25/02/2026
A frase chateada de um editorial nacional que vira palavra de ordem para repercussão na direita do RN
Pronto!
Bastou uma frase 'xatxiada' sobre as contas do Rio Grande do Norte, em um editorial do Estadão, para a mídia que é 'xatxiada' com o governo Fátima Bezerra passar a valorizar com todas as forças 'a palavra oficial' do jornal.
Um editorial sobre as contas do Rio Grande do Norte?
Detalhes sobre arrecadação, gastos, receita líquida, dívida financeira?
Não.
Apenas o grito de guerra: 'Deu no Estadão'.
E o que deu no Estadão?
Não deu.
Em um editorial falando de Estados no cheque especial, 10 linhas de coluna falando da falta de informação sobre o Rio Grande do Norte.
Exatamente. Sobre a falta de informação.
E quando falo em frase 'xatxiada' é porque a 'grande notícia' sobre o Rio Grande do Norte dizia exatamente assim:
"A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), nem se dignou a responder aos questionamentos da reportagem. Além do buraco de R$ 3 bilhões, o Estado tambem rompeu o limite de gastos com pessoal, situação que pode impedir a União de transferir recursos para o Estado e de dar aval a empréstimos se a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) for cumprida à risca"
Pronto.
Só isso.
'Xatxiada' porque a governadora "nem se dignou" a fazer as honras da casa, os gostos da reportagem que já tinha objetivo e o objetivo não seria informar.
A frase 'xatxiada' sobre o rombo seletivo em terras potiguares, não mostra que a dívida gerada no Governo Fátima caiu em relação à dívida criada no Governo Robinson (anterior). Numa conta feita retirando os números das dívidas com precatórios que foram geradas pelos governos anteriores e caíram no colo do atual. Dívidas que são herdadas a partir de ações judiciais impetradas por servidores que vão tendo direitos negados a cada gestão, e que vão se acumulando para em algum momento qualquer, de acordo com a justiça, cair no colo do gestor do momento.
Portanto, falando seriamente sobre dívida financeira do Rio Grande do Norte, gerada pelo atual governo, ela caiu em relação à gestão anterior, passando de 36,77% da receita corrente, para 19%. Somando aos precatórios gerados anteriormente, a dívida passa para 46%, mas aí, falando honestamente, não dá para dizer que foi um rombo gerado na atual gestão.
Eu digo...falando honestamente.
Mas...deu no Estadão. Ohhhh...

O cheque especial dos estados virou editorial com base em conteúdo do Estadão mostrando que o Tesouro pagou R$ 257,7 mi em dívidas de estados e municípios em janeiro, e que desde 2016, já pagou R$ 86,78 bilhões em dívidas garantidas.
Foi sobre esse material publicado que o Estadão buscou informações do Rio Grande do Norte e, sem retorno, o Estado se transformou na chateação do editorial.
Segundo o que foi noticiado, a União honrou débitos de 7 estados em janeiro, com repasses concentrados no Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Os dados são do Relatório de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito e Recuperação de Contragarantias, divulgado pelo Tesouro Nacional. Em 2025, o valor chegou a R$ 11,08 bilhões de dívidas de entes federados honradas pela União.
Segundo o conteúdo, do total pago no mês passado, R$ 84,32 milhões são débitos não quitados pelo estado do Rio Grande do Norte; R$ 82,34 milhões do Rio de Janeiro; R$ 70,55 milhões do Rio Grande do Sul; R$ 19,55 milhões do Amapá; R$ 783,64 mil do município de Guanambi (BA); R$ 112,07 mil de Paranã (TO); e R$ 72,02 mil de Santanópolis (BA).
Propag
No ano passado, foi instituído o Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag), aberto para adesão dos entes até 31 de dezembro. O programa prevê uma série de condições, como venda de ativos à União e um plano de corte de gastos para a liberação de até R$ 20 bilhões em investimentos pelos estados.
Os 22 estados brasileiros que aderiram ao Propag são: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Sergipe, São Paulo e Tocantins.
O Propag prevê descontos nos juros e parcelamento do saldo das dívidas estaduais em até 30 anos. Em troca, os estados que aderirem vão aportar recursos para o Fundo de Equalização Federativa (FEF), que distribuirá dinheiro para todos os estados que aderirem, mesmo os que não tiverem débitos com a União, para investimento em educação, segurança pública, saneamento, habitação, transportes e outras áreas.
