janot.
Já outro aliado, o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro, do PP, ficou de fora do ministério, porque seu nome foi incluído nos inquéritos da Lava Jato.
A divulgação da lista é aguardada para este mês de agosto.

9 de agosto de 2015 às 20:40

Abandonado pelo PT, Dirceu não fala com Lula desde antes de sua condenação no mensalão [0] Comentários | Deixe seu comentário.

D’O Globo:

Ressentido, Dirceu sente abandono até de Lula

Ex-ministro fica sem defesa do PT e se queixa da falta de apoio público. Mesmo assim, amigos garantem que não há hipótese de delação premiada

por MARIANA SANCHES E TATIANA FARAH

SÃO PAULO – Dias antes de ser preso na 17ª fase da Operação Lava-Jato, o ex-ministro José Dirceu, de 69 anos, se mostrava vencido. Ligava para a família pedindo que o visitassem porque poderia “ser preso a qualquer hora”. Na semana que antecedeu a prisão, em conversa com amigos, chegou a calcular que ficaria preso por pelo menos “seis ou oito meses”. A tensão resultou em uma crise de hipertensão, com pico de pressão arterial de 19 por 12 (o normal é 12 por 8).

Nos últimos tempos, Dirceu se mostrava ressentido com lideranças do PT, sobretudo com Lula, com quem não fala desde antes de sua condenação no mensalão. Queixava-se da falta de apoio público por parte da cúpula do partido. Como esperava, sua defesa não foi feita, mais uma vez, na reunião de terça-feira da Executiva Nacional do PT. Desde que começou a cumprir pena, ele deixou de participar dos destinos políticos do partido e pouco foi visitado pelos “companheiros”. Em março deste ano, seu almoço de aniversário, antes marcado pela presença de políticos de todos os calibres, contou com poucas pessoas e nenhum figurão da legenda.
Há tempos a base de apoio de Dirceu deixou de ser sua corrente interna do partido, a Construindo Um Novo Brasil, e passou a ser o “setorial” da juventude. São esses jovens que organizam manifestações de apoio e gritam, em eventos petistas, “Dirceu, guerreiro do povo brasileiro”. O grito de guerra, no entanto, não foi entoado no último congresso nacional do partido, em junho passado. E a julgar pela reação dos petistas depois da revelação das evidências de que o ex-ministro teria recebido benesses pessoais como uma milionária reforma em sua casa e o aluguel de um jato particular talvez não volte a ser ouvido tão cedo. Integrantes do partido dizem que a suspeita de ter usado um esquema de corrupção para “enriquecimento pessoal” feriu a sensibilidade dos militantes.
Mesmo com o faturamento de quase R$ 40 milhões de sua empresa, a JD, Dirceu nega ter enriquecido e diz ter dívidas de R$ 3 milhões — acumuladas com a defesa em processos e as atividades políticas. Em conversas com amigos antes da prisão, Dirceu admitiu erros: deixar que a Jamp, do operador Milton Pascowitch, pagasse suas despesas diretamente e pedir pagamentos adiantados, operação típica de lavagem de dinheiro. Segundo amigos, até recentemente ele não sabia como a questão financeira era gerida. A contabilidade ficava por conta do irmão Luiz Eduardo, também preso. Luiz Eduardo foi escolhido justamente por características que agora podem complicar Dirceu: é um sujeito simples, completou só o ensino médio, nunca teve relação com a política ou vida pública e pode não saber como responder aos investigadores. De antemão, Dirceu acredita que será condenado. E diz lamentar não ter mais 50 anos para ter tempo de cumprir a pena e tentar redimir a biografia. Segundo amigos, não há hipótese de que ele aceite delação premiada.
O ex-ministro sustenta que o dinheiro que recebeu não era propina, mas resultado do trabalho como consultor internacional. Diz que valores recebidos enquanto preso vinham de taxas de sucesso dos negócios que intermediava. E afirma que o jatinho à sua disposição não era luxo, mas necessidade — ele quase apanhou algumas vezes em saguões de aeroportos pelo Brasil. A despeito do ostracismo no partido, fazia sempre um diagnóstico de política, assunto do qual declinava apenas para assistir ao desenho “Peppa Pig” com a filha Maria Antonia, de cinco anos.

