Thaisa Galvão

26 de março de 2016 às 23:54

População de Serra de São Bento faz protesto na noite de sábado contra forma de cobrança do IPTU [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Sábado sem aleluia para o prefeito Emanoel Faustino, de Serra de São Bento.

População revoltada com a forma como, pela primeira vez, está sendo cobrado IPTU na cidade.

Os carnês, muitos cheios de erros, foram entregues há uma semana com prazo até este dia 30 para pagar.

E a noite foi de protesto na frente da Prefeitura.

   
 

26 de março de 2016 às 13:59

Prisão da Lava Jato abre 9 vagas [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Coincidência ou não, todas as vezes que a força-tarefa da Lava Jato libera vagas no presídio de Curitiba, uma nova operação é realizada.

Ontem foram soltos 9.

Todos encerravam o prazo da peisão temporária

Mas 9 vagas foram liberadas.

26 de março de 2016 às 13:56

Juiz Sérgio Moro manda soltar 9 presos na operação Xepa [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Do Estadão:
LAVA JATO

Moro solta 9 da Operação Xepa
POR FAUSTO MACEDO
Juiz da Lava Jato revoga prisão temporária de suspeitos de esquema de pagamento de propina e lavagem de dinheiro envolvendo a Odebrecht
O juiz federal Sérgio Moro mandou soltar neste sábado, 26, nove investigados na Operação Xepa, que apura suspeitas de pagamento de propina e lavagem de dinheiro envolvendo a Odebrecht. 

Eles haviam sido presos na terça-feira, 22, na 26ª etapa da Lava Jato em caráter temporário.
O prazo da prisão temporária dos alvos da Xepa vencia neste sábado. Moro não prorrogou a custódia dos nove investigados, mas impôs a eles a obrigação de não deixarem o País. 

Os investigados deverão entregar seus passaportes à Justiça Federal em três dias.
A medida restritiva foi imposta, segundo a decisão do juiz, porque executivos da Odebrecht foram deslocados para o exterior “obtendo refúgio” – de acordo com a força-tarefa, a empreiteira teria mandado funcionários para fora do Brasil com o objetivo de dificultar as investigações.
O juiz da Lava Jato deverá decidir na segunda-feira se envia ou não para o Supremo Tribunal Federal a superplanilha da Odebrecht apreendida na residência do executivo Benedicto Barbosa da Silva Júnior, alvo da Operação Acarajé, deflagrada em fevereiro.

26 de março de 2016 às 13:48

Posto no Oeste do RN está há 2 dias sem gasolina e informação é de que Petrobras não pagou bombeio do navio para o tanque [0] Comentários | Deixe seu comentário.

A quebradeira na Petrobras, provocada pela roubalheira de anos e anos, já começa a atingir pequenos municípios do Brasil afora.

Um empresário dono de dois postos de combustível na região Oeste do Rio Grande do Norte, disse agora ao Blog que está, há dois dias, com seus dois postos sem uma gota de gasolina.

Ele disse que os caminhões-tanque que vem de Ipojuca (PE) para abastecer e Guamaré e levar a gasolina para São Miguel, no Oeste, não estão conseguindo abastecer.

Segundo o empresário, a informação repassada ao seu gerente comercial, é que a Petrobras não está pagando o “bombeio” dos navios para os tanques, daí o abastecimento estar prejudicado.

O empresário disse que postos de várias bandeiras, que compram o combustível à Petrobras, estão passando por este problema.

O pior é que a gasolina que ele precisa para fornecer na região Oeste, já está paga.

26 de março de 2016 às 13:35

Deputado Raimundo Fernandes fecha com lideranças do Oeste filiação ao PSDB [1] Comentários | Deixe seu comentário.

Escolhido líder do PSDB na Assembleia Legislativa, o deputado Raimundo Fernandes começou a juntar aliados no interior para ae filiar ao partido.

De São Miguel, sua principal base, Raimundo já conseguiu fechar com o ex-prefeito de Encanto, Doutor Neto (PROS); com Xavier Pneus (PTB), de Pau dos Ferros; com Célio Pinica Pau (PP), de Venha Ver; com Faustinho (PROS) de Serra Caiada; com o prefeito de Coronel João Pessoa, Pachica (PR); e com o ex-deputado e conselheiro aposentado do Tribunal de Contas, Alcimar Torquato (PROS).

