Thaisa Galvão

26 de setembro de 2015 às 21:52

Depois de empreiteiro e lobista, agora é ‘operador do PMDB’ quem diz que Eduardo Cunha recebeu propina [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Do G1 Paraná/Brasília

Preso na Lava Jato cita Cunha, e Moro envia ao STF nova suspeita

Preso na Lava Jato, suposto operador diz que fez transferência para conta de Cunha. Em evento em SP, presidente da Câmara não falou a jornalistas.


João Augusto Rezende Henriques, suposto operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras, afirmou em depoimento à Polícia Federal que fez uma transferência ao exterior para uma conta do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Henriques foi ouvido pela PF na sexta-feira (25), após ser preso na 19ª fase da Operação Lava Jato.

Procurado pelo G1, o advogado de Cunha não foi encontrado para comentar o assunto. Cunha participou neste sábado (26) do evento de filiação da senadora Marta Suplicy ao PMDB, mas não quis falar aos jornalistas.

A defesa de João Henriques afirmou que ele é engenheiro, nunca foi operador e nem pagou propina para nenhum partido. Afirmou, ainda, que sobre a compra do campo de exploração, Henriques não sabia à época de quem era a conta onde o depósito foi feito. Por fim, garantiu que todos os serviços investigados foram prestados.

O juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma nova suspeita contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, nas investigações do caso.

Em despacho decretando a prisão preventiva do suposto operador do PMDB no esquema João Augusto Rezende Henriques, Moro escreve que Henriques confirmou pagamento de propina a um agente político, com foro privilegiado, já investigado pela Lava Jato. Segundo procuradores ligados à investigação, esse agente político é Cunha. A informação foi publicada na edição deste sábado no jornal “O Estado e S. Paulo”

“Relativamente a esta transferência, que não diz respeito ao contrato que é objeto da ação penal (…) remeterei, de imediato, cópia do depoimento ao Egrégio Supremo Tribunal Federal para as apurações necessárias”, afirmou Moro em seu despacho.

Eduardo Cunha foi acusado pela Procuradoria Geral da República pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com a Procuradoria, Cunha recebeu propina de contratos firmados entre a Petrobras e fornecedores da estatal.

Investigadores da Lava Jato informaram ainda que o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, confirmou em depoimento de delação premiada que Cunha (PMDB-RJ) recebeu propina de pelo menos US$ 5 milhões por contratos de aluguel de navios-sonda pela Petrobras.
19ª fase

A 19ª etapa da Lava Jato, deflagrada na segunda-feira (21), foi considerada um avanço em relação à investigação de outras três etapas da operação. A Polícia Federal associa o nome de João Henriques ao PMDB, uma vez que ele agiria como operador do partido. A direção do PMDB afirma que jamais autorizou ninguém a agir como intermediário, lobista ou operador junto à Petrobras.

“Esse operador é investigado por intermediar o pagamento de propinas com destaque, especificamente, por um contrato de compra de navios-sonda pela Petrobras no valor de mais de 1,8 bilhão de dólares, em que a propina ultrapassa 30 milhões de dólares”, disse o delegado Igor Romário de Paula.

Segundo o Ministério Público Federal, que pediu a prisão preventiva, o depoimento de Henriques sugeriu que ele ainda mantém influência dentro da Petrobras através de amigos com cargos na estatal, e que ele também confirmou ter conhecimento de bastidores políticos envolvendo o PMDB.

Ao decidir pela prisão preventiva de Henriques, Sergio Moro afirma que há indícios do envolvimento dele em crimes relacionados a contratos da Petrobras. “Nessas atividades, remuneraria seus amigos, como ele mesmo admitiu, havendo indícios de que estes são ocupantes de cargos públicos”, afirmou o juiz, que disse ainda que cabia a Henriques efetuar repasses a partidos políticos.

Réu

João Rezende Henriques já é réu em uma ação penal oriunda da Lava Jato em que responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro – também é réu nesta ação Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da área Internacional da Petrobras.

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