9 de agosto de 2015 às 12:21

Amigo de Lula e Dilma, Frei Betto critica o PT e diz que ainda não sabe o que o governo fez de janeiro até agora [0] Comentários | Deixe seu comentário.

A Folha de S. Paulo traz hoje uma entrevista com Frei Betto.

Amigo de Lula e de Dilma, o religioso faz críticas ao estilo PT de governar, enchendo os barracos de móveis e eletrodomésticos, e botando um carro na porta, mas deixando que seus moradores vivam em favelas sem saneamento, sem saúde, sem educação.

Elogia a direita que vai para as ruas no domingo, enquanto o PT programa os movimentos em plena semana, atrapalhando o trânsito, por exemplo.

Mas, deixa claro uma coisa.

Mais amigo de Lula do que de Dilma, Frei Betto tenta proteger o ex-presidente, descolando a imagem dele da imagem do PT que está aí, e do governo que está aí.

Eis a entrevista:

Eu temo que a presidente Dilma renuncie’, diz frei Betto

RICARDO MENDONÇA

EDITOR-ADJUNTO DE “PODER”

Amigo da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, de quem foi assessor especial no início do mandato, Carlos Alberto Libânio Christo, o frei Betto, já admite temer pela renúncia da mandatária, hoje com o recorde de 71% de reprovação no Datafolha.
“A minha pergunta íntima hoje não é o impeachment […] É se a Dilma, pessoalmente, aguenta três anos pela frente”, afirma ele. “Ou ela dá uma mudança de rota […] ou ela pega a caneta e fala ‘vou pra casa, não dou conta’. Eu tenho esse temor”, completa.
Embora avalie o período petista como “o melhor da história republicana”, o frei dominicano faz severas críticas ao partido –”trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder”– e uma distinção especial ao atual mandato de Dilma: “Eu não sei o que de positivo a Dilma fez de janeiro para cá”.
Frei Betto diz que está esperando até hoje o PT se manifestar sobre a existência ou inexistência do mensalão.
Com reparos, elogia a Operação Lava Jato, “extremamente positiva”, e diz que se sentiu “indignado” com a notícia de que o ex-ministro José Dirceu faturou R$ 39 milhões ao mesmo tempo em que promovia uma vaquinha para pagar a multa da condenação do mensalão.

  

Folha – Estão convocando mais uma manifestação contra Dilma para o dia 16. A principal pauta, ou uma das principais, é o impeachment de Dilma. O que acha?

Frei Betto – Eu acho que manifestação é sinal da democracia. Pena que a esquerda aprenda com a direita algumas coisas ruins que a direita faz. Deveria aprender as coisas boas –as poucas coisas boas– que a direita faz. Como convocar manifestações para domingo, não para o dia de semana, o que a esquerda tem feito [uma outra manifestação, com apoio do PT, deve ocorrer no dia 20, uma quinta]. Dia de semana? Uma burrice. Atrapalhando o trânsito, como naquela música do Chico Buarque. Não tem sentido, né? Faz no domingo, não tem escola, as pessoas podem sair de casa, estão disponíveis. Pena que a esquerda não aprenda com a direita as coisas boas.
E o impeachment?

Olha, a minha pergunta íntima hoje não é o impeachment. Eu acho que democracia brasileira está consolidada, não há motivo para impeachment. A minha pergunta é outra. É se a Dilma, pessoalmente, aguenta três anos pela frente. Eu temo que ela renuncie.
O senhor tem algum sinal disso?

