#JornalismoSemFakeNews

11 de novembro de 2018 às 9:09

Bolsonaro e seus furos de reportagem nos canais próprios de comunicação que marcarão o jornalismo brasileiro no próximo governo

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O presidente eleito Jair Bolsonaro tem deixado muito claro.

Vai priorizar os seus próprios veículos de comunicação para fazer anúncios oficiais, mandar recados, dar respostas, notícias em primeira mão.

Os furos de reportagem serão sempre dele.

No Twitter para a comunicação mais rápida, no Facebook/Youtube para as análises e conversas mais longas com a população, no Instagram para os vídeos mais curtos.

Se ele vai precisar da mídia oficial, ali na frente se saberá.

Mas, por enquanto, vai seguindo o baile com a sua própria “Rede Globo”.

Bolsonaro – ou seu filho Carlos, vereador no Rio de Janeiro, que pensa e cuida de suas redes sociais – tem consciência que tem na mão um sistema de comunicação, e não se cansa de usar.

Dúvida zero que ele vai abolir os pronunciamentos em cadeia de emissoras de TV em vésperas de datas ou anúncios oficiais como faz Michel Temer e como fizeram Dilma, Lula, FHC, Itamar, Collor, Sarney…

Bolsonaro deverá usar preferencialmente suas redes sociais.

E sabe que falando ali, como quiser e quanto tempo quiser, e sem gastar um real, o que disser terá repercussão na mídia tradicional, incluindo, claro, a Rede Globo.

Boicotar a rede de comunicação de Bolsonaro significará boicotar o noticiário oficial do Brasil.

As lives (ao vivo) que ele tem feito no Facebook, postadas em seguida no Youtube, são reproduzidas – em parte – nas emissoras de TV.

E repercutidas em blogs, portais, revistas, jornais impressos…

No Twitter Bolsonaro só segue 240 perfis, mas é seguido por mais de 2 milhões e 300 mil…

No Instagram tem 7 milhões e 200 mil de seguidores…

Na página do Facebook, mais de 8 milhões de curtidas…

No canal do Youtube, mais de 2 milhões de inscritos.

Com os milhões de seguidores (vale ressaltar que nem sempre o número de seguidores de uma rede se soma ao de outra, porque muitas pessoas seguem todas as redes), Bolsonaro segue com voz própria, ao ponto de boicotar veículos de comunicação nas coletivas a que se submete, como fez com os impressos O Globo, Folha e Estadão, e grava na íntegra, para depois publicar, as entrevistas que concede às emissoras de TV, como postou no Facebook/Youtube a íntegra dessa entrevista a um repórter da Record.

A intenção é revelar o bastidor e evitar que, numa edição, seu pensamento seja distorcido.

Nas entrevistas concedidas, a câmera exclusiva do presidente eleito estará sempre presente.

E falará mais alto do que as câmeras e microfones da imprensa oficial.

E se a mídia oficial não gostar…e decidir atacar o presidente…terá resposta oficial urgente.

Depois da derrocada da mídia impressa, apesar da sobrevida dos mais fortes, o governo Bolsonaro poderá ser marcado por mais mudanças no jornalismo brasileiro.

Com larga vantagem para a internet e seus diversos canais de comunicação.

Ao vivo, gravado, escrito ou apenas fotografado.

É a hora da mudança naquilo que se chamava antigamente de “imprensa escrita, falada e televisada”.

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