Thaisa Galvão

2 de novembro de 2020 às 20:35

Na briga para ocupar o mandato de Sandro Pimentel na Assembleia Legislativa, Robério Paulino não gostou de ter sido apontado pelo Blog como “puxador de tapete” [2] Comentários | Deixe seu comentário.

O suplente de deputado estadual e candidato a vereador pelo PSOL, Professor Robério, não gostou de ser apontado como “puxador de tapete” em publicações do Blog, por ele ter acionado a justiça num processo que terminou com a cassação do mandato do deputado eleito pelo voto, Sandro Pimentel, seu correligionário do PSOL.

Robério reclama que não foi ouvido.

Não precisava da permissão do suplente de deputado para tratar de um processo que sequer corria em segredo de justiça.

Também não precisava perguntar se ele permitia que eu me referisse a ele como “puxador de tapete”.

Mas ele não gostou e mandou um texto me ensinando como fazer jornalismo.

Coisas que homens públicos tem mania de fazer quando não gostam de ser questionados.

Não deveriam ser homens públicos.

Mas segue a resposta de Robério Paulino, que aguarda a saída de Sandro Pimentel para ocupar o gabinete dele na Assembleia Legislativa.

Prezada Thaísa Galvão, prezados leitores

Escrevo para responder seus últimos dois textos sobre a disputa pelo mandato do PSOL, nos quais você me acusa de puxar o tapete de meu colega de partido, Sandro Pimentel, que teve o mandato cassado já de forma irreversível, no TRE-RN, e agora no TSE, por 7 x 0. O bom jornalismo preconiza que se escute os dois lados numa controvérsia, antes de dar uma opinião ou informação, o que infelizmente você não fez antes de me acusar, sem saber o que realmente se passou. E espero que publique esta minha resposta nos mesmos espaços que me criticou.
Sandro não foi cassado pelo TSE nos últimos dias. Está cassado desde o início do mandato, no TRE-RN, ainda no primeiro semestre de 2019. Exerceu até aqui um mandato por mera concessão do TRE-RN, que lhe deu o direito de recorrer ao TSE, mesmo cassado. A esquerda tem obrigação de ser muito mais rigorosa quanto a legislação, até porque sobre o PSOL ela é em geral muito mais rígida. Não é justo que quem cumpre as regras, como eu cumpri, perca um mandato, enquanto quem as descumpre ganhe. Que políticos de direita cometam descumprimentos da lei maiores não implica que possamos tolerar um menor, mas que na verdade me tirou um mandato, como disse o próprio Ministério Público.
Por uma decisão coletiva dos grupos políticos que me apoiaram, não somente minha, por pouco dias, tentei entrar no processo ao final de 2018, porque sabia que tinha sido lesado, como o desfecho do processo agora comprova. Mas mesmo sabendo que eu estava com a razão, que havia feito a coisa certa na campanha de 2018, desisti de entrar. Durante quase dois anos, a pedido do meu partido, eu fiquei fora do processo, completamente em silêncio. Sandro teve quase 20 advogados, enquanto eu não tive nenhum. Absolutamente nenhum. Mas eu esperei, esperei, esperei, calado, dei toda a chance de ele se defender. Agora que Sandro foi cassado em definitivo, que o direito está ao meu lado, espero que isso seja respeitado por todos. Agora é a vez de ele demonstrar grandeza e respeitar meu direito e que o mandato fique com o nosso partido
Com Sandro sem nenhuma chance mais, o que você me pede? Que eu fique calado, vendo a direita tentar se apropriar do mandato que é do PSOL? Se você olhar a cronologia do processo nos últimos dias verá que tanto Sandro quanto Jacó Jácome entraram com recursos na sexta-feira última, dia 30/10/2020, quase na mesma hora. Eu só entrei dois dias depois, domingo, dia 01/11/2020, como uma reação, para que meu partido não perca o mandato. O que todos, inclusive você, deveriam questionar agora é porque, mesmo depois de 3 semanas da decisão definitiva, o TSE ainda não ordenou minha posse. Por que tanta demora?
Além de eu ter cumprido rigorosamente as regras do jogo e ter sido prejudicado por isso, em nenhum momento das eleições 2018 escondi minhas posições políticas contra Bolsonaro, bati muito duro, seguindo a política de meu partido, mesmo perdendo milhares votos e um mandato por isso. Mas não enganei ninguém. Nas minhas aulas na UFRN e em toda minha vida, Thaísa, eu ensinei ho-nes-ti-da-de, solidariedade.
Nada tenho contra Sandro Pimentel. Vou tentar ajudá-lo a superar esse trauma pelo qual passa e se recuperar. Infelizmente, esse processo prejudicou toda militância do PSOL e o próprio partido. Pretendo assumir o mandato e pacificar meu partido aqui, incorporando no nosso mandato todas as correntes do partido que estiverem dispostas a construir um clima de colaboração honesta, fraterna e generosa.
Rogo também ao Judiciário, ao TRE-RN, ao Ministério Público, que não permita uma nova injustiça mais uma vez e mantenha o mandato com o PSOL.
Bem, é isso, espero que publique minha resposta. Saiba do respeito que sempre tive por você e por todos e todas as jornalistas desse estado,

Receba meu abraço e meu respeito.

Natal, 02/11/2020

Prof. Robério Paulino

2 respostas para “Na briga para ocupar o mandato de Sandro Pimentel na Assembleia Legislativa, Robério Paulino não gostou de ter sido apontado pelo Blog como “puxador de tapete””

  1. IVANILDO disse:

    Como ficou santo, de uns dias pra cá.

    Puxou o tapete e pronto!

    E a história, único juíz REALMENTE PARCIAL – vai juga-lo de jeito.

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