Thaisa Galvão

13 de setembro de 2015 às 9:24

Para ministro da Justiça, não há fatos que justifiquem afastamento de Dilma [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Na contramão do que dizem o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e o ex-ministro da Aviação, Moreira Franco (PMDB), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, diz que o Governo Dilma não tem motivo para não seguir até o fim.

Leia entrevista do ministro n’O Globo:
Para ministro da Justiça, não há razão para Dilma não se manter até 2018

José Eduardo Cardozo acusa a oposição de ‘potencializar’ a crise

por JAILTON DE CARVALHO JÚNIA GAMA
  

BRASÍLIA – O Brasil perdeu o grau de investimento, a inflação está elevada, o desemprego aumenta, o dólar está batendo na casa dos R$ 4. Como se chegou a esse cenário?
Não podemos dar ao cenário dimensão maior do que ele tem. Claro que esse indicador da Standard & Poor’s deve ser considerado, mas ele não é inédito na nossa História. Voltamos ao patamar de 2007. O Brasil tem totais condições de superar. É claro que isso exige esforço do governo, diálogo e formação de alternativa. Claro que tem gente que tem interesse em explorar a crise. Mas assumir a bandeira do “quanto pior, melhor” é nocivo ao interesse público.
Quem tem interesse nisso?
Setores da oposição, lideranças que têm buscado potencializar a crise política com objetivo de tirar dividendos. Desde o dia seguinte às eleições, tivemos pedidos de recontagem de votos, acusações de que as eleições tinham sido fraudadas. Todo dia uma situação nessa linha, até que, sem nenhuma fundamentação jurídica, quer se construir um processo de impeachment. Esse tipo de postura não está voltada ao interesse público.
O senhor e a presidente creem que o governo vai chegar até 2018?
Não há nenhuma razão para que ele não chegue até 2018. Um governo que foi eleito democraticamente, só pela via democrática poderia deixar de ser governo. Num sistema presidencialista, é preciso algum fato que justifique o processo de impeachment. Um fato que não existe e não existirá, porque não há nada que possa ser imputado à presidente. Algumas lideranças querem investir na crise para tirar dividendos políticos, partidários e pessoais. Acho triste que pessoas, num momento de crise, apequenem-se.
Foi pedida abertura de inquérito para apurar a conduta do ministro Edinho na campanha presidencial. Como isso pode afetar a presidente?
Não afeta. Aquilo que foi divulgado e que teria ensejado a abertura do inquérito do ministro Edinho não pode ser minimamente imputado à presidente, e me parece de uma inconsistência cabal. Se uma pessoa faz uma notícia de possível irregularidade, abre-se um inquérito. Isso é normal. Não significa denúncia, condenação nem imputação à presidente. Estamos a anos-luz da imputação de algum delito à presidente. Algumas pessoas tentam maximizar isso quando lhes interessa. Mas vejo também líderes da oposição submetidos à idêntica situação e dizem que sobre eles é mero inquérito.
O julgamento das contas de Dilma pelo TCU pode fragilizar a situação?
Não vejo assim. A Advocacia Geral da União já demonstrou que não existe causa para rejeição das contas. Essa mesma operação foi feita por governos anteriores, por Lula e Fernando Henrique, sem nenhuma reprimenda. Se o tribunal concordou, é porque estava certo. Se acha que tem que mudar de posição, que mude. Mas daqui para frente. E essas questões não são imputáveis diretamente à presidente, porque eram outras autoridades que faziam e tomavam essas decisões.
Há uma base indócil, setores do PMDB fazendo oposição e baixa popularidade da presidente. Isso não torna a crise mais preocupante?
Crises governistas são realidade de todo sistema democrático. Tivemos países, como EUA, que tiveram fortíssima crise com o Congresso, o que implicou também rebaixamento de nota pelas mesmas agências. Isso não significou que os EUA não tivessem condições de superar a crise. Digo o mesmo do Brasil. Tivemos processo de crise, é verdade. Agora, isso exige esforço do governo e de todos os setores que têm responsabilidade, para que possamos superá-la. As questões mais importantes do ajuste foram aprovadas. É evidente que há turbulências. São naturais num processo de crise, especialmente num momento em que temos investigação que atinge várias lideranças políticas, da base e da oposição.
Como avalia a atuação do ministro Joaquim Levy (Fazenda), criticado até por petistas?
Não conheço ministro da Justiça, ministro da Fazenda que não seja criticado por todos os lados. O ministro Levy tem tido papel muito importante para o governo. Não se pode deixar de reconhecer seu papel na condução desse processo. É claro que não conseguirá unanimidade. É impossível isso. Mas ele tem desempenhado muito bem suas funções e é um dos grandes nomes do nosso governo.
Muitos dizem que a presidente tem tomado decisões erráticas.
Não vejo decisões erráticas da presidente. Vejo condução firme para tentar encontrar as melhores alternativas para casar as metas, os programas, os compromissos sociais que o governo tem com as necessidades econômicas ditadas pela conjuntura. A presidente tem buscado essas alternativas com sua equipe e o faz com muita determinação. A presidente é muito forte pessoalmente. Ela conduz o governo com muita presença e liderança sobre sua equipe. Ela cresce interiormente nos momentos de crise. Essa é uma característica muito positiva para um líder.

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Do Blog – Ministro da intimidade de Dilma, tão íntimo ao ponto de ser escolhido para acompanhar a presidente em festas de casamento, o ministro da Justiça pode até pensar diferente. Mas faz o papel dele.

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