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Thaisa Galvão

9 de janeiro de 2019 às 0:52

Para Cláudia Santa Rosa, com os melhores alunos nos IFs e a rede municipal sem investimentos, ensino médio do RN continua aparecendo mal no IDEB [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Da professora Cláudia Santa Rosa, que atuou até o final de dezembro como secretária de Educação do Estado:

 

O ensino médio do RN

 

Têm sido comum algumas abordagens sobre o ensino médio da rede estadual do RN, comparando-o ao ensino médio dos excelentes institutos federais (IFs).

Ora, não podemos esquecer de um detalhe básico: o IFRN leva os melhores estudantes, anualmente, para suas unidades.

Leva os mais preparados, inclusive da rede particular, por meio de disputado processo que seleciona e classifica “os que sabem mais” para preenchimento das suas vagas.

Mantidos com recursos federais, os IFs conseguem oferecer o ensino compatível com o valor pomposo de seu custo-aluno, infinitamente superior ao valor investido no aluno da rede estadual. Sendo assim, com todo respeito, os institutos federais têm obrigação de ser excelentes, de norte a sul do país.

Atentemos: na Rede Estadual ficam os demais jovens, de formação insuficiente para ingressar nos disputados IFs ou os ótimos que residem distantes de uma das unidades.

Ainda bem que existe uma rede estadual que universaliza a oferta, que inclui os que a procura, a rede que não é excludente quanto ao acesso e que precisa de mais estrutura e mais qualidade para garantir o direito à educação dos que dela dependem e a tem como única opção.

Convém não esquecermos, ainda, que o ensino médio da rede estadual recebe estudantes não somente das escolas estaduais, a maioria é oriunda de escolas municipais.

Como vemos, melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do ensino médio não depende apenas da rede estadual, mas do fortalecimento do regime de colaboração com os municípios, naquilo que é o essencial.

Convém indagar: como se esperar IDEB alto no ensino médio estadual se os avanços não ocorrerem desde o ensino fundamental em toda rede pública?

Finalmente, precisamos atentar para um aspecto importante: o ensino médio do RN sempre foi o último ou penúltimo do ranking elaborado a partir do IDEB.

Durante 10 anos – 2005 a 2015 – o RN oscilou entre o último e o penúltimo lugar.

Fala-se em terceiro pior com tom de espanto: “como se deixou o estado do RN ser o terceiro pior ensino médio do país?”.

Essas pessoas desavisadas se referem à edição de 2017, justamente a que houve avanço, ainda que tímido.

Falam como se o estado já tivesse alcançado posição melhor e em 2017 tivesse despencado para o terceiro lugar, de baixo para cima.

Um equívoco!

Além dos projetos de formação e acompanhamento que estão em curso para fazerem frente à situação delicada que muitos vibram ao propagar, decorrente de uma história de pouca atenção ao ensino potiguar, é preciso falarmos em escolas técnicas e escolas de tempo integral, do ponto de partida que o RN se encontra: a rede estadual já conta com 40 escolas de ensino médio e 20 de ensino fundamental em tempo integral, além de 62 unidades ofertando ensino técnico.

Portanto, estamos a falar de um problema que há dois anos vem sendo tratado com a atenção merecida pelos que fazem a educação potiguar – do órgão central às escolas – por meio de estratégias sustentadas por programas, projetos e ações claramente definidas, à luz do Plano Estadual de Educação.

Cláudia Santa Rosa

Janeiro de 2019

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