Não. É puramente subjetivo. Mas temo que ela renuncie. Ou ela tem uma mudança de rota ou eu me pergunto se ela vai aguentar o baque psicológico de três anos e meio [pela frente] com menos de 10% de aprovação, com 71% dizendo que o governo é ruim ou péssimo. Isso é um sinal de que você não está agradando nada. Não adianta fazer cara de paisagem. Alguma coisa tem de ser feita. Ou ela dá uma mudança de rota, muda a receita do ajuste etc., ou ela pega a caneta e fala “vou pra casa, não dou conta”. Eu tenho esse temor.
Há um relato, publicado anos atrás pelo jornal “Valor”, de que no auge da crise do mensalão, em 2005, a Dilma, ministra da Casa Civil, teria sugerido ao Lula que renunciasse.

Eu não acredito nisso. Até porque o Lula saiu com 87% de aprovação.
Depois, né? Naquele instante, quando Duda Mendonça foi à CPI dizer que tinha sido remunerado no exterior com dinheiro de caixa dois do PT, ninguém imaginava que o Lula iria recuperar a popularidade do jeito que recuperou.

É… Se isso é verdade [a sugestão de Dilma para Lula renunciar], reforça o meu receio.
No cenário atual, que combina crise política com estagnação econômica, denúncias de corrupção e baixa popularidade de Dilma, o que mais atormenta o senhor?

O Brasil está vivendo uma notória insatisfação, não só com o governo. Insatisfação com a falta de utopias, de perspectivas históricas, de ideologias libertárias. Desde 2013, quando houve aquela grande manifestação atípica. Porque não houve nenhum partido, nenhuma liderança, nenhum discurso [em junho de 2013]. E foi uma enorme manifestação em que as pessoas protestavam, havia protesto, mas não havia proposta. Isso chamou muito a minha atenção. E quando –isso é até terapêutico– a gente entra em amargura e não vê solução, não vê saída, a gente não consegue equacionar racionalmente o que está vivendo. Não consegue buscar as causas e as perspectivas. Fica tudo no emocional. Eu tenho dito a amigos que a minha geração viveu grandes divergências políticas na ditadura, mesmo entre a esquerda, divisão se siglas de A a Z. Mas o debate era racional. Debatia-se em cima de projetos, programas, perspectivas históricas. Hoje, o debate é emocional. É como briga de casal em que o amor acabou. Equivale a acelerar o carro no atoleiro de lama: quanto mais acelera, mais se afunda na lama. Estamos vivendo isso.

E o governo?

O governo, que eu considero o melhor de nossa história republicana –os dois do Lula e o primeiro da Dilma– teve grandes méritos, como a inclusão econômica de 45 milhões de brasileiros; e teve grandes equívocos, como a não inclusão política. Ao contrário do que a Europa fez no começo do século 20, o governo do PT propiciou, ao conjunto da população brasileira, acesso aos bens pessoais, quando deveria ter iniciado pelo acesso aos bens sociais. A metáfora que utilizo é o barraco da favela. Ali dentro a família tem computador, celular, toda a linha branca, fogão, geladeira, micro-ondas, e, no pé do morro, tem um carrinho, devido à facilidade do crédito. Mas a família está na favela. Não tem saneamento, não tem moradia, não tem transporte, não tem saúde, não tem educação, não tem segurança. Resultado: criou-se uma nação de consumistas, não de cidadãos.

O senhor falou em melhor governo da história republicana e mencionou os dois mandatos do Lula e o primeiro da Dilma. E o segundo da Dilma?

Esse segundo, até agora, eu não tenho nenhuma notícia boa para dar. Eu não sei o que de positivo a Dilma fez de janeiro para cá. Gostaria que alguém dissesse. O ajuste é necessário? É necessário. Mas o ônus é só sobre o trabalhador. E fica a dúvida se vai dar certo. É um país com um mercado interno fantástico, mas que mantém a síndrome colonial de que a gente tem de ser exportador de matéria prima, que deram o nome agora de commodities. Equívocos. E o governo terceirizou a política para a troica do PMDB –Temer, Cunha e Renan– e terceirizou a economia nas mãos de um economista, o Joaquim Levy, notoriamente um eleitor do Aécio Neves. Realmente fica difícil de acreditar que esse é um projeto do PT. Nunca fui militante do partido, devo dizer isso. Também não sou fundador, como alguns dizem por aí. Sempre fui eleitor. Mas nas últimas eleições eu tenho dividido meu voto entre PT e PSOL.
O governo Lula foi um dos mais populares da história, e Dilma foi reeleita há menos de um ano. Por que o humor mudou?