Segundo Raimundo, todos se filiarão ao PSDB.

26 de março de 2016 às 13:22

Lava Jato vai investigar obras do estádio Nacional de Brasília [1] Comentários | Deixe seu comentário.

Da coluna Painel FC, na Folha:

  

26 de março de 2016 às 13:14

Lava Jato quer revelar “santo” do governo Alckmin em 2002 [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Da Folha:
Manuscrito sugere cartel e 5% para ‘santo’ em obra de governo Alckmin
GRACILIANO ROCHA

DE SÃO PAULO
Anotação apreendida pela Lava Jato com o executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Jr. sugere formação de cartel e pagamento de propina em obra do governo de São Paulo, em 2002.
O manuscrito menciona “acomodação de mercado” para incluir empreiteiras que perderam a licitação da duplicação da rodovia Mogi-Dutra e menciona suposto pagamento de 5% do valor do contrato para o “santo” -o que seria referência a propina.
Na época, o governador era, como agora, Geraldo Alckmin (PSDB).
O papel integra o item nº 53 do auto de apreensão da fase Acarajé da Operação Lava Jato que vasculhou o escritório no Rio de BJ, como o executivo é conhecido no mundo empresarial.
No mesmo local, foram apreendidas as planilhas citando supostos repasses do conglomerado a mais de 300 políticos de todo o país.
Na anotação aparece, logo abaixo do nome da estrada “valor da obra = 68.730.000 (95% do preço DER)”.
Logo abaixo: “custos c/ santo = 3.436.500”. A palavra “apóstolo” foi rasurada e substituída por “santo”.
Em fevereiro daquele ano, um dia depois da abertura dos envelopes, o deputado estadual Luís Carlos Gondim (então PV, atualmente no Solidariedade), que tem base eleitoral na região de Mogi das Cruzes, anunciou o resultado da licitação vencida pela Construtora Queiroz Galvão, com o menor preço (R$ 68.678.651,60).
Na abertura dos envelopes em 2002, a Andrade Gutierrez, a OAS e a Odebrecht apresentaram propostas acima de R$ 70 milhões e foram derrotadas.

INDÍCIO DE CARTEL
Propostas apresentadas pelas perdedoras tinham pequena variação entre si. A diferença entre o valor apresentado pela Andrade Gutierrez (2º lugar), pela OAS (2ª) e pela Odebrecht (5ª) foi, respectivamente, de 0,6 e 2,5 pontos percentuais.
Padrão idêntico levou o Ministério Público Federal a apontar -ainda sem apresentação da denúncia formal- a formação de cartel das empreiteiras para lotear as obras da Petrobras, mediante pagamento de propina.
No mesmo manuscrito encontrado no escritório de BJ, há a anotação “acomodação de mercado” e uma divisão de percentuais da obra entre a Queiroz Galvão, vencedora da licitação, e as perdedoras OAS, Odebrecht e Andrade Gutierrez.
À Odebrecht teria cabido uma fatia de 19% do valor do contrato, ou R$ 11 milhões.

A PARTE DO ‘SANTO’
  
A parte que a Odebrecht deveria dar ao “santo”, registra o papel, seria de R$ 687 mil, em parcelas.
A primeira prestação de R$ 60 mil deveria ser paga no momento da homologação em fevereiro de 2002.
A segunda, do mesmo valor, no momento da assinatura do contrato em março daquele ano. O saldo de R$ 567 mil estava projetado para ser liquidado “nas faturas”, isto é, conforme pagamentos feitos pelo governo durante o andamento da obra.
Como ainda não existe análise dos peritos sobre as anotações e o respectivo cruzamento com desembolsos do governo, não é possível afirmar se as projeções da anotação encontrada com o executivo se concretizaram.

OUTRO LADO
Por meio de nota, a assessoria do governador de São Paulo disse que não faria comentários sobre o manuscrito que indica a ação de cartel e o suposto pagamento de propina na obra de duplicação da rodovia Mogi-Dutra.
“Quem tem que explicar as anotações mencionadas pela reportagem é quem as fez. A licitação para a referida obra foi vencida pela empresa Queiroz Galvão”, diz.
Cópia da anotação, que foi apreendida pela Polícia Federal em fevereiro, foi encaminhada para o órgão de controle interno no governo estadual, segundo a assessoria.
“Como a regra do governo do Estado é a total transparência, o documento foi enviado para apuração da Corregedoria Geral da Administração”, disse a nota.
Procurada, a Odebrecht não quis emitir comentários sobre os documentos apreendidos no escritório de seu executivo. “Os esclarecimentos foram prestados durante as oitivas realizadas pela Polícia Federal”, diz.

