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24 de setembro de 2018 às 9:55

Jornal Valor Econômico aponta Fátima como fator surpresa no RN e ouve como fonte, cientista política da equipe de marketing da candidata

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Do Valor Econômico nesta segunda-feira, reportagem que teve como fonte, o cientista político Bruno Oliveira.

Até aí tudo bem, não fosse Bruno um dos integrantes da equipe de marketing da candidata ao Governo, Fátima Bezerra.

A fonte não desmerece as informações, mas, pela lógica, não deixam de direcionar aos interesses da campanha na qual está envolvido.

Depois da reportagem do Valor, confira nota do Blog sobre equipe de comunicação da senadora-candidata.

Reduto das famílias Alves e Maia, que dominam a política local – juntas ou separadas – há quatro décadas, o Rio Grande do Norte aponta, faltando duas semanas para o primeiro turno, para uma eleição surpreendente.

Na liderança da disputa para governador está a senadora Fátima Bezerra, do PT.

Pedagoga seguidora de Paulo Freire, militante dos movimentos negro e LGBT, Fátima está 14 pontos percentuais à frente do ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), que uniu os clãs tradicionais em seu entorno e era dado como favorito.

De acordo com o Ibope, divulgado sexta-feira, ela registra 39% das intenções e ele, 25%. Em terceiro, com 13%, está o atual governador, Robinson Faria (PSD), que vem de uma gestão cheia de problemas e ainda devendo o 13º salário de 2017 de parte dos funcionários públicos.

No Senado, quem lidera as intenções de voto é o capitão da PM Styvenson Valentim (Rede). Musculoso e midiático, ele é o que pode haver de mais outsider em uma eleição: ficou famoso ao chefiar a blitz da lei seca com uma postura de tolerância zero, autuando autoridades, gravando operações com o celular e depois colocando tudo na internet.

A dianteira de Fátima impressiona porque o PT potiguar é minúsculo. Tem duas das 167 prefeituras do Estado, um deputado estadual e nenhum federal. A explicação, atestam os potiguares e a própria Fátima, tem nome e sobrenome: Luiz Inácio Lula da Silva.

“Esta é a primeira eleição do Rio Grande do Norte em que a questão nacional se sobrepõe à realidade local. Em outros pleitos, era comum o eleitor votar nas famílias e nem saber quem seu escolhido ao governo apoiava como candidato a presidente”, diz o cientista político Bruno Oliveira. “Fátima é maior que o PT potiguar e sua proximidade com Lula está decidindo a eleição”.

Mesmo da cadeia, Lula tem sido um entusiasta da candidatura de Fátima. Em julho, encaminhou a ela, via Fernando Haddad, uma carta de próprio punho em prometia ajudá-la a ser “a melhor governadora da história do Estado”. “Foi muito importante. Mostrou ao povo que Lula confia em mim”, diz a senadora.

Em agosto, em uma de suas primeiras viagens na transição de vice para candidato do PT à Presidência, Haddad foi a Mossoró, região Oeste do Estado, discursou e até dançou com a candidata.

Não é a primeira vez que Lula é decisivo em uma campanha no Rio Grande do Norte.

Em 2014, ele gravou um vídeo em apoio ao hoje governador Robinson Faria, que acabou sendo crucial para sua virada na eleição contra Henrique Eduardo Alves (MDB). Fátima era a coordenadora da campanha.

O PT viria a romper com o governo em 2016, após o filho do governador, o deputado Fábio Faria (PSD-RN), anunciar voto pelo impeachment de Dilma Rousseff. “Robinson é um traidor. Só se elegeu pelo apoio de Lula e depois, apoiou o golpe”, diz Fátima. Em abril, Robinson foi o único governador do Nordeste que não participou da comitiva que foi a Curitiba (PR) para tentar visitar Lula na prisão.

A coligação da candidata, denominada “Do lado certo”, conta com os igualmente pequenos PCdoB e PHS. Em um Estado bastante dependente do turismo, com empregos em queda por conta da crise econômica, Fátima tem prometido retomar os concursos públicos. Na segurança, em que a situação é crítica, a petista tem defendido a contratação 8 mil novos policiais, o que praticamente dobraria o efetivo atual.

