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Thaisa Galvão

27 de janeiro de 2019 às 21:24

Com quase meio século ininterrupto de vida pública, Garibaldi Filho ficará sem mandato pela primeira vez a partir de sexta-feira [1] Comentários | Deixe seu comentário.

Quase 50 anos ininterruptos com um mandato – de deputado estadual, prefeito de Natal, governador do Rio Grande do Norte e senador – Garibaldi Filho encerra o terceiro mandato de senador na próxima sexta-feira para exercer o papel que ele nunca aprendeu, em quase meio século de vida pública: o de político sem mandato.

A derrota sofrida nas urnas no dia 7 de outubro passado não era novidade para o político que ganhou quase todas as eleições.

Quando disputou o governo do Estado em 2006 e perdeu para a governadora reeleita Wilma de Faria, Garibaldi levou o que os adversários chamaram de “surra de saias”, pelo fato de ter sido derrotado por uma mulher.

Mas ao contrário de agora, Garibaldi saiu da derrota direto para Brasília, para cumprir mais 4 anos de seu mandato de 8 anos de senador.

Mandato que repetiu em 2010 e que encerra na sexta-feira.

Diferente de 2006, Garibaldi deixa a derrota e vai para casa.

Evitando entrevistas, o senador se despediu do mandato neste domingo com um artigo publicado no jornal Tribuna do Norte, que ele intitulou de “Missão Cumprida”, dando a entender que parou por aqui

Mas, lendo o artigo do ainda senador, a impressão que dá é que o título bem que poderia ser “Missão cumprida até agora”.

Nas entrelinhas, o futuro do político Garibaldi, ainda está por vir.

Confira o artigo assinado pelo jornalista, ex-deputado estadual, ex-prefeito de Natal, ex-governador do RN, e daqui a 5 dias, ex-senador.

MISSÃO CUMPRIDA

Às vésperas de encerrar meu terceiro mandato como senador da República, posso dizer que durante minha trajetória política procurei honrar os compromissos que assumi com o eleitor potiguar.

Também me orgulha o fato de sempre ter colocado o Rio Grande do Norte em primeiro lugar, de forma suprapartidária. Em qualquer luta a favor do estado, eu sempre estive no pelotão de frente.

A causa do povo potiguar é – e continuara sendo – a minha bandeira de luta. Minha prioridade nunca foi o individual, o particular; mas o coletivo.

Nunca fui um político escondido em castelos ou iludido com o poder.

Dediquei a maior parte da vida em servir ao povo.

Meu lado sempre foi um só: o do eleitor, a quem representei em diversos cargos e missões.

Minha biografia não tem capítulos de traição, ódio, mentira ou escândalos. Muito pelo contrário. A vida que vivi exibe,sem retoques, o meu desejo de servir ao próximo.

Foi olhando para o ser humano que criei programas como o do leite, destinado a crianças, gestantes, nutrizes e deficientes físicos.

Também foi pensando em matar a sede do sertanejo que desenvolvi um programa de adutoras que obteve reconhecimento mundial. Acredito que as melhores obras e iniciativas são aquelas que beneficiam a mais gente que necessita do amparo do Poder Público.

O sucesso destas iniciativas pude ver na face das mães, quando recebiam o leite que poderia fazer a diferença na preservação da vida de seus filhos, ou do pai que testemunhava água boa e farta jorrando da torneira de sua casa.

Como senador, presidi o Congresso Nacional em um dos momentos mais complicados da história do país.

Fui bem-sucedido na tarefa de apaziguar os ânimos e devolver a instituição à sua rotina de sensatez e trabalho pelo Brasil. Depois, fui convidado para descascar o abacaxi da Previdência.

Em quatro anos como ministro, o número de contribuintes empreendedores individuais foi ampliado em seis vezes e foi oferecida às donas de casa o direito aos benefícios previdenciários.

Também melhoramos o atendimento, construindo prédios novos em todoo país, sendo 28 apenas no Rio Grande do Norte.

Nos últimos anos, transformei a tribuna do Senado em trincheira para reverberar os principais problemas que atingiram o Rio Grande do Norte e cobrar soluções às autoridades competentes.

Foi assim com a seca que castigou o sertanejo e feriu severamente a economia do Nordeste.

Mais do que palavras, percorri cada Ministério ou órgão público que podia colaborar para amenizar o sofrimento do povo. Da mesma forma, busquei junto com o governo soluções e alternativas para minimizar a grave crise na segurança pública.

Agradeço a você, eleitor que em qualquer época saiu de sua casa para depositar um voto de confiança em meu nome.

Saiba que não abandonarei a luta em defesa dos interesses do Rio Grande do Norte.

Hoje, me sinto como estes versos de Carlos Drummond de Andrade: “Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”.