26 de março de 2016 às 10:44

Os planos do PMDB [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Os planos políticos do PMDB:

Afastar a presidente Dilma Rousseff…

Empossar o vice Michel Temer na presidência…

Passar o governo a Eduardo Cunha a cada viagem internacional de Temer.
Sobre os planos jurídicos, vale um parêntese antes de qualquer plano:

A Lava Jato segue um caminho sem volta onde quem menos tem força é o Governo.

26 de março de 2016 às 9:37

Para Flávio Rocha, mesmo citado na Lava Jato, mas sem direito à reeleição, Temer seria solução mais urgente para o Brasil [1] Comentários | Deixe seu comentário.

Para o empresário potiguar Flávio Rocha, presidente do grupo Riachuelo, do grupo Guararapes, a troca da presidente Dilma Rousseff pelo vice Michel Temer, seria a redenção do Brasil.

Leia a entrevista concedida à BBC Brasil:

Sem Dilma, retomada dos investimentos seria ‘instantânea’, diz presidente da Riachuelo

Ruth Costas

Da BBC Brasil em São Paulo
  

Presidente da Riachuelo – uma das maiores redes do varejo brasileiro – Flávio Rocha defende que o empresariado do país precisa “sair da toca” sobre suas posições políticas para garantir uma guinada liberal no Brasil – caminho que, na sua avaliação, poderia tirar o país da crise.

Rocha foi um dos primeiros empresários brasileiros a se posicionar abertamente a favor da saída de Dilma Rousseff da Presidência e diz acreditar que, nesse caso, haveria uma rápida retomada dos investimentos na economia real. “Seria instantâneo”, defende. “É o que está acontecendo na Argentina. Não precisou de dez dias para a criação de um círculo virtuoso.”

Otimista sobre um eventual governo Michel Temer, o empresário se recusa a comentar a possibilidade do vice-presidente também ser “derrubado” pela Operação Lava Jato. “Cada agonia em sua hora”, diz.
Defensor de um Estado mínimo, ele acredita que o eleitor brasileiro está cansado do que define como as propostas “de inspiração estatizante ou ligadas a social-democracia” dos partidos tradicionais e está preparado para um projeto pró-livre mercado: “(Hoje) temos trinta e tantos partidos, mas nosso cenário político é mais ou menos como aquele livro: cinquenta tons de vermelho e cor-de-rosa”.

Confira abaixo a entrevista que ele concedeu a BBC Brasil sobre a crise política:

BBC Brasil – O senhor tem se posicionado a favor do impeachment, mas mesmo se o afastamento da presidente for aprovado, há incógnitas sobre a estabilidade de futuros arranjos políticos. Não é arriscado assumir uma posição nesse cenário incerto?

Flávio Rocha – Acho que estamos em uma troca de ciclos que implicará em uma mudança no papel do Estado no Brasil. Encerramos um triste ciclo de mais uma tentativa de usar o Estado como indutor do desenvolvimento, que no mundo todo só gerou empobrecimento e desemprego. E há condições para uma virada de página em direção a um modelo pautado pelo binômio democracia e livre mercado, que é como se consegue a prosperidade.

O eleitor brasileiro está mais maduro, o que favorece a virada. Está deixando de ser um eleitor súdito para ser um eleitor cidadão, que vê o Estado mais ou menos como sua operadora de telefonia ou TV a cabo: um prestador de serviço do qual deve ser cobrado eficiência e baixo custo. Esse será o estopim da mudança, que pode acabar com esse Estado gigantesco, hipertrofiado, um Estado de 40% do PIB que existe para garantir os seus próprios privilégios.
O novo ciclo será marcado pela busca do Estado prestador de serviço e eficiente.