Agora as pessoas estão com muita raiva porque não podem mais viajar de avião como estavam viajando; comprar ou alugar um melhor domicílio, como estavam fazendo; adquirir crédito sem juros altos; ir à feira com R$ 20 e voltar com a sacola cheia. Então a falha foi de quem? Na minha opinião, a falha foi do governo que tinha a faca e o queijo na mão para poder realizar aquele projeto mais original do PT, que era organizar a classe trabalhadora. Leia-se: dar uma consistência política à nação brasileira, principalmente às novas gerações. Isso não aconteceu.
Por que, na sua interpretação, as coisas sob o PT se desenvolveram dessa forma, a opção pela promoção do consumo, e não da outra?

Porque o PT perdeu o horizonte histórico. O horizonte que ele tinha nos seus documentos originários. De transformação, de realizar as reformas relevantes.
Mas em que instante isso se perdeu?

Ah, no momento em que chegou ao poder. Foi quando ele trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder. Manter-se no poder passou a ser mais importante do que realizar as reformas importantes e necessárias para o país. Como a reforma agrária, a tributária, a educacional, a sanitária etc. Em 12 anos, a única reforma que nós temos é a anti-reforma política do Eduardo Cunha (atual presidente da Câmara).
Por quê o PT não fez essas reformas?

É porque tinha medo de perder aliados, não soube assegurar a governabilidade pelo andar de baixo. Procurou assegurar pelo andar de cima. Se tivesse seguido o exemplo do Evo Morales (presidente da Bolívia), que hoje tem 80% de aprovação, é o segundo presidente mais aprovado da América Latina, depois do presidente da República Dominicana. No início ele não tinha apoio nem do mercado nem do Congresso; buscou assegurar a governabilidade por meio dos movimentos sociais. Hoje ele tem apoio dos três.
Teve medo de adotar esse caminho?

Foi uma estratégia equivocada de se manter no poder. “Vamos fazer aliança com quem tem poder, nós estamos no governo”. Uma coisa é estar no governo, outra é estar no poder. Isso deu certo por um tempo. Só que há uma questão aí de classe que é arraigada na estrutura social brasileira. E de repente os setores conservadores, vendo que não há proposta, vendo que não há perspectiva histórica, resolveram avanças. É este instante. Até o Lula foi vítima agora. Não de um atentado político. Mas de um atentado terrorista. Isso [uma bomba lançada no Instituto Lula dias atrás] é um atentado terrorista. Jogar uma bomba em cima de um domicílio que está carregado de simbolismo político é um atentado terrorista. Se isso estivesse acontecido na sede do partido Democrata dos Estados Unidos –ou no escritório do Bill Clinton (ex-presidente dos EUA), uma boa comparação– no dia seguinte o mundo inteiro estaria dizendo: “Bill Clinton sofre atentado terrorista”. Evidente que a imprensa brasileira não quis dar destaque, uma certa imprensa. Por um lado alguns chegaram a insinuar que o próprio PT teria feito essa bomba para tentar vitimizar o Lula e o partido. O mais grave é isso. Não se deu o devido destaque talvez porque não interessa. Só interessa que o Lula venha a aparecer como o acusado da Lava Jato, não como vítima de um atentado terrorista.
O senhor é amigo do Lula, tem essa relação histórica. Virou alvo de hostilidades?

Uma coincidência. Eu fiz dois lançamento de livro na última semana, um no Rio, na segunda, e outro em Belo Horizonte, na terça. Nos dois o pessoal da direita foi lá para perturbar.