Como político, sempre busquei extrapolar os meus limites, na tentativa de trabalhar pelos que mais precisam.

Estou nessa vida há bastante tempo e esse “sentimento do mundo”, essa vontade de ajudar, não se afastou de mim. Pena que eu tenha apenas duas mãos…

27 de janeiro de 2019 às 17:25

João Maia diz em entrevista como o RN pode driblar a crise a partir da privatização de operações com a Petrobras [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Da Tribuna do Norte:

O economista João Maia volta a exercer um mandato na Câmara dos Deputados a partir de primeiro de fevereiro, quando toma posse com os demais parlamentares eleitos e reeleitos. Ele vai exercer o terceiro mandato de deputado federal – os dois primeiros foram entre 2007 e 2015 — e retorna ao Congresso Nacional determinado a defender uma reestruturação do Estado brasileiro.

“As estruturas estatais ficaram tão grandes, burocráticas e ineficientes que e como se a população vivesse para servir ao Estado e não o Estado, a população”, afirma.

Ele também alerta que os políticos do Rio Grande do Norte precisam mudar a estratégia na busca de uma retomada dos investimentos da Petrobras no território potiguar.

Para ele, no lugar de pedir a estatal que recupere o ritmo que já teve no Estado, o caminho é convencer de que o melhor é passar a operação para a iniciativa privada.

“A privatização da operação da Petrobras no Estado pode gerar uma onda de investimento tão forte que resolveria a questão da geração de emprego, de renda e ainda o problema das finanças do Estado”, afirma João Maia.

*

Como está vendo os rumos que a equipe econômica tenta dar ao país neste primeiro mês de governo Jair Bolsonaro?

No Brasil, há um problema principal e outros que, em parte, tem autonomia e, em parte, são derivados desse. Desde 2013, temos recessão ou depressão econômica. Entre 2014 e 2016 o PIB brasileiro caiu quase 8%. Isso, em tempos de paz, é inédito. Como a população cresce quase 0,5% ao ano, significa que o mercado brasileiro ficou 10% mais pobre. Então, é preciso que o país retome o caminho do crescimento econômico. Sem crescimento, a discussão da redistribuição fica vazia. Não estou dizendo que é preciso crescer para distribuir renda. Estou dizendo que não se distribui sem crescimento.

Quais as dificuldades que temos hoje?

O Estado brasileiro, ao longo do tempo, passou por uma inversão. É como se o povo brasileiro e, claro, o do Rio Grande do Norte, trabalhasse para servir ao Estado. As estruturas estatais ficaram tão grandes, burocráticas e ineficientes que é como se a população vivesse para servir ao Estado e não o Estado, à população. Isso tem uma esperteza, porque as elites — sejam empresariais ou dos servidores públicos de todos os poderes — defendem os próprios interesses, como se fossem da população. “Nem um direito a menos”, afirmam. Mas é como se a população pudesse não ter direito à educação de qualidade, à saúde adequada, à segurança publica eficiente.

Então, existe uma organização do Estado que gasta recursos públicos e gera incerteza. A União ainda se financia colocando título da dívida pública no mercado, mas estados e municípios comprometem pagamentos de fornecedores, funcionários e os serviços básicos à população. O país, portanto, tem esse problema maior: um Estado que vive em função dele mesmo, como se fosse uma família imperial.

Como essa situação poderia ser enfrentada?

Nós precisamos equilibrar e racionalizar os gastos do Estado. Isso é precondição para retomar o caminho do crescimento. Então, sem reforma da Previdência, desburocratizaçâo, redução da estrutura estatal, que só falta regular a cor da calça e da camisa… Para que as forças vivas do Brasil, os pequenos, médios e grandes empreendedores façam o país andar e gerar emprego, renda e imposto, é preciso mudar essa situação. Se um “marciano” chegasse ao Brasil e conhecesse o Código de Defesa do Consumidor, os estatutos da Criança e do Adolescente e do Idoso, e tantas estruturas estatais que existem para fiscalizar a aplicação destas normas, acharia que estamos no país mais desenvolvido do mundo, porque essas leis são de uma sofisticação… Mas isso não tem relação com a vida real. A equipe econômica do governo tem consciência de que precisa simplificar, reorganizar as despesas do Estado e passar credibilidade para que os investidores internacionais e nacionais exerçam a vocação ao crescimento econômico acelerado. E. dentro deste processo, corrigir as desigualdades sociais e na distribuição de renda. Digo que é fácil e agradável distribuir ovos. Mas o Brasil está precisando de incentivo para que se crie galinha e tenha, com isso, mais e mais ovos para distribuir. Chegamos a uma situação na qual esta política de engessar o investimento produtivo, em nome de uma política distributiva, até bem intencionada, colapsou. Há governos, como sabemos, sem condições de pagar o servidor, imagine cuidar de educação, da saúde e da segurança.