Mas esse novo modelo pressupõe um empresariado mais protagonista. Os que investem e dão empregos serão uma liderança necessária nesse processo. Quando eu me posicionei, há algum tempo, realmente pouquíssimos empresários tinham se manifestado. Mas vejo com muita alegria cada vez mais lideranças empresariais conscientes de seu novo papel “saindo da toca”.

BBC Brasil – Temer foi citado pela Lava Jato. O presidente da Câmara e do Senado também são investigados. Até que ponto um impeachment de Dilma é o fim da crise?

Rocha – O impeachment vai significar o fim desse ciclo que eu acabei de mencionar. Temer tem grande habilidade política e seria capaz de dar um propósito (ao governo) e criar homogeneidade de ação no Congresso. O PMDB tem um plano de governo que acredito ser a síntese das medidas mais urgentes para o Brasil hoje – o Ponte para o Futuro. Tenho a impressão de que, com o compromisso de não ser candidato a reeleição, Temer vai fazer do seu grande projeto de vida colocar em prática essas medidas e garantir a transição. Seria um legado excepcional para o próximo presidente.

BBC Brasil – Mas há a incógnita da Lava Jato. E se o escândalo derrubar Temer?

Rocha – Cada agonia na sua hora. O fundamental agora é reconhecer que o pior cenário seriam três anos com o transatlântico à deriva. O atual governo não tem condições de liderar o processo de reconstrução nacional. Uma virada de página seria um alento, uma esperança.

Mas devemos lembrar quão terrível foi aquele período da história argentina em que havia uma troca intensa na Casa Rosada. No domingo almocei com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ele me disse que teve uma semana em que ligou três vezes para a Argentina para dar os parabéns ao novo presidente. Esse seria um cenário bastante aterrador também.

BBC Brasil – Um eventual governo Temer teria incentivos para fazer um ajuste fiscal duro, como defendem os mercados, em ano de eleição?

Rocha – O Ponte para o Futuro explicita isso e acho que ajuda o fato de não haver a tentação eleitoral. Como disse, a grande motivação dele deve ser entrar para a história tirando o Brasil do atoleiro, assumindo as medidas amargas que o momento precisa.

BBC Brasil – Segundo institutos de pesquisas, se houvesse eleições hoje, a vencedora seria Marina Silva. Como o senhor vê isso?

Rocha – Não vejo a Marina comprometida ou personificando esse novo desenho de Estado sobre o qual falei. Acho que existe ainda um “recall” muito forte da exposição e performance que ela teve na campanha presidencial. E um desgaste de outros candidatos pelas citações na Lava Jato.

BBC Brasil – O mercado financeiro parece animado com a possibilidade de uma saída da atual presidente. Como empresário do varejo, que efeito acha que isso teria nos investimentos na economia real?

Rocha – Seria instantâneo. Bastaria uma troca da sinalização. É o que está acontecendo na Argentina. Não precisou de dez dias para a criação de um círculo virtuoso. A partir do momento que você sinaliza que está entrando em campo um governo que entende as delicadas engrenagens do livre mercado e vai colocar a sua sabedoria a favor do desenvolvimento, o fluxo de investimentos se reestabelece e a confiança desabrocha.

BBC Brasil – Como assim? Basta a presidente sair que os empresários voltam a investir? O senhor vai abrir mais lojas se a Dilma cair?

Rocha – Não. Acho que a gente volta ao patamar anterior de crescimento. Quebramos nosso recorde de investimentos no ano passado. Mas tiramos o pé do acelerador Agora a ordem é proteger o caixa, porque a gente não sabe por quanto tempo vai ter de prender a respiração nessa travessia. Mas acho que encerrado esse capítulo e iniciado o novo ciclo, o Brasil vai “bombar” de novo. Só pode ser pessimista com o Brasil quem está olhando o curto prazo e toda essa sucessão de equívocos. O próximo ciclo vai ser de um pais normal de livre mercado.

BBC Brasil – A crise política é o principal entrave ao crescimento?

Rocha – A crise política é a consequência. O problema é a falta de projeto. Como o governo vai exigir sacrifício e união do Congresso se dentro do Planalto não há consenso sobre o que fazer. Há até ministro contra a reforma da Previdência.

Qual o projeto de país desse governo? É difícil saber. Talvez até porque isso seja inconfessável, uma coisa ideologizada. Na falta de um sonho para ser construído, fica todo mundo olhando para o próprio umbigo e defendendo o seu.

