12/12/2015
Para professor-jornalista, participação de pais na gestão da escola pública não é acatada pelos sindicatos
[0] Comentários | Deixe seu comentário.Do jornalista Maurício Pandolphi, ao assistir aqui no Blog à entrevista da educadora Cláudia Santa Rosa, que comanda no Rio Grande do Norte, em parceria com o Instituto C&A, uma campanha, com participação dos pais dos alunos, em defesa da escola pública: Prezada Thaisa: A propósito da postagem com Cláudia Santa Rosa, sobre a participação dos pais na vida das escolas públicas, tenho que relatar uma experiência pessoal sobre o tema: Em 1991, eu, Eleika Bezerra (hoje vereadora) e diversos outros professores da UFRN, propusemos à Secretaria Estadual de Educação um projeto de Co-gestão no Colégio Estadual Edgar Barbosa. Tiramos nossos filhos de escolas particulares, matriculamos no colégio e fomos para dentro dele, com o nobre propósito de colaborar diretamente com a administração da escola. Até de pedreiros, pintores e eletricistas trabalhamos, numa grande reforma que foi feita, durante as férias de dezembro e janeiro. Conseguimos, inclusive, montar um belo laboratório de informática, depois que conseguimos a doação de 25 computadores pela Petrobras. Quando o Sindicato dos Professores descobriu nossa presença na escola, fez de tudo para nos afastar. Tivemos embates terríveis com alguns diretores do sindicato, que não admitiam a Co-gestão de forma nenhuma. O projeto foi boicotado de todas as formas. Para eles, o colégio “pertencia aos professores”, e nós, pais, éramos intrusos indesejados. Isso foi-nos dito com todas as letras e aos berros! O projeto durou apenas um ano, mas provou ser viável, caso houvesse a colaboração do sindicato. Diante disso e considerando que as coisas PIORARAM nas escolas públicas desde então, tenho a certeza de que só será possível alguma mudança através de uma profunda revisão do conceito de nação que temos em nosso país. Essa revisão passa também pelo fim do corporativismo tacanho que domina o serviço público, de modo geral, e pelo fim da omissão idiota da sociedade, que permanece passiva e acredita que deve ser tutelada pelo estado. Cláudia Santa Rosa deve saber dessa experiência que narrei, pois convive há muito com Eleika na direção do IDE. Abraços, Mauricio Pandolphi * Do Blog – O fato narrado pelo jornalista Maurício Pandolphi, meu professor na faculdade de Jornalismo, mostra que, em defesa de interesses próprios e exclusivos, na maioria das vezes, eleitorais, o ser humano se apropria do que é público, sem um pingo de compromisso com a finalidade do que é público. Os sindicatos que se apropriaram das escolas brigam até hoje. Definem greves ao bel prazer, sempre quando entendem que o interesse político da categoria vai de encontro a quem está nos governos, sejam eles estadual ou municipal. E por aí vai... Se está afinado com a gestão, não tem greve, mas se está prestes a romper, ou já rompido, tome paralisação... e os estudantes e pais, que paguem o pato. É por isso que a participação dos pais, em muitos casos, acaba sendo indigesta. O que acontece na educação pública é o mesmo que acontece na política brasileira. Para tomar o poder, ou tomar conta do poder, vale até entrar no plenário da Câmara e quebrar urnas, ou participar de sessão aos socos com os pares. Tudo em nome dos interesses pessoais, e muitas vezes, financeiro.