Pelos primeiros movimentos do governo Bolsonaro, ele demonstra ter condições de fazer essas mudanças?

A intenção é essa… A equipe econômica tem muita autonomia e bons quadros. Fez o diagnóstico de que não temos outro caminho que não seja retomar o crescimento e, para isso, é preciso passar segurança jurídica ao investidor. A insegurança jurídica faz com que o investidor tenha medo de caminhar, porque não sabe o que vai encontrar e qual instância vai impedir o processo de instalação ou ampliação de uma nova empresa. É necessário reduzir essa insegurança e o Estado passar a ser um facilitador do empreendedorismo. Isso não é tirar direito. Não podemos é ter um empreendedor com medo de investir. O Estado precisa ser parceiro de quem gera emprego, renda, paga imposto. No Rio Grande do Norte, para gerar novos empregos dependemos da iniciativa privada. Ou o Poder Público se mostra parceiro ou não haverá emprego, renda e impostos. O Estado precisa cumprir suas atribuições, entre as quais garantir a oferta de uma educação que assegure condições para que as pessoas possam competir em igualdade de condição. A equipe econômica percebeu que é preciso deixar o Estado no essencial. O Banco do Brasil é essencial? Sim, afinal se trata de um grande financiador do agronegócio, tem capilaridade, está em muitas cidades do interior. Mas precisa ter uma agência de turismo como a BBTur e uma corretora de valores? Isso é estratégico para o país? A Petrobras é outro exemplo. Trata-se de uma empresa estratégica, claro. Mas se meteu em tudo o que foi aventura. Então, a nova equipe econômica tem a percepção da necessidade de reduzir o Estado ao que e estratégico.

O senhor acha que esse caso Fabrício Queiroz pode provocar instabilidade política?

Afirmar que não é relevante… Como disse o general Mourão, ele tem sobrenome e isso significa implicações. É preciso ver os desdobramentos, mas sei que existe um sentimento nacional de que está na hora do Brasil andar, dar certo. Mas digo que é desconfortável, desgastante [o caso Fabrício Queiroz para o governo]. Não sei mensurar se isso afeta algum ponto da agenda econômica. Eu me interesso por três pontos: A econômica, para destravar o país; a segurança pública, porque não e possível a gente viver em um país onde praticamente grande parte dos estados é controlada pelo crime organizado; e pela reorganização estatal para acabar com a “judicialização da política e também com a politizaçâo do Judiciário”.

Até onde devem ir as privatizações?

A Petrobras não deve ser privatizada. Os acessórios da Petrobras, sim. A Petrobras foi uma grande aliada do desenvolvimento do Rio Grande do Norte, hoje é um entrave. Por quê? Terceiriza quase toda sua atividade aqui e não é o desenvolvimento e a produção no Rio Grande do Norte que está no foco. Se passa para uma empresa que tenha o Estado como foco, vamos gerar milhares de empregos, royalties e impostos para que o RN se mova. Sempre que as pessoas afirmam que é preciso ir a Petrobras, digo: “Você não entendeu”. A Petrobras fez dezenas de acordos nos Estados Unidos. E olhe para nós, aqui. Faz um acordo para pagar bilhões lá e a ação sobe no outro dia, porque assumiu um compromisso de governança segundo o qual não pode fazer investimento com taxa de retorno abaixo de determinado patamar. Está assinado, acordado. Então, o Rio Grande do Norte deixa de ser prioridade. Se pega uma empresa chinesa, alemã, francesa ou brasileira, que transforme o Estado no foco, podemos ter aqui 8 a 10 bilhões de dólares em investimentos em 4 ou 5 anos, o que tiraria o Rio Grande do Norte de qualquer crise. A Petrobras é essencial. Mas precisa ser dona do gasoduto e de refinarias? Está hoje concentrada no pré-sal e isso é importante, estratégico.

Então quando a classe política e lideranças empresariais do Rio Grande do Norte vão à Petrobras e pedem investimentos direto estão com uma estratégica equivocada?

Eu tenho convicção do que estou falando. Se a classe política arejar a cabeça… Às vezes é difícil mudar uma mentalidade. Eu já fui nestas reuniões para defender a retomada dos investimentos da Petrobras. Mas se a classe política tiver clareza do que é a Petrobras hoje, vai dizer: “Por favor, passe para mãos competentes a operação no Rio Grande do Norte e Ceará, porque temos petróleo que pode gerar uma grande atividade económica”. Os poços em terra no Estado, onde a Petrobras não investe mais, não e o foco dela. Eu até diria que a economia do Rio Grande do Norte não caiu totalmente, porque tem a energia eólica, que não compensa totalmente, mas tem alguma atividade. O Rio Grande do Norte é muito privilegiado em termos de potencial para crescimento.