BBC Brasil – Há quem veja a possibilidade de um ‘cenário italiano’ precipitado pela Lava Jato, no qual um líder populista ou outsider surgiria do colapso dos partidos tradicionais (na Itália, Sílvio Berlusconi assumiu após a Operação Mãos Limpas). Como vê isso?

Rocha – O vácuo que existe na nossa política é de um partido que assuma o ideário de um desenvolvimento via livre-mercado. Temos trinta e tantos partidos, mas nosso cenário político é mais ou menos como aquele livro: cinquenta tons de vermelho e cor-de-rosa. São todos partidos de inspiração estatizante ou ligados a social democracia.

Apenas mais recentemente surgiu o Partido Novo, o primeiro com compromisso com o ideário liberal. Eu tenho a convicção que é esse o caminho para a prosperidade e vejo essa demanda também nos eleitores.

BBC Brasil – Para o senhor, o eleitor brasileiro está cansado da social-democracia?

Rocha – Exato. Acho que o brasileiro se cansou dessa experiência socializante. Nós competimos com países que têm Estados de 12%, 15%, 17% do PIB. Aqui, depois da constituinte era 22%. Hoje temos 37% de carga tributária, com mais 10% de déficit publico.

E o que é social-democracia? Na Rússia, na Revolução de 1917, existiam os bolcheviques que queriam o socialismo pela via violenta e os mencheviques, que queriam pela via democrática. Os primeiros prevaleceram e tomaram o poder pela força e os últimos deram origem a social-democracia. Mas eles queriam a mesma coisa.

O socialismo fracassou em todas as ocasiões em que foi testado. Mas, como disse o Gustavo Franco (ex-presidente do Banco Central), é como o vampiro da meia-noite: ressuscita quando menos se espera, com outras roupagens. Há alguns anos ressurgiu na América Latina travestido de socialismo bolivariano e fez esse estrago no continente.

BBC Brasil – Há uma social-democracia forte na Europa, com relativo sucesso.

Rocha – Muita gente cita os países escandinavos como social-democracia. São países que foram muito prósperos enquanto eram capitalistas, se transformaram em social-democracia e estagnaram. É o capitalismo democrático que gera prosperidade porque liberta o espírito gerador de riqueza natural do ser humano.

BBC Brasil – A crise de 2008 não mostrou que o mercado com muito poder e pouca regulação também pode trazer problemas?

Rocha – Não defendo o Estado inexistente. Defendo o Estado mínimo, com uma atuação na regulação mínima. O mercado é como um cão farejador, que tem um faro mais apurado que o do ser humano. O bom caçador usa isso para encontrar seu caminho, mas não é o cachorro quem manda.
  

BBC Brasil – E a corrupção no setor privado? A própria Lava Jato revelou que também há empresários corruptos.

Rocha – Tem empresários e empresários. Não confunda Flávio Rocha, um empresário de mercado que acorda de manhã e calcula como produzir um vestido ao melhor custo para a dona Maria, com o empresário que acorda e se pergunta para quem tem de dar propina para conseguir uma obra pública ou fazer uma plataforma de petróleo superfaturada. São duas coisas diferentes: o empresário de mercado e o empresário de conluio, que é o câncer desse estado hipertrofiado. Um fator de aumento da corrupção do Estado já tão corrompido.

A livre concorrência ajuda a acabar com a corrupção. Por exemplo, se eu tiver na Riachuelo um comprador de gravatas corrupto que tenha feito um acerto com o fornecedor, a gravata será mais cara e a Riachuelo vai perder participação no mercado. Isso não acontece na Petrobras.

BBC Brasil – O senhor defende que papel para o Estado?

Rocha – Um país como o nosso precisa de um Estado de 20% a 25% do PIB. Na última década, 18 pontos percentuais de economia informal se formalizou no Brasil. Isso ajudou a elevar a produtividade desses setores, mas também houve um repasse maior de dinheiro para o setor mais ineficiente do pais – o estatal. Se lá atrás tivéssemos colocado um freio na participação do Estado no PIB e aproveitado essa maior receita para reduzir as alíquotas (de impostos) não tenho dúvidas que a China seria aqui. Estaríamos crescendo.

BBC Brasil – De onde cortar nos gastos públicos?

