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15 de novembro de 2021 às 11:56

Crusoé: Bolsonaro não tem apoio do PL nem do PP em estados onde partidos tido como aliados do Planalto tem compromisso com Lula e o PT

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A revista Crusoé dessa semana traz uma reportagem de capa que mostra a fragilidade do presidente Jair Bolsonaro.

Para se reeleger precisa dos partidos que só enxergam nele as facilidades que o poder oferece…até a hora das eleições.

A traição de véspera mostra bem que, depois de tentar negociar filiação com 11 partidos, o necessitado Bolsonaro samba de um lado para o outro para se filiar a um partido e não ter protagonismo nenhum.

A reportagem assinada pela jornalista Helena Mader mostra que integrantes do PP do ministro Ciro Nogueira, o Republicanos e o seu quase “meu” PL ‘já admitem deixar a base governista antes mesmo da definição formal das alianças para a eleição presidencial’.

Trecho da reportagem:

No Piauí, a sigla (PL) está fechada com o PT desde 2014 e não abre mão de manter a aliança em 2022.

O acerto iminente com Bolsonaro no plano nacional fez com que uma parcela dos integrantes da sigla no estado ameaçasse buscar outra agremiaçâo. Para tentar conter os insatisfeitos, Valdemar gravou um vídeo assegurando que o diretório terá liberdade para se aliar a quem bem entender. A porteira, portanto, foi escancarada para a traição a Bolsonaro. “No estado do Piauí, o PL fará a coligação que melhor lhe convier. O que queremos é que o nosso partido cresça, para que a gente possa atender os nossos correligionários com melhor estrutura”, disse o dono do PL.

Uma das principais lideranças do PL no estado, o deputado federal Capitão Fábio Abreu diz que a autonomia total foi uma exigência. “Fomos bem claros ao dizer que a aliança que temos é com o PT”, afirma.

Pela negociação em curso, o candidato ao governo apoiado pelo PL será Rafael Fonteles, do PT,atual secretário de Fazenda.

Como compensação, o partido deve ficar com a primeira suplência na chapa de Wellington Dias, o atual governador do Piauí, que disputará o Senado. Na prática, significa que a futura legenda de Bolsonaro reforçará o palanque de Lula no estado.

A reportagem segue mostrando que em Alagoas, mesmo se filiando à legenda, Bolsonaro não contará com o PL.

Em Alagoas, o PL vai marchar ao lado de outro adversário figadal dos Bolsonaro: o senador emedebista Renan Calheiros. No estado, o partido já tem um acerto com o governador Renan Filho. Presidente regional do partido, Maurício Quintella, que foi ministro de Michel Temer e hoje comanda a Secretaria de Infraestrutura na gestão do filho de Renan, não esconde a oposição a Bolsonaro. Quintella defende abertamente o “Fora, Bolsonaro”e chama os apoiadores do presidente de “gado”.

São Paulo também não receberá Bolsonaro de bom grado no PL.

Se no Piauí o PL vai de Lula e em Alagoas fará parte da aliança costurada por Renan, em São Paulo a sigla vai ajudar a robustecer a campanha ao Planalto de João Doria, se ele se sagrar vitorioso nas prévias tucanas.

A reportagem da Crusoé mostra ainda a situação do deputado Marcelo Ramos, do PL do Amazonas, que é vice-presidente da Câmara Federal. Ramos já sugeriu até deixar o PL por não aceitar a entrada de Jair Bolsonaro.

“Todos sabem que não é uma situação cômoda para mim e, no momento oportuno, vou me pronunciar”, disse o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, principal nome do PL amazonense, tão logo soube do acerto de Valdemar com Bolsonaro. A despeito dos problemas, a filiação do presidente ao PL, a não ser que haja um improvável – mas sempre possível – cavalo de pau do presidente, será sacramentada no dia 22 de novembro e marcará o fim de um processo que durou dois anos.