No Rio foi um oficial de corveta da Marinha, segundo ele, dizer que estava me levando um abraço de Olavo de Carvalho. Eu disse: “Abraço de urso, pode devolver”. Olavo de Carvalho considera a Rede Globo comunista; o papa Francisco, então, não é nem comunista para ele, é a encarnação do diabo. E no fim o cara já estava dizendo “ah, você é um frade de araque”. Aí eu falei que não admitia, falei “ponha-se para fora daqui”. Então os amigos, as amigas principalmente, enxotaram o cara. Em Belo Horizonte foi o pessoal do movimento patriota, com cartazes anti-comunistas e um livro pesadão chamado “O livro negro do comunismo”. Foram para aprontar, mas ali também a turma, meus amigos de lá, intervieram e eles não conseguiram fazer.

Ex-ministros foram xingados em restaurantes também…

Exatamente. Estamos vivendo uma onda raivosa. É por falta de consciência política da nação, de conscientização. Os partidos viraram partidos de aluguel, a política se mediocrizou e a Lava Jato está expondo os poderes de como se move o poder no Brasil, entre as benesses políticas e as conquistas econômicas.
O senhor disse que o PT, ao chegar ao poder, não seguiu o que diziam seus textos originais. O senhor classifica isso como uma traição?

Não. Não é traição.
Não?

Não. Eu considero isso um desvio de rota.
O senhor disse que não aplicou os textos originais.

Sim, é isso que eu falei. Mas traição, para mim, é outra coisa, é uma palavra que tem um peso muito grande, não se adequa ao que estou dizendo, ao meu discurso. O que considero é que houve um desvio de rota. Trocou-se o projeto de Brasil, uma mudança de estrutura. Trocou-se a reforma agrária e outras, que eram consideradas prioritárias, por um projeto de preservação no poder. Aquilo que o próprio Lula chegou a dizer na reunião com religiosos. Eu não estava nesse reunião. Ele disse: “o PT só pensa em cargos”. Ele disse a mesma coisa, mas em outras palavras. Isso eu analisei em dois livros, “A mosca azul” e “O calendário do poder”. Foi o meu balanço.
E o que seria uma traição?

Eu não sei porque você está falando em traição.
Ué, o senhor disse que não considera uma traição. No seu entender, o que configuraria uma traição?

Traição seria se o PT tivesse… chamado o FMI para administrar o Brasil. Sei lá. Se tivesse priorizado as relações com os Estados Unidos. Se tivesse deixado de fazer a Comissão da Verdade.
Eu li recentemente que o senhor teve uma conversa longa com o Lula…

Sou amigo do Lula, sou amigo da Dilma.
Sim, mas o senhor colocou para eles desse jeito?

Claro, desse jeito. Eu coloco publicamente. Eu fui lá conversar com a Dilma em 26 de novembro, com Leonardo Boff e outros. Entregamos um texto nas mãos dela. Ficamos 1 hora e 10 minutos. Estava ela e [Aloizio] Mercadante (ministro da Casa Civil).
E como eles reagem a esse tipo de crítica?

Eles aceitam. Agradecem: “obrigado por vocês terem vindo aqui, vamos ver se podem voltar em seis meses para conversar”. Mas fica nisso. E depois fazem tudo diferente. Sabe? O que você quer que eu faça? Deite e chore? Foi uma conversa ótima. Aí ela aceitou tudo aquilo, a gente falando da importância de reforma agrária, de quilombos, de povos indígenas, o papel da mulher, programas sociais, não poder fazer cortes em setores como educação e saúde. Aí respondem tudo: “é, é isso mesmo, também estou pensando…” E está lá. O texto está lá, tenho decorado na minha cabeça. Eu tenho uma boa relação com os dois [Dilma e Lula]. Eu falo tudo. Eles aceitam. O Lula também. Às vezes fala que a culpa não é dele, a culpa é não seu de quem, é do partido, é da Dilma, é da conjuntura; e aí também fala “mas a gente também fez…”.
E continua tudo igual?

