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01/01/2014





Para o advogado Erick Pereira, anos sempre acabam sem metas cumpridas

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Metas estabelecidas para o novo ano. Cumprir ou não cumprir? O tema foi abordado pelo advogado Erick Pereira em seu artigo semanal do Novo Jornal. Eis: RESOLUÇÕES Erick Pereira Calendário prestes a se renovar, planos que insistimos em repetir. Todo fim de ano somos tomados pelas melhores intenções, que se refletem no costume de sinonimizar a palavra plano com resolução - propósito que pode ser estendido à transformação, coragem. Mas, se alguém se dispuser a anotar resoluções de amigos e parentes por ocasião do réveillon, o ano termina sem que os gordos emagreçam, os fumantes parem de fumar, os biriteiros se abstenham, os sedentários se exercitem, os preguiçosos toquem melhor a vida, os perdulários economizem. Tudo como dantes. Eu, incluído. Mudar de vida não é para qualquer um. É difícil se despedir dos hábitos prazerosos e dos velhos equívocos. O que queremos mudar – geralmente, base das nossas resoluções - é uma escolha deliberada que um dia fizemos e que depois paramos de pensar a respeito, embora continuemos a repeti-la automaticamente. Assim como “uma folha de papel ou um casaco, quando vincado ou dobrado, tende a depois cair sempre nas mesmas dobras idênticas”, na poética analogia de William James. Pesquisas otimistas apontam que 10% das pessoas são bem sucedidas no cumprimento das resoluções de fim de ano. Obviamente, tudo depende do contexto, do tipo de hábito, da força de vontade e personalidade de cada um. Parece haver um consenso: parar de fumar é promessa difícil de cumprir. Não é pra menos. Culpa da nicotina, do alcatrão, dos milhares de substâncias tóxicas envolvidas... Segundo os entendidos nas artes das resoluções e das culpas, para facilitar o alcance das metas recomenda-se conscientemente entender o que o hábito a ser mudado procura satisfazer, encontrar alternativas e definir objetivos simples e específicos – perder um quilo por semana, escrever um capítulo por mês, beber menos uma dose por dia... Contar para amigos também ajuda. Estabelecer a meta antes do fim do ano e usar uma abordagem nova e ainda não tentada parece ser providência essencial, donde se conclui que insistir em resoluções antigas pode ser frustrante, principalmente se repetimos táticas malogradas. Mas, se tais estudos de viés pragmático não explicam as razões pelas quais insistimos em programar mudanças ou renovar projetos a cada fim ou começo de ano, os antropólogos creem que a chave está na necessidade que temos de viver em ciclos. Apesar de sabermos que o tempo é linear, a magia do eterno retorno - marca a diferença entre o início e o fim de um tempo ou sequência de fatos e ações - parece nos infundir a esperança de transformação que, por sinal, nunca se satisfaz. Autoengano bem-vindo! E um ano repleto de resoluções e esperanças renovadas.

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