A Crusoé revelou com todas as letras o abandono ao qual Bolsonaro vem sendo relegado, precisando mesmo de um partido forte para continuar existindo, depois de até ter tentado, mas não ter conseguido criar o seu próprio partido. Bolsonaro fracassou nesse projeto e deu uma declaração que mostra bem o seu fracasso, e a necessidade de se render ao Centrão que ele demonizou quando disputava à presidência da República.

Para quem não se lembra – há sempre um ‘esquecimento’ no meio do caminho – Bolsonaro dizia que jamais iria se integrar ao toma-lá-dá-cá do Centrão, e até chamava o presidente do PL, Vademar Costa Neto, de “condenado”

Relembre tuitadas – agora apagadas – pelo vereador carioca e filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, o Carluxo.

O deputado federal anti-bolsonarista Kim Kataguiri, do DEM (agora União pelo Brasil) de São Paulo, questionou Carluxo por ter apagado o tuíte, depois de anunciada a possível filiação da família Bolsonaro ao PL de Vademar – o condenado.

E ainda relembrando as críticas – porradas mesmo – de Bolsonaro ao PL, veja o que o hoje rendido Jair dizia sobre o interesseiro Valdemar em 2018, quando disputava à presidência.

Voltando às páginas da Crusoé, confira a rendição de Bolsonaro.

“Se tirar o Centrão, para onde eu vou? Vou conversar com PSOL e PCdoB?”, questionou Bolsonaro, tentando emplacar a falsa tese de que não teve escolha a não ser ceder à velha política.

A reportagem da Crusoé mostra que em abril desse ano, quando o presidente Bolsonaro, já rendido ao Centrão, deu posse a uma indicada do partido, escondeu a figura do Vademar.

Em abril, quando a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, do PL, tornou posse em uma cerimônia fechada, a Secretaria de Comunicação da Presidência cortou Valdemar Costa Neto das fotos divulgadas ao público. Na campanha, entretanto, Bolsonaro não poderá ocultar do eleitorado a presença do mensaleiro em seu palanque. Do mesmo modo que não poderá esconder a presença de outros personagens do Centrão envolvidos em escândalos, como o próprio ministro Ciro Nogueira.

A revista mostra que o presidente Bolsonaro também enfrentará problemas se, em vez do PL, resolver se filiar ao PP do seu ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira.

Na Bahia, o diretório local do Progressistas já avisou que, independentemente da decisão nacional, irá manter a aliança com o PT. Lá, o vice-governador João Leão, colega de partido de Ciro, foi eleito na chapa do petista Rui Costa. A sigla, agora, trabalha para indicar um candidato ao Senado na chapa de Jaques Wagner (PT) para o governo.

“Defendo que o partido mantenha a postura atual, de garantir liberdade para a formação dos palanques estaduais”, afirma o deputado federal Cláudio Cajado, do Progressistas baiano.

Pernambuco é outro problema para Bolsonaro e seu ministro Ciro. Tem mais traição antecipada.

Mas…traição, sinceramente, não seria a palavra mais apropriada ao presidente? Não seria ele o verdadeiro traidor aos seus eleitores?

Segue o baile…

Em Pernambuco, aliás, se desenrola uma situação inusitada e, ao mesmo tempo, constrangedora para Bolsonaro: dois nomes de partidos do Centrão brigam para ser o “senador de Lula” na disputa do ano que vem.

Além do próprio Dudu da Fonte, do Progressistas, o deputado federal Silvio Costa Filho, do Republicanos, apoia o petista e cogita pleitear a vaga na chapa liderada pelos petistas.

A reportagem termina mostrando que Bolsonaro perdeu bala em suas armas para atrair o Centrão.

Sem dinheiro não há apoio.

Se o clima de traição já estava no ar, a decisão do Supremo Tribunal Federal de suspender por 8 votos a 2 a execução das bilionárias emendas do chamado orçamento paralelo deixou o governo ainda menos atrativo para o Centrão.

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