Eu tenho uma vantagem que é seguinte: eu sou um um sujeito que tem poucas vaidades. Uma delas é ambição zero. Aliás eu lembrei isso pro Lula. Eu falei: “Lula, você me conheceu em 1979, o padrão de vida que eu tinha é o padrão de vida que eu tenho. Eu moro no mesmo quartinho no convento, se você quiser eu te mostro, moro no mesmo lugar, tenho o mesmo carro Volkswagem, enfim, não mudei nada. Agora, eu fico espantado com companheiros que a gente conheceu lá atrás e que hoje tem um… sabe?”. Então teve um descolamento da base. O PT perdeu os três grandes capitais que ele tinha. Que eram ser o partido dos pobres organizados –porque hoje ele tem eleitores, não tem militantes, ele tem de pagar rapazes e moças desocupadas para segurar bandeirinha na esquina, quando tinha uma militância aguerrida voluntária. Perdeu esse capital. O segundo capital que ele perdeu é o de ser o partido da ética. Não é? A ideia do “não seremos como os demais”. E o terceiro capital era o de ser o partido da mudança da estrutura do Brasil. Não fez nenhuma mudança estrutural. Fez muita coisa? Fez. Programas sociais; Bolsa Família, embora eu discorde –o Fome Zero era emancipatório, foi trocado pelo Bolsa Família, compensatório–; programas da educação; cota; Fies; uma série de coisas excelentes. Política externa nota 10, na minha opinião, mas sem sustentabilidade.
E meio ambiente?

Ah, aí faltou muito. Aí eu dou nota… seis. Defesa da Amazônia, não trabalhou suficientemente na questão do meio ambiente.
O senhor falou desse espanto da mudança dos ex-companheiros. Como vê, especificamente, o caso do ex-ministro José Dirceu?

Eu acho um abuso você prender um preso. O cara estava preso, mandaram prender novamente. Não precisava. Aquela coisa: transfere, Polícia Federal, televisão. Eu acho isso um abuso de autoridade. Embora eu ache a Lava Jato extremamente positiva –era preciso vir uma apuração da corrupção no Brasil séria como tem sido feita–, tem coisas que me desagradam. O partido mais envolvido é o PP. Mas parece, na opinião pública, que é só o PT. Segundo: por que é que vazam todos os conteúdos em relação ao PT e porque é que vazam exclusivamente para a revista “Veja”? É chamar a gente de idiota. Ou seja: há uma operação política por trás, de abuso desse processo. Que é um processo sério de apuração da corrupção no Brasil.
Mas e o caso específico do José Dirceu?

Eu nunca me pronunciei, você não vai encontrar uma palavra minha em entrevistas, nos artigos, dizendo se houve ou se não houve mensalão. Eu estou esperando o PT se posicionar. Se houve ou se não houve. E fico indignado pelo fato de o partido não se posicionar. E não se posicionar diante de uma figura tão importante do partido como ele [Dirceu]. Então não tenho meios de julgamento. Que eu sei que há corrupção na política brasileira, sei. Mas eu não tenho provas. Eu saí do governo sem perceber se havia mensalão. Saí em dezembro de 2004, o mensalão apareceu em maio de 2005. Várias pessoas me perguntaram: “você tinha algum indício?” Nenhum. Não vi nenhum indício.

Um aspecto que chamou a atenção é que o José Dirceu faturou R$ 39 milhões com a sua consultoria, parte disso no instante em que estava preso, foi um argumento para essa nova prisão, mas coincide também com aquela vaquinha para pagar a multa do mensalão.

Pois é. Eu fico indignado. Se é verdade que ele tem tantos milhões na conta, eu não posso entender como é que ele promoveu a vaquinha. Aliás, tenho amigos que contribuíram com a vaquinha. Estão sumamente indignados. Eles se sentem lesados.
O ex-presidente Lula já falou criticamente sobre o afastamento entre o PT e os movimentos sociais. Por que ocorreu isso?