O PT tem investido pesado na candidatura. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Fátima Bezerra recebeu até o momento R$ 3,3 milhões da direção nacional para custear a campanha. O valor é superior ao destinado a Camilo Santana (Ceará) e Rui Costa (Bahia), de respectivamente R$ 785,5 mil e R$ 1,4 milhão, que buscam a reeleição e aparecem como líderes nas pesquisas.

O repasse do PT a Fátima está no nível das campanhas em Minas Gerais, onde Fernando Pimentel recebeu R$ 3,6 milhões, e Luiz Marinho em São Paulo, que recebeu R$ 3,2 milhões.

Mas nem tudo é facilidade para a petista. Causou abalo a descoberta de que partes inteiras do programa de governo da candidata eram cópias da proposta de Wellington Dias, candidato à reeleição no Piauí.

Um plágio tão descarado que esqueceram até de ajustar referências aos eleitores potiguares, mantendo no texto “piauienses”. A campanha justificou que apenas procurava acolher “boas experiências” de administrações da sigla, mas se apressou em trocar o texto.

Os problemas que atingem os adversários de Fátima, contudo, têm sido ainda maiores.

Reeleito prefeito de Natal em 2016 com 63,4% dos votos, Carlos Eduardo Alves armou o que parecia o cenário ideal para alçar o governo.

Rompido politicamente desde 2002 com membros da família – ele é primo do senador Garibaldi (MDB) e Henrique Alves -, reconciliou-se com o clã, agregou os Maia ao seu rol de apoios e ainda colocou Kadu Ciarlini (PP), filho da ex-governadora Rosalba – outra família importante na política do Estado – como seu vice.

A comunhão de poderosos acabou sendo lida pela população como um “acordão”. “Seria a fórmula infalível em outros momentos. Mas o eleitorado quer mudar e acabou vendo essa união em torno de Carlos Eduardo como mais do mesmo”, aponta Bruno Oliveira. “Isso explica a liderança de duas figuras tão diferentes quanto Fátima Bezerra e Styvenson”, conclui.

Para piorar, o Ministério Público (MPRN) abriu um inquérito civil para apurar o suposto pagamento de propina ao candidato do PDT. A investigação aponta que o ex-prefeito teria acertado o recebimento de valores para autorizar o aumento da tarifa do transporte público em Natal. O candidato nega.

Por fim, no dia que o presidenciável Ciro Gomes (PDT) desembarcou em terras potiguares para fazer campanha com Carlos Eduardo, Jair Bolsonaro (PSL) sofreu um ataque a faca em Minas Gerais, obrigando os pedetistas a cancelarem toda a agenda. A favor de Carlos Eduardo, atestam aliados, está o fato de que a coalizão domina 51% das prefeituras do Estado.

Eleito em 2014 com apoio de Lula e a segurança pública como lema da campanha, Robinson Faria enfrenta altos índices de rejeição e um palanque confuso. Somam 57% os que desaprovam seu governo e 52% os que o rejeitam como candidato à reeleição. A guerra entre facções pelo controle do tráfico de drogas elevou o número de mortes violentas para 68 em cada 100 mil habitantes em 2017, fazendo do Rio Grande do Norte o Estado mais violento do Brasil, de acordo com o Fórum de Segurança Pública.

No plano nacional, seu partido apoia o presidenciável Geraldo Alckmin e o PSDB, assim como outros quatro partidos que nacionalmente estão com o tucano, o apoiam na disputa ao governo.

Na ida de Alckmin ao Estado este mês, contudo, Faria foi para o interior, o que foi visto como uma conveniência para ambos: Alckmin não queria o governador impopular ao seu lado, bem como Robinson Faria rechaçava aparecer com o tucano, com índices de intenção de voto no Rio Grande do Norte na casa de 1%.

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Confira trechos da nota do Blog sobre equipe de campanha da candidata Fátima Bezerra:

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