Rocha – Por exemplo, no meu estado, o Rio Grande do Norte, o grande escândalo agora é que há quase 3 mil funcionários (públicos) fantasmas, com salários que chegam a R$ 60 mil. Isso quebra definitivamente a crença de alguns de que o Estado seria um Robin Hood que pega dos ricos para distribuir aos pobres. É o Robin Hood às avessas. Tira de uma população extremamente pobre, como a do Rio Grande do Norte, para alimentar marajás.

26 de março de 2016 às 8:49

Odebrecht: tem mais planilhas  [0] Comentários | Deixe seu comentário.

E para quem recebeu e acha que ficou de fora da lista da Odebrecht….

De Radar Online:
Planilhas com apelidos na Odebrecht são só o começo
Por Vera Magalhães

  
As planilhas com os apelidos dos políticos apreendidas na Odebrecht são só o começo. 

Há muitas outras indicando mais pagamentos a todo o espectro partidário nacional.

26 de março de 2016 às 8:40

Marqueteiros que admitem caixa dois nas campanhas políticas fogem do ramo com medo da cadeia [0] Comentários | Deixe seu comentário.

D’O Globo:

  

POR MARIANA SANCHES

  

SÃO PAULO — A amigos, o marqueteiro Duda Mendonça tem dito que cansou de ser o “Judas”. Luiz Gonzalez, que comandou campanhas presidenciais para os tucanos, comenta em seu círculo que já não tem mais idade para essas “gincanas”. João Santana, artífice da reeleição de Lula e das duas eleições de Dilma, está atrás das grades, indiciado pela Polícia Federal e tentando defender-se das acusações de ter recebido dinheiro desviado da Petrobras como pagamento pelos seus serviços nas campanhas petistas.
Mesmo que estivesse livre, Santana cogitava um ano sabático, fora do Brasil. A saída de cena dos “magos” do marketing político, como são chamados com misto de admiração e escárnio no meio, não é fenômeno isolado. Além deles, dentre os oito profissionais experientes do mercado ouvidos pelo GLOBO, seis garantiram que recusarão esse tipo de trabalho. A explicação para a debandada é dupla: a nova legislação eleitoral, que proibiu doações empresariais e estabeleceu limites de gastos, e a Operação Lava-Jato. As duas circunstâncias combinadas devem mudar a cara do horário político.
— Tenho filho pequeno, se passar 15 anos preso, não o vejo – afirmou um marqueteiro que fez campanhas importantes no Nordeste.
Ele saiu do jogo. E explica:
— Se eu negar dinheiro não contabilizado, eles acabam nunca pagando pelos serviços. É um risco que eu não pretendo mais correr.
Quando Duda Mendonça admitiu, no bojo do processo do mensalão, ter recebido dinheiro ilegal pela campanha do ex-presidente Lula, em 2002, havia uma expectativa de que esse tipo de crime eleitoral fosse abandonado.
A repercussão do caso, no entanto, não impediu que o caixa dois continuasse. A mulher de Santana, Mônica Moura, depois de presa pela Lava-Jato, reconheceu que pagamentos feitos em dólar pela empreiteira Odebrecht eram recurso não contabilizado de campanhas na Venezuela e em Angola. Mônica disse que o casal recebia recursos de caixa dois apenas quando os clientes exigiam tal condição. A suspeita dos investigadores é que Santana tenha recebido por fora da Odebrecht também nas campanhas petistas, e nos documentos apreendidos aparecem pagamentos a pelo menos mais dois publicitários.
— Qualquer pessoa que trabalhe no meio há algum tempo recebeu em caixa dois. Não dá pra negar — afirma outro profissional.
Mesmo os mais cautelosos com contabilidade não tem como saber de onde vieram os recursos.
— Está todo mundo com medo. De repente vai parecer que aquele dinheiro que você recebeu lá atrás foi desviado da Petrobras — diz um renomado marqueteiro.
Outro elemento a empurrar para fora do mercado os grandes profissionais é a questão financeira. Além de estabelecer um teto para os gastos — em 70% do máximo empenhado pelo candidato que mais gastou no pleito para cada cargo —, as regras eleitorais que passarão a ser aplicadas a partir deste ano vedam a doação de empresas. Apenas pessoas físicas poderão dar dinheiro às campanhas – e a contribuição não poderá superar 10% dos rendimentos declarados do doador. Diante disso, a conclusão dos profissionais é uma só: vai faltar dinheiro.
— Campanha é cara. Requer estrutura para emprestar milhões para o candidato em equipamentos e dinheiro, que são pagos meses depois de concluído o serviço. E está embutido no preço o risco do calote — afirma um marqueteiro.
No meio, ninguém acredita que as doações de pessoa física serão capazes de satisfazer as expectativas de ganho dos profissionais. Em tom de chacota, um ex-integrante da campanha de Marina Silva em 2010 conta que a candidata investiu R$ 4 milhões para criar um sistema de doações on-line. Com a ferramenta pronta, arrecadou apenas R$ 140 mil.
No cálculo dos profissionais, para ganhar o que receberam por campanha nas últimas eleições, vai ser preciso assumir trabalho com quatro ou cinco candidatos.
— Vai ter muito amador e iniciante. Podemos ver coisas interessantes, nos moldes uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, mas no geral as campanhas tendem a ser toscas — diz um publicitário que afirma temer que a população acabe mal informada.
Por outro lado, há quem espere mais transparência sobre quem são e o que pensam os candidatos. Seria impossível, no novo cenário, repetir a façanha de João Santana com Dilma. Os publicitários são unânimes em dizer que esse foi um caso em que quem ganhou a eleição foi o marketing, não o partido.
*
Do Blog – Sem as polpudas doações por empresas, e com o temor de pessoas físicas encolverem seus nomes num universo que tem jogado na lama muitos nomes grandes no Brasil, as campanhas políticas terão que se reinventar.