Ocorre no momento em que o PT faz a opção da “Carta ao Povo Brasileiro”, no primeiro governo do Lula. Era uma carta aos banqueiros e empresários. Ali ficou sinalizado: “queremos assegurar a governabilidade via elite, não via a nossas origens, que são os movimentos sociais”. Aí cria-se o Conselhão, para o qual são chamados líderes dos movimentos sociais. Acontece que só o empresariado tinha voz e vez ali dentro. E aos poucos esses líderes [dos movimento sociais] foram todos deixando. E depois o Conselhão, que era um conselho de consulta e debate, passou a ser um mero auditório de anuência dos anúncios da Presidência. E hoje ele sequer existe. Ou seja, esse diálogo mínimo com a sociedade civil… É o que a Dilma deveria fazer. Ela deveria criar um conselho político. Porque isso não é um gesto de extrapolação. Está previsto na Constituição de 1988, está normalizado isso. O Lula fez. Não como deveria. Deveria ter sido mais democrático, o pessoal dos movimentos sociais deveria ter mais espaço, mas ele fez. Nessa crise, não adianta a Dilma passar a mão na cabeça do Temer. Ela tinha que ouvir a sociedade. Tem de sair do palácio, sair da toca.
Perde contato com a realidade?

Outro dia eu fui para Irati, no Paraná, 14º encontro de agroecologia. Eram 4.000 pequenos agricultores do Brasil. A Dilma ia. A Dilma não foi. Ela não tem ideia do que ela perdeu ali. Lá, quando eu cheguei, dizia-se que era o mau tempo. Não é verdade porque o Patrus (Ananias) foi. Então se o jatinho da FAB do ministro desceu, o jatão da presidenta poderia descer. Mas não importa. Não foi. Então ela tem de sair da toca, dar a volta por cima. Ela está acuada. Não encara a nação, não vai nos movimentos sociais.
Medo de ser vaiada?

Não pode ter medo. Uma figura pública, medo de nada. Tem de ir, se expor. Não tem como. Você é uma pessoa pública. O Lula promoveu não sei quantos daqueles conselhos nacionais de saúde, de educação. Era hora da Dilma fazer isso. Está aí o PNE, o Plano Nacional de Educação. Era para ter um debate sobre a implantação do PNE. No entanto, a notícia que a gente recebe é de cortes na educação. Ainda mais usando o lema que ela achou, “pátria educadora”. Isso tudo explica porque é tão baixa a aprovação dela.
O senhor é religioso. Que avaliação faz do avanço eleitoral e, principalmente, do comportamento da bancada evangélica no Congresso?

Penso que está sendo chocado o ovo da serpente. Uma das conquistas da modernidade, importantíssima, é a laicização do Estado e dos partidos. Essa bancada está querendo confessionalizar a política. Explico: eu sou padre ou pastor de uma igreja que considera pecado o cigarro e a bebida alcoólica; e tenho a veleidade que toda a população nem tome bebida alcoólica nem fume. Eu só tenho dois caminhos. O primeiro é converter toda a população à minha igreja; isso é impossível. Mas o segundo é possível: eu chegar ao poder e transformar o preceito da minha igreja em lei civil. Como aconteceu nos EUA nos anos 20. E eu temo que o projeto deles seja esse, de confessionalização da política. Uma forma de fundamentalismo tupiniquim, altamente perigoso.
Exemplo?

Isso vai se manifestar agora no debate sobre ensino religioso. Minha postura é simples: colégio religioso tem de ensinar religião da entidade mantenedora, se é católico, judeu ou protestante. Bom, tem muito colégio religioso que é mera empresa escolar. Aliás, os políticos mais corruptos do Brasil saíram todos de colégios religiosos. É de se pensar: que diabo andaram fazendo, que evangelização era essa? Mas, voltando, no ensino público ou no particular laico, tem de ter o ensino das religiões. Ou você pega o professor de história, que é qualificado para isso, ou você chama o padre para falar do catolicismo, o pastor para falar do protestantismo, o médium para falar do espiritismo, o pai de santo para falar do candomblé. Mas não dá para pedir para o padre contar o que é o espiritismo, porque aí vai ter preconceito. O que eles estão propondo aí é transformar os colégios em caixa de ressonância de pregações fundamentalistas, tipo criacionismo contra o evolucionismo. Isso é danoso à nossa cultura, à nossa história, à nossa religiosidade.

