Thaisa Galvão

24 de março de 2016 às 18:20

Dilma diz a jornalistas estrangeiros que não vai renunciar [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Da Folha:
Impeachment deixaria ‘cicatrizes’, diz Dilma à imprensa estrangeira
Em entrevista a seis veículos estrangeiros nesta quinta (24), a presidente Dilma Rousseff voltou a negar a possibilidade de renunciar, falou em golpe, e afirmou que não há base legal para a aprovação de seu impeachment pelo Congresso.
“Não estou comparando o golpe aqui com os golpes militares do passado, mas isso [impeachment] seria uma ruptura da ordem democrática do Brasil”, afirmou a presidente, segundo o jornal britânico “The Guardian”.
Ela disse ainda, de acordo com o jornal, que seu afastamento teria “consequências” e deixaria “cicatrizes profundas” na vida política brasileira.
“Por que querem minha renúncia? Por que sou uma mulher fraca? Não sou”, respondeu Dilma, segundo relato do “Guardian”. Ela frisou que aqueles que pedem sua renúncia querem, na verdade, evitar a dificuldade em remover “ilegalmente” do poder um presidente eleito legitimamente.
A petista afirmou, segundo o americano “The New York Times” que vai apelar de todas as maneiras legais possíveis para barrar o impeachment. Segundo ela, há falta de “bases legais” para o processo no Congresso.
Na entrevista, destacou que o pedido de afastamento tem sido conduzido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), envolvido em escândalos de propina e lavagem de dinheiro.
A presidente afirmou ainda que não é “agradável” ser vaiada em protestos nas ruas e disse que não é uma pessoa “depressiva”: “Eu durmo bem à noite”.
LULA NA CASA CIVIL
Os jornalistas estrangeiros questionaram Dilma sobre a nomeação do ex-presidente Lula para ser ministro da Casa Civil. “Lula não é apenas um negociador talentoso, mas entende também todos os problemas do Brasil”, disse a petista.
“Um ministro não está imune a investigação, ele enfrenta a investigação do Supremo”, ressaltou, em referência à acusação de que nomeou Lula para livrá-lo do risco de prisão na investigação da Lava Jato em primeira instância, em Curitiba. “O Supremo não é bom o suficiente para investigar Lula?”, indagou a presidente.
Ainda sobre Lula, Dilma declarou, segundo o espanhol “El País”: “Vamos supor que venha ao governo para se proteger: que proteção mais esquisita, na verdade, porque um ministro não está protegido. Ao contrário, é investigado pelo Supremo Tribunal Federal. E os 11 ministros [do Supremo] não são melhores nem piores que um juiz de primeira instância. O que acontece é que Lula iria fortalecer meu governo, e os partidários do ‘quanto pior, melhor’ não querem que isso ocorra”.
“Agora, lhes digo uma coisa: ou ele vem como ministro ou vem como assessor, de uma maneira ou de outra. Vamos trazê-lo para ajudar o governo. Não há como impedir”, disse a presidente aos jornalistas estrangeiros.
Segundo o “Guardian”, Dilma aparentava tranquilidade na conversa, que durou uma hora e meia. O único momento em que mostrou irritação, diz o jornal, foi quando comentou a divulgação da gravação telefônica dela com Lula, gravada pela Polícia Federal com autorização do juiz Sérgio Moro.
A presidente disse que a “violação de privacidade” infringe a democracia porque invade, na avaliação dela, o direito à vida privada de cada cidadão. Sem citar Moro, Dilma afirmou que um juiz deve ser “imparcial”, sem decidir com “paixões políticas”.
Além de “The New York Times” e “The Guardian”, os outros veículos que a entrevistaram foram “Le Monde” (França), “El País” (Espanha), “Página 12” (Argentina) e “Die Zeit” (Alemanha).

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