E a fiscalização terá que ser mais intensa sobre gastos de campanha, principalmente por candidatos que disputarão reeleição, e tem na mão uma caneta pública cheia de tinta.

Quem está no cargo e vai buscar reeleição, deve ficar ciente que será muito vigiado. Tanto pelos órgãos de fiscalização, que deverão estar mais atentos do que nunca, como pelos adversários, que deverão focar suas campanhas muito mais no adversário que está no cargo do que em propostas.

Até porque todo mundo sabe que todo mundo sabe que ninguém acredita em propostas-promessas de campanha.

26 de março de 2016 às 8:03

Para coordenador da Lava Jato, foro privilegiado fere igualdade e protege quem devia zelar pela sociedade [0] Comentários | Deixe seu comentário.

D’O Globo de hoje, entrevista com o procurador da República Deltan Dallagnol, que coordena a operação Lava Jato no Ministério Público Federal:

  

SÃO PAULO – Para o coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato, Deltan Dallagnol, o país vive um momento maniqueísta, com polarização política dividindo a sociedade entre “nós e eles”. Procurador da República desde 2002, aos 36 anos ele comanda a equipe responsável pela maior investigação de combate à corrupção na História do Brasil.
Em entrevista exclusiva ao GLOBO, o procurador afirma que o foro privilegiado fere a igualdade e “dificulta ou impede a investigação dos que mais deviam zelar pelo bem da sociedade”.

Depois da operação contra o ex-presidente Lula, a Lava-Jato passou a enfrentar pela primeira vez resistência significativa de uma parcela da sociedade. Como vocês avaliam este momento?

Vivemos em um ambiente polarizado politicamente, o que se soma a uma tendência humana maniqueísta de dividir pessoas entre “bons e maus”, “nós e eles”. Entretanto, com o avanço das investigações e o conhecimento das provas, acreditamos que a sociedade como um todo perceberá que houve crimes gravíssimos e que estes devem ser punidos segundo as regras da lei em uma sociedade realmente republicana e democrática. É natural enfrentar as resistências ao longo das apurações. Grande parte dos investigados que resistiram e juraram inocência, no início da investigação, hoje reconhecem os crimes e colaboram com a Justiça. Investigados têm um instinto natural de autoproteção. Nosso único compromisso é com o interesse público e o único propósito é produzir justiça. Aliás, para garantir a transparência desse caso tão sensível, a fim de que a sociedade tenha amplo acesso às informações, evitando o desvirtuamento de fatos, criamos o primeiro site de um caso criminal no Brasil, que já conta com mais de um milhão de acessos e onde todo cidadão pode conferir as acusações e suas provas.
  

