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16 de setembro de 2010 às 11:00

Micarla de Sousa: “Os derrotados de 2008 são os mesmos que serão derrotados em 2010”

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A prefeita Micarla de Sousa reagiu hoje ao surgimento de seu nome na campanha eleitoral do candidato adversário do seu grupo, o governador Iberê Ferreira de Sousa.
Em entrevista ao Blog agora há pouco, Micarla disse achar estranho que a campanha estadual ganhe ares e cores de uma campanha para prefeito.

Micarla de Sousa – Por mais que os temas de governo e município sejam parecidos, não deve se misturar uma coisa com a outra. O que estou vendo é que, em vez de tentar se eleger um governador, se promove um primeiro turno das eleições de 2012, com vários candidatos a prefeito aparecendo nos palanques.

Thaisa Galvão – Você acha que a população entende isso?
Micarla
– A população está acompanhando com perplexidade o massacre que estão fazendo comigo. E essa população que derrotou essas mesmas pessoas em 2008, voltará a derrotá-las agora em 2010. Os derrotados de 2008 serão os mesmos.

Thaisa – E esse massacre que você fala, está sendo feito de qual forma?
Micarla
– Com a falta de apoio à administração municipal, e a retirada de recursos. A população está acompanhando. As pesquisas mostram que aqueles que viraram as costas para Natal, que perseguiram Natal pelo fato de ter escolhido livremente a sua prefeita, aqueles que fecharam as torneiras, inclusive nacionais, estes estão sendo julgados, e no final das contas, estes é que sofrerão o massacre maior. O massacre das urnas dói muito mais do que o massacre dos ataques gratuitos e da estratégia de destruir a cidade.

Thaisa – Você tem conversado com a população? Tem ido às ruas? O que tem sentido?
Micarla
– Desde que começou a campanha tenho dedicado minhas noites e finais de semana para fazer política. E tenho mostrado ao povo a estrutura que tem sido montada para destruir Natal. Engraçado que na semana passada, na zona Norte, uma senhora, do alto de sua sabedoria, me abordou e disse: "Prefeita, os que deram um tiro em você, achando que estavam lhe atingindo, não viram que estão se atingindo, e hoje todos estão perdendo em todas as pesquisas". E é exatamente isso o que está acontecendo, basta acompanhar os números de todos os institutos.

Thaisa – E como você vê o resultado dessas eleições? O que você espera?
Micarla
– Acho que vai acontecer o mesmo que aconteceu em 2008. Vamos terminar logo no primeiro turno com uma vitória consagradora da minha candidata Rosalba Ciarlini e dos meus senadores Garibaldi Filho e José Agripino. Sem falar que o PV, partido que eu presido, fará 3 deputados estaduais e conquistará sua primeira cadeira na Câmara dos Deputados.

Thaisa – Então você avalia que as críticas a você serão respondidas com votos? Micarla – A resposta da população a tudo o que estão fazendo contra Natal será elegendo Rosalba no primeiro turno. Porque mais uma vez eles pensam que estão fechando possibilidades para mim, mas na verdade estão fechando possibilidades para um milhão de pessoas. A resposta à maldade e à perversidade será a derrota deles mais uma vez. Os derrotados de 2008 serão os mesmos derrotados de 2010. 

Thaisa – Mas como você avalia a sua administração, e a que você atribui o mau momento que vive?
Micarla
– A crise é generalizada em todos os municípios brasileiros, mas em Natal, a crise é potencializada pela retirada de recursos de nossa cidade. Só de repasses federais e estaduais, estamos perdendo, do ano passado pra cá, 94 milhões de reais. Dinheiro que daria para construir 30 Unidades de Pronto Atendimento da saúde como a que construí em Pajuçara e a que estou construindo na Cidade da Esperança.

Thaisa – Não existe parceria entre governo e Prefeitura?
Micarla
– Olhe um exemplo bem pequenininho: a primeira parcela de ICMS que o governo repassou em agosto foi de 4 milhões de reais. Agora em setembro, a primeira parcela se resumiu a 580 mil reais. Uma queda sem explicação já que não houve queda desastrosa na arrecadação estadual.
Outra coisa: o co-financiamento não está sendo respeitado. A Comissão Bi-partite da Saúde prevê, em seu relatório, que a manutenção da UPA, por exemplo, seja 50% de responsabilidade da Prefeitura e 50% de responsabilidade do governo. Dos 800 mil reais de manutenção mensal, o governo federal manda 175 mil, e o restante teria que ser dividido entre estado e município. Pois sabe quanto o governo do Estado repassou até agora para manter o atendimento de saúde ao povo? Nem um real. Um realzinho sequer.
Outra: a comissão bi-partite da Assistência Social também deliberou a participação do governo do Estado, mas isso não está acontecendo. Se eu fiquei calada? Cansei. Fizemos a denúncia formal aos Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social. As pessoas não podem ser tão irresponsáveis ao ponto de comprometerem uma cidade. 

Thaisa – Então você resolveu que não vai silenciar às críticas?
Micarla
– Se quiserem bater, batam em mim que eu não tenho medo de pancada. Mas faço um apelo, um pedido: não transformem a campanha em um massacre à cidade de Natal. 

Thaisa – Como você se sente tendo que se defender sozinha, já que nem mesmo seus alidos levantam a voz em sua defesa?
Micarla
– Me sinto como o pequeno Davi, tendo que guerrear contra o grande e poderoso Golias. Mas o povo já viu em Natal, que mesmo sozinho, o pequeno Davi derrotou o Golias. Vai ser assim de novo. É assim na vida, você não ganha nada jogando baixo. Ouvi uma declaração de João, meu motorista, e entendi que não é só na política que os pequenos quando são mais massacrados, terminam vencendo a batalha. Ele me lembrou o seguinte: "Prefeita, no Big Brother, os que ganham no final são os que mais foram para o paredão". E eu entendi que essa filosofia não vale só para a política. Vale para a vida.

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