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12 de dezembro de 2020 às 13:19

Em plena alta da pandemia, Unimed – com hospital cheio de pacientes covid – faz competição com 400 inscritos e uso de máscara exigido só na concentração

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Plano de saúde, dona de hospitais que lotam suas UTIs pelo Brasil afora com pacientes de covid, e responsável por instalar centros específicos de covid no início da pandemia… a Unimed promove neste domingo, em Natal, o que a gente pode dizer que um evento na contramão de todas as regras de combate à transmissão do coronavírus, que tem aumentado no Rio Grande do Norte, no Brasil e no mundo.

Em desacordo com o decreto da Prefeitura de Natal, que proíbe eventos reunindo mais de 50 pessoas…

Maaassss….em total acordo com um decreto do Governo do Estado, que permite a realização de eventos esportivos sem limitação de participantes.

Covisa e Comitê Científico do Governo do Estado devem ter tido lá suas razões para autorizar, mas não levaram em consideração, por exemplo, estudos como o que reuniu cientistas da KU Leuven (Universidade Católica de Leuven, na Bélgica) e da TU Eindhoven (Universidade Tecnológica de Eindhoven, na Holanda).

O estudo levantou a distância segura ao correr, andar de bicicleta e caminhar durante os tempos de covid, e chegou à conclusão que para caminhar, a distância de pessoas que se movem na mesma direção em 1 linha deve ser de pelo menos 4-5 metros.

Para corrida e ciclismo lento, deve ser de 10 metros, e para hard bike, pelo menos 20 metros.

Claro que a pesquisa encontrou discordâncias em relação aos dados levantados.

Cientistas ouvidos pela revista americana Wired, mesmo de acordo com a perspectiva do estudo belga/holandês sobre a importância de se manter uma distância atrás e à frente de outras pessoas, não confirmam a distância exata de 20 metros, mas são unânimes em relação à ideia de que quanto mais longe as pessoas estiverem umas das outras, menor será o risco de contaminação.

O ciclista colombiano Fernando Gaviria já havia testado positivo uma vez, e foi infectado novamente durante o “Giro da Itália”, tradicional competição, em sua edição de número 103, que acontece em outubro na Europa.

Gavíria foi reinfectado, e duas equipes tiveram que abandonar o Giro porque tiveram atletas e membros do grupo testando positivo para o Coronavírus logo durante a primeira semana do evento. 

A 1ª Volta Ciclística da Unimed, que vai acontecer neste domingo em Natal, conta com cerca de 400 inscritos e o percurso da competição será todo realizado na avenida Engenheiro Roberto Freire.

A Unimed entende que a competição, anunciada num período mais brando da pandemia, mas realizada em um momento onde hospitais, como o da própria Unimed, estão cheios de pacientes com covid, visa incentivar a prática de esportes e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Aceitável em um período sem transmissibilidade do coronavírus.

Incompreensível no momento atual.

Até porque, quem é associado da Unimed, se tiver com suspeita de ter contraído o vírus, e se valer do atendimento online do plano, só receberá a autorização para fazer o teste de covid uma semana depois, quando o prazo para detecção do vírus, no caso do teste Swab, já tem passado.

O online da Unimed é daqueles que não tem a pressa da internet.

A Unimed não levou em consideração estudos científicos apesar de ser uma empresa da área de medicina.

Levou em consideração um congresso técnico, com presença de profissionais de saúde, batendo o martelo, como ocorreu há pouco no caso do show realizado na Arena das Dunas, em Natal.

Todos os protocolos necessários, modelo para próximos eventos…até botar o povo dentro da festa.

De repente o evento da Unimed foi formatado para dar certo…até botar as pessoas para circular.

Com um detalhe: a Unimed, entre os cuidados que apresenta como ‘medidas de segurança’, exige o uso de máscaras APENAS na concentração.

O evento leva em consideração como medida de proteção, as largadas por ondas de distância e gênero…mesmo sabendo que a cada largada sairão juntos e próximos e sem máscara, um número alto de participantes.

Faltou pesquisar mais um pouquinho…

Foram estudos como o citado que levaram parques de todo o mundo a serem fechados durante um período da pandemia.

Caminhadas, corridas e pedaladas são mais do que necessárias, como atestam os cientistas, que aprovam inclusive, a bicicleta como o meio de transporte mais seguro.

O que está em discussão é a aglomeração.

O que está em discussão, é o fato de uma empresa de SAÚDE estar colocando pessoas em risco.

Quem sabe ter adiado o evento, que é importante para quem pratica o esporte, teria sido pelo menos mais sensato.

Para os ciclistas e para quem convive com eles.

Para atrair participantes a Unimed vai distribuir 25 mil reais em prêmios.

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