Thaisa Galvão

20 de setembro de 2015 às 13:38

Polêmica: o hub, a imprensa e a política [1] Comentários | Deixe seu comentário.

Thaisa Galvão

A polêmica das redes sociais nos últimos dias tem sido a imprensa e o hub da LATAM.

O Rio Grande do Norte, independente das cores políticas, torce para sediar o centro de conexões internacionais, que abrirá mais de 20 mil vagas de emprego para o estado escolhido.

Estão na disputa, além do RN com seu aeroporto moderno e preparado para ser hub, os estados do Ceará e Pernambuco.

Cada estado fazendo sua parte na torcida.

De grupos empresariais a políticos.

De concessões a…manchetes de jornais.

E são exatamente as manchetes que tem dado o que falar.

Os jornais de Pernambuco apontam as vantagens do estado.

Os veículos do Ceará, suas potencialidades para sediar o hub.

No Rio Grande do Norte…o contrário.

Justificando o bom jornalismo em primeiro lugar, e isso não há de se questionar, a Tribuna do Norte, o principal impresso do RN, tem apontado exatamente o contrário, mostrando o Rio Grande do Norte como o pior lugar para o centro de conexões, apesar do relatório divulgado pela TAM apontar também as vantagens do RN.

Levando-se em consideração que os veículos, apesar de primarem pelo bom jornalismo, o que é louvável, pertencem a grupos políticos, e que suas manchetes falam por eles – sempre – o que se entende é que há uma torcida contrária no Rio Grande do Norte.

É certo que a TAM, que tem gastado muito dinheiro contratando consultorias para não errar na escolha, vai se basear em tudo, menos em manchetes dos jornais O Povo, Diário de Pernambuco, Tribuna do Norte.

Muito menos em comentários de blogs, postagens no twitter…

Independente das manchetes negativas, que apenas registram uma posição, os prefeitos de Natal e São Gonçalo do Amarante, torcem pelo que o empreendimento pode trazer para as cidades que administram.

“Natal leva vantagem, pois dentre outros itens, tem o melhor aeroporto e a melhor localização geográfica, na comparação com os de Recife e de Fortaleza, que também estão nessa disputa”, define o prefeito Carlos Eduardo.
“De todas as reuniões que eu participei, desde o começo desse processo de disputa do hub, essa foi a reunião que me deixou mais otimista. Já sabíamos que a decisão só será anunciada no final do ano, mas ouvimos coisas muito agradáveis em saber, por exemplo, que o Rio Grande do Norte, em infraestrutura aeroportuária, é de longe o melhor, e isso foi dito com todas as letras”, disse o prefeito Jaime Calado, de São Gonçalo, que assim como Carlos Eduardo, participou da última reunião, onde a TAM apresentou um relatório com o que cada estado pode vir a ganhar com a instalação do hub.

O otimismo dos dois prefeitos é o mesmo do governador Robinson Faria, que tem trabalhado para que o Estado faça o que for possível para atrair o hub.

“Tudo o que a lei permite o governador está fazendo. A gente só perde esse hub se Dilma disser ‘bote ali’, pois a gente sabe que todo investimento privado acaba precisando do BNDES”, disse Jaime Calado, adversário do governo do Estado, mas brigando pela abertura de 20 mil novos empregos no Rio Grande do Norte.

Ministro do Turismo, o ex-deputado Henrique Alves tem dito que não pode torcer pelo Rio Grande do Norte, nem por qualquer outro estado, pois é ministro do Brasil.

Tem lá suas razões, mas a pergunta que não quer calar questiona se o jornal que pertence ao ministro, e que fala por ele, tem o mesmo papel.

Politicamente, o veículo de Henrique tem trabalhado, a longo prazo, contra ele.

E se o hub não vier para o Rio Grande do Norte?

Os adversários de Henrique, que em 2018 deverá disputar uma vaga na Câmara Federal, na tentativa de retomar o mandato perdido, vão usar as manchetes da TN para mostrar que o ex-deputado foi quem mais trabalhou contra os 20 mil empregos no Rio Grande do Norte.

A política é assim.

Só não vê quem não quer.

Uma resposta para “Polêmica: o hub, a imprensa e a política”

  1. Jose Nivaldo Dantas disse:

    Infelismente no RN se gasta 20 para que o "inimigo" não ganhe 10. Sempre foi assim nesse pobre estado (claro que existem raras excessões). O político, de forma geral, sempre toma decisões pensando no retorno que terá nas urnas no futuro, e nunca no bem coletivo. É uma pena

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