9 de agosto de 2015 às 10:49

Na festa de Nossa Senhora da Guia, deputado Hermano Morais recebe título de Cidadão Acariense [0] Comentários | Deixe seu comentário.

O deputado estadual Hermano Morais  (PMDB) foi prestigiar a festa de Nossa Senhora da Guia, em Acari.

Na Câmara Municipal, recebeu o título de Cidadão Acariense proposto pela vereadora Marineide de Terezinha.

Depois da sessão solene o deputado foi à novena e ao Museu Histórico de Acari, que comemorava os 25 anos de fundação com lançamento de livros de escritores locais. 

Hermano foi para a fila de autógrafos de Haroldo Pinheiro Borges, que lançou “Abrindo a Cancela das Lembranças – A Saga do Seridoense Joaquim da Virgem”.

  

9 de agosto de 2015 às 7:25

Chegada da imagem de Aparecida e show do Padre Reginaldo Manzotti lotaram pátio da Arena das Dunas [0] Comentários | Deixe seu comentário.

O ‘I Evangelizar é Preciso Natal’ lotou o pátio da Arena das Dunas neste sábado.

Além do show do Padre Reginado Manzotti, a população católica foi esperar a chegada da imagem de Nossa Senhora de Aparecida, que está peregrinando pelo Brasil e passará trinta dias no Rio Grande do Norte.

Caravanas de vários municípios chegaram ainda de manhã, e os portões foram abertos por volta das 13h.

O DJ pernambucano Roony Moura foi quem começou a movimentar, e deu um testemunho.

“Eu tenho só 20 anos, mas já provei tudo que um jovem poderia provar. Fui DJ do mundo e vocês podem imaginar o que de álcool, drogas e prostituição eu experimentei. Mas, hoje só o que vem de Deus basta na minha vida”, disse o rapaz.

Depois o show “Sintonia do Bem” contou com a voz do Padre Nunes, padre Humberto Negreiros, Léia e Sônia, Sandro Menezes, Missão de Cristo, Swing do Alto, Divina Luz, Emanuel Stênio (Canção Nova) e Clênio Maciel (Uskaravelho).

“Estou muito feliz com o show, casa cheia, graças a Deus. O povo continua chegando ainda, e tudo isso é para a gloria de Deus e para que as pessoas sejam evangelizadas”, comemorava logo cedo o Padre Sávio, coordenador do evento.

Mas foi a chegada do Padre Reginaldo Manzotti ao palco da Arena das Dunas que emocionou o público.

O sacerdote cantou e saudou os fieis , pedindo que todos colocassem suas intenções no altar do Senhor. 

“Eu também tenho problemas e preocupações. Quero depositar tudo em Deus”, disse o padre, Deus”, disse o padre, mandando um recado aos católicos: “Não sejam seguidores de padres, mas de Jesus”.

Ao som de canções como “Nossa Senhora”, os milhares de católicos receberam a imagem de Nossa Senhora Aparecida com lágrimas nos olhos.

Antes do show de encerramento de Manzotti, o arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira da Rocha celebrou uma missa

O show  “O amor restaura”, encerrou a noite.

Estiveram presentes ao evento o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, o senador José Agripino e os deputados estaduais José Dias e Carlos Maia.

Fotos Elias Medeiros

   
 

   

   

9 de agosto de 2015 às 6:58

Senador José Agripino participa do evento religioso em Natal [0] Comentários | Deixe seu comentário.

O senador José Agripino participou do evento religioso que marcou a chegada da imagem de Nossa Senhora de Aparecida ao Rio Grande do Norte ao lado do Padre Reginaldo Manzotti. O “I Evangelizar é Preciso Natal” faz parte do projeto Sintonia do Bem e aconteceu na Arena das Dunas.

Manzotti encerrou o evento comandando o show “O amor restaura”.

“Estou impressionado com a multidão e feliz por participar de um evento desse porte onde o propósito é legitimo: a evangelização. Além disso, os fieis estão dedicados na missão de arrecadar recursos para a migração da Rádio Rural de AM para FM”, disse Agripino que esteve no evento acompanhadobda mulher, Anita Catalão.