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23 de novembro de 2009 às 0:28

Qual a influência da mídia na cabeça do eleitor?

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Comentário do publicitário Alexandre Macedo, nos últimos dias da semana passada, na 96FM, durante o diário Jornal das Seis, que vai ao ar às 18 horas.
O que ele quis dizer…e a quem?
Com certeza não foi aos ex-todo-poderosos da imprensa potiguar, Aluízio Alves e Luiz Maria Alves.
Eis:
2010: Dessa vez quem vai ganhar, o eleitor ou a mídia?
Desde que Lula se reelegeu, em 2006, há uma discussão profunda entre os estudiosos da mídia e da comunicação brasileira.
Qual é, na verdade, a influência da mídia na cabeça do eleitor e no resultado das eleições?
Ora, na verdade, a mídia que tanto ajudou Lula a ser presidente do Brasil, tentou, de muitas maneiras, derrotá-lo na reeleição.
Alegava-se de tudo, especialmente o Mensalão, processo político e jurídico que prometia derreter a popularidade do presidente Lula e deixá-lo a mercê do julgamento do povo e dos tribunais.
A mídia, se não toda, mas em boa parte, fez o seu papel investigativo quanto ao principal problema do primeiro governo Lula, mas, também em boa parte, exagerou na dose e achou que com isso influenciaria a maioria dos brasileiros que votariam contra Lula.
Não era uma campanha a favor de Alckmin. Era contra Lula.
As manchetes falavam sobre mensalão, aloprados, cartões corporativos, aerolula, Delúbio, José Dirceu, Genoíno, etc…
Em grande parte da mídia, tudo conspirava contra Lula e a favor da remoralização do país, que viria com o novo governo tucano.
Parecia até uma orquestração, o que sabemos não ser possível, diante da atual fragmentação da mídia.
É verdade que os meios de comunicação se tornaram muito fortes, mas, tiveram de aprender que não comandam a cabeça do eleitor. No máximo, oportunizam aos cidadãos o livre direito à informação. A partir daí, eles é que decidem o que vão fazer com o seu voto. Não é exagero afirmar aqui que depois da reeleição do presidente Lula, houve muita gente da mídia se perguntando: mas o que foi que houve? Isso não é possível.
Muitos donos de veículos e jornalistas se intrigavam com o resultado da eleição, não acreditando ser possível alguém ser vitorioso mesmo depois do impressionante massacre midiático.
Que ninguém duvide: aquele resultado foi uma ducha de água fria em muita gente que ainda se acha grande formadora de opinião.
Isso é história. Não é arremedo de avaliação.
E, por aqui, como a mídia se comporta diante da política?
No Rio Grande do Norte, como deve ser na maioria dos estados brasileiros, o comando das principais empresas de comunicação pertence a políticos ou seus aliados, ou mesmo a políticos e seus aliados, numa mistura pouco produtiva para o fortalecimento da democracia.
Aqui, por exemplo, todas as redes de TV têm como sócios políticos / aliados.
Nas emissoras de rádio, essa influência diminui muito na capital, mas, mesmo assim, ainda é preponderante.
E nos jornais, fora honrosas exceções, os grupos políticos exercem comando direto. Naqueles que não estão no rol dos acionistas reais, podem ser vistos virtualmente, se essa for a opção mais camarada.
Enfim, a opinião publicada, sempre tem uma veia de interesse político por trás.
Mas o detalhe é que, algumas vezes, não é necessário nem ter um veículo de comunicação para ser o destaque nele. É preciso apenas que o veículo simpatizante faça, mesmo que de forma aparentemente discreta, o trabalho pouco jornalístico e nunca em função do leitor e futuro eleitor.
Você quer mais?
Ora, não precisa dizer que fulano ou fulana é uma maravilha. Basta dizer, repetidas vezes, que beltrano, que é ou vai ser adversário de fulana ou fulano, é que não é lá coisa muito boa.
Basta, para isso, abrir, permanentemente, espaço para os adversários de um fazer as críticas desejadas no projeto de outro.
A mídia sabe o poder que tem, afinal as pessoas ainda são muito susceptíveis ao noticiário, especialmente o político. E muito mais quando é pela veia negativa, porque aí quase todos acreditam na denúncia, seja ela verdadeira ou infundada.
Esse é um problema que atinge todos os políticos que não dispõem de veículos próprios ou de aliados poderosos, que, muitas vezes, põem suas máquinas, computadores e impressoras a serviço de seus interesses, ou o fazem de troco aos seus desejos contrariados.
Um detalhe importante é que nem todos os veículos agem por paixões ou interesses políticos, e nem todos os jornalistas se prestam ao sujo papel de tapar a vista para não entender as falsas bandeiras cívicas de seus patrões.
Ainda bem. E por isso, o Brasil nem sempre escolhe o candidato que é melhor para a mídia, e sim, elege o candidato que o povo pensa ser o melhor para o país, o estado ou o município.
Povo esse que tem de prestar bem atenção ao que vê, ouve e lê nas entranhas da mídia, sob pena de acreditar naquilo que é mentira ou até pode ser verdade, mas nem tanto assim.
Mas, acabar com essa arrogância de alguns setores politiqueiros da mídia foi outra vitória de Lula e de seus aliados, inclusive aqui.

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