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9 de agosto de 2010 às 0:00

Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, Ney Fonseca luta por Ministério da Infância

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No almoço tradicional do Dia dos Pais promovido pelo Versailles, neste domingo, a publicitária Larissa Borges lançou a edição especial da revista Versailles, onde a estrela principal foi o médico pediatra Ney Fonseca: o "Doutor Pai", como identificou a revista.

O médico, no batente há 40 anos, concedeu entrevista onde mostra a carência de profissionais no mercado especializados em cuidar de crianças, e como membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, fala da luta da instituição para convencer o próximo presidente do Brasil a criar o Ministério da Infância e da Adolescência. E o primeiro passo já foi dado: no dia 27 de julho, Dia do Pediatra, a SBP concluiu um documento para ser entregue aos presidenciáveis.

Eis alguns trechos das declarações de Ney Fonseca, que foi entrevistado para a revista pelo jornalista Patrício Júnior e pela publicitária Larissa Borges:

-Só fui me decidir pela Pediatria lá pelo quarto ou quinto ano da faculdade. O que foi muito bom pra mim, porque fez com que eu corresse todas as cadeiras e estudasse tudo, sempre com um interesse redobrado. Ao contrário de muita gente que hoje em dia já entra na faculdade de Medicina pensando “eu vou ser cirurgião plástico”, ou “eu vou ser neurocirurgião. Ou seja, já vai com o pensamento tão dirigido que acaba perdendo a visão do geral, aquele preparo geral que um bom profissional deve ter. Hoje a Medicina está se ressentindo muito da figura do clínico geral. Hoje a gente define a Medicina da seguinte maneira: você sabe cada vez mais sobre cada vez menos.

-Frequentemente eu ajudo os pais que vêm com seus filhos ao meu consultório. E esse é um dos aspectos que mais me encantam na Pediatria: quando você atende uma criança, na verdade você está consultandoa família inteira. Você entra nos problemas afetivos e psicológicos da família, até porque eles se refletem diretamente na criança…A Pediatria é isso: você trata não só a criança; você trata a família.

-Eu fui professor da Universidade (UFRN) até o ano passado. Passei 35 anos no Departamento de Medicina e acompanhei este problema (falta de interesse de profissionais pela Pediatria) ficar cada vez mais agudo. Sempre no último ano eu perguntava à turma: quantos pediatras temos aqui? Há 20 anos, quase metade da turma levantava a mão. Os anos foram passando e as mãos foram diminuindo. De uns 10 anos pra cá, tinha apenas um ou dois pediatras por turma. Há uns 2 anos fui fazer a pergunta na sala e só um aluno levantou a mão, mas baixou em seguida. Então eu disse: vai ou não vai? E ele respondeu: é que eu ainda estou indeciso. Uma preocupação da Sociedade Brasileira de Pediatria, da qual sou um dos diretores, é que no bojo disso tudo venha um movimento para preparar pessoas menos qualificadas para cuidar das crianças.

-Nós da Sociedade Brasileira de Pediatria preparamos um documento para ser entregue aos candidatos à Presidência da República, sobre pleitos para a Saúde da Criança. A criança está muito mal assistida em nosso país. O investimento nos idosos é 30 vezes maior do que era na infância. E a gente está querendo reverter isso. Mas sabe por que essa disparidade? Porque criança não vota. Nós estamos pleiteando a criação do Ministério da Infância e da Adolecência. Hoje o Brasil tem cerca de 40 Ministérios, mas nenhum é dedicado exclusivamente à infância. Existem apenas ações pulverizadas em vários Ministérios. Se gasta muito e não se vê resultado. Está na hora da Nação se dar conta de que precisa cuidar das crianças. Hoje o que me dá prazer na minha atividade profissional, além de atender meus pacientes, é participar dessas políticas para a infãncia da nossa sociedade.

-Pretendo trabalhar por mais 50 anos. O trabalho me estimula muito e eu gosto do que faço. A alegria que eu tenho quando curo um paciente é incrível. O pediatra tem uma recompensa que poucos têm: o sorriso de uma criança. É muito sincero.

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