Thaisa Galvão

26 de julho de 2017 às 12:09

Parecer de Janot pede que Cunha continue preso, adiando mais uma vez tentativa de delação do ex-deputado [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Mais uma comprovação que o Ministério Público Federal não está interessado na delação do ex-deputado Eduardo Cunha:
Do G1
Janot diz que Cunha pode influenciar ‘asseclas’ no Congresso e defende manter prisão do ex-deputado
Procurador-geral da República enviou parecer nesta terça ao Supremo Tribunal Federal. Segundo Janot, ex-deputado pode cometer crimes ou até fugir se for posto em liberdade
Renan Ramalho, G1, Brasília
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu a manutenção da prisão do ex-deputado Eduardo Cunha em parecer enviado nesta terça-feira (25) ao Supremo Tribunal Federal (STF).
No documento, ele alertou para a capacidade de Cunha, preso desde outubro do ano passado em Curitiba, voltar a cometer crimes caso seja posto em liberdade.

“É certo que a condição de deputado federal por diversas legislaturas foi dos principais elementos a sedimentar o poder político do recorrente. Todavia, seu potencial delitivo, hoje, está concentrado mais na capacidade de influenciar seus asseclas, ainda ocupantes de cadeiras no Congresso Nacional, do que propriamente no abuso das prerrogativas de parlamentar”, escreveu o procurador.

Preso há mais de 9 meses e respondendo a diversos processos na Operação Lava Jato, Cunha atualmente negocia com o Ministério Público um acordo de delação premiada, que pode envolver diretamente o presidente Michel Temer.

Ele já teve pedidos de liberdade negados pelo Tribunais Regionais Federais em Porto Alegre (TRF-4) e em Brasília (TRF-1), pelo Superior Tribunal de Justiça (STF) e também pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF.

Na nova tentativa de obter a liberdade, a defesa argumentou que a existência de vários processos não implica necessariamente a disposição de Cunha em cometer novos crimes; que as investigações se referem à época em que tinha poder como deputado federal; e que as última acusações se referem a fatos ocorridos há, no mínimo, dois anos.

Para manter a prisão preventiva (antes de julgamento final sobre culpa ou inocência do réu), Janot considerou que as múltiplas ações contra Cunha dão “fortes indicativos da personalidade voltada ao crime”.

“A despeito da plena vigência da medida constritiva, o recorrente ainda se revela capaz de influenciar, criminosamente, a esfera da política institucional, o que fundamentou a expedição recente de três novos mandados de prisão em seu desfavor”, acrescentou o procurador.

Além disso, Janot vê risco de fuga, em razão de contas que o ex-deputado mantém no exterior ainda não bloqueadas. 

Por fim, com base na delação do dono da JBS, Joesley Batista, afirmou que, mesmo preso, Cunha continuou a receber propina em troca de se manter em silêncio.

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