Uma crítica à força-tarefa é a falta de investigação em gestões anteriores.
Essa crítica não tem o menor sentido para quem tem um mínimo de conhecimento jurídico. Não é viável investigar fatos tão antigos por duas razões. Em primeiro lugar, fatos praticados há mais de doze anos estão, na prática, prescritos, ou seja, é como se o crime fosse cancelado pelo decurso do tempo. Nosso sistema tem muitas brechas que devem ser fechadas, uma das quais é um sistema de prescrição leniente. Em segundo lugar, a investigação de fatos tão antigos não tem viabilidade prática, porque a guarda de documentos fiscais ou bancários não alcança tanto tempo. A lei exige que dados fiscais, por exemplo, sejam guardados só por cinco anos, o que libera as empresas de guardarem os documentos que embasam os lançamentos e colocaria empecilhos significativos à investigação. Dentro de um contexto de recursos humanos e financeiros limitados do Estado, devemos orientar os esforços investigativos sobre fatos que tragam um resultado útil para a sociedade. Além disso, a crítica não tem o menor sentido quando observamos o objeto das investigações e como funciona o sistema de nomeações de cargos federais. Os postos de direção de órgãos e estatais são entregues a pessoas indicadas pelo partido do governo ou a aliados, e não à oposição. Por isso, nos últimos 13 anos, a Petrobras, assim como as demais estruturas federais, esteve sob o comando dos partidos que dão sustentação ao governo e, havendo corrupção, é natural que esteja ligada a essas agremiações. Surgindo qualquer linha investigativa de que esse mesmo esquema investigado também beneficiou outros partidos, evidentemente, isso será objeto de investigação com igual rigor.

A Operação Lava-Jato completou dois anos. Qual é o balanço da operação?
A Lava-Jato comprovou um esquema bilionário de corrupção desenvolvido por príncipes do empreendedorismo e da política, os quais estão sendo levados a um julgamento justo perante nossos tribunais. Por meio do emprego de estratégias de investigação que incluem a colaboração premiada, cooperações internacionais, buscas e apreensões e a análise de big data, foram reunidas provas consistentes que embasaram acusações contra 179 pessoas por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, incluindo empresários, políticos, funcionários públicos e lavadores de dinheiro. Os prejuízos descobertos são estimados em até R$ 29 bilhões pelo Tribunal de Contas da União, e em até R$ 42 bilhões pela Polícia Federal. Já foram propostas ações para cobrar R$ 22 bilhões e já foram recuperados aos cofres públicos R$ 3 bilhões. Para se ter um parâmetro, o caso anterior que mais recuperou, de meu conhecimento, não atingiu R$ 70 milhões. Na linha do mensalão, avançou-se para romper um paradigma de impunidade, mas a vitória não virá se não avançarmos com a mudança das condições que, hoje, favorecem, e muito, a corrupção no Brasil.

Para onde a Lava-Jato vai?
Há muito por fazer. Já acusamos criminalmente cerca de um terço dos esquemas dentro da Petrobras, sem considerar outras áreas ainda totalmente inexploradas. Novas colaborações e contas encaminhadas por autoridades estrangeiras poderão revelar um sem-número de novos crimes. Isso tudo torna improvável colocar um ponto final na Lava Jato dentro de um horizonte próximo de tempo. Mais importante, entretanto, do que a descoberta e comprovação de novos fatos, é a mudança das condições que favorecem a corrupção. A corrupção é um mal histórico, sistemático e apartidário de que padece nosso país. Já sabíamos disso antes da Lava Jato, mas ela colocou esse monstro assustador, em carne e osso, em nossa frente. Ela tornou palpável que a corrupção desvia bilhões que afetam nossa vida, retirando do cidadão brasileiro o hospital, o remédio, a escola, o ensino de qualidade e a segurança a que ele tem direito. Gerou uma consciência a respeito da gravidade desse câncer que suga energias e recursos que poderiam minorar outros problemas sociais, abrindo uma oportunidade histórica para mudanças. Cabe a todos nós, contudo, aproveitar essa oportunidade. As 10 medidas contra a corrupção, que serão levadas ao Congresso Nacional no próximo dia 29 para se tornarem um projeto de iniciativa popular, após receberam apoio por meio de mais de 2 milhões de assinaturas, constituem um importante passo nessa direção.