Thaisa Galvão

12 de setembro de 2015 às 23:53

Impeachment de Dilma na pauta da semana na Câmara  [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Da Folha Online:

Câmara deve tratar de impeachment de Dilma a partir desta semana

NATUZA NERY

MARIANA HAUBERT

DE BRASÍLIA

A Câmara deve começar a tratar formalmente do processo de impeachment de Dilma Rousseff nesta semana, quando deputados de oposição apresentarão requerimentos ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para que ele se posicione sobre os 13 pedidos de deposição.
Cunha já avisou que pretende negar, se não todas, boa parte das ações exigindo o impeachment. Com os demais, ele continuaria protelando.
O roteiro dos defensores do afastamento é então apresentar recursos questionando uma das recusas de Cunha. Assim, o caso precisaria ser submetido ao plenário. Se for aprovado por maioria simples, o processo é deflagrado.
Os partidos PPS, Solidariedade, DEM e PSDB encomendaram estudos para embasar o rito desse processo. Provocarão Cunha com as chamadas questões de ordem. A partir delas, o presidente da Câmara terá de informar como será a tramitação desses atos, bem como prazos para recursos e parlamentares autorizados a promovê-los.
Se as questões de ordem forem submetidas na terça (15), como é a intenção, o comando da Câmara deve demorar uma semana para apreciá-las, segundo a Folha apurou.
As denúncias contra Dilma começaram a entrar na Câmara em fevereiro. Em geral, quando há falhas na documentação, como não ter firma reconhecida ou o denunciante não mostrar provas ou indicar onde encontrá-las, elas são encaminhas para o arquivamento.
Em julho, a cúpula da Casa, porém, optou por notificar os autores de alguns pedidos solicitando que corrigissem os erros. A prática é considerada inusual.
“A oposição não quer adotar um caminho que seja questionado juridicamente”, disse o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE).
Eduardo Cunha já confidenciou a interlocutores que pretende seguir os passos do hoje vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), quando este chefiava a Câmara.
Em 1999, ele indeferiu um pedido de impeachment contra o presidente Fernando Henrique Cardoso. À época, o então deputado petista José Dirceu, hoje preso pela Operação Lava Jato, apresentou um recurso contra o arquivamento. O recurso foi derrotado no plenário por 342 votos, contra 100 a favor da abertura do processo.
Se, no caso de Dilma, esse recurso for eventualmente aprovado, Cunha criaria, então, uma comissão especial com a participação de todos os 28 partidos com representação na Casa.
Na etapa seguinte, Dilma seria notificada sobre o processo e teria dez sessões para apresentar a sua defesa.
Segundo cálculos internos, um processo como este demoraria cerca de um mês de tramitação. Só então seria possível saber se a denúncia seguiria adiante, devendo, ainda, passar pelo plenário da Câmara e, depois, pelo Senado, que executaria o julgamento em si.

12 de setembro de 2015 às 18:00

Enquanto o vice gasta, a presidente corta [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Enquanto o vice-presidente Michel Temer embarca com uma mega-comitiva de 8 ministros mais 8 esposas, além da vice-primeira-dama e outros auxiliares do governo para uma viagem caríssima de quase uma semana entre Rússia e Polônia, a presidente Dilma Rousseff reúne ministros que sobraram no Brasil para falar de…cortes de gastos.
Da Folha Online:


Dilma reúne ministros para discutir corte de gastos

A presidente Dilma Rousseff está reunida desde a manhã deste sábado (12) no Palácio da Alvorada com os ministros Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).
A reunião da junta orçamentária tem como objetivo fechar pacote de corte de gastos a ser apresentado na próxima semana. 

A expectativa é que haja uma nova reunião neste domingo (13).
Desde que a agência Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito do Brasil, na quarta (9), o governo corre para apresenta medidas que reduzam os gastos públicos para tentar sinalizar ao mercado o compromisso com o equilíbrio fiscal.
Estão em discussão medidas como eliminação de cargos comissionados e revisão de contratos com prestadores de serviços.
A economia obtida com isso, no entanto, não deve ser expressiva a ponto aliviar significativamente o rombo de R$ 30,5 bilhões no Orçamento de 2016, mas há um esforço do governo de mostrar que está fazendo cortes.

12 de setembro de 2015 às 16:08

Projeto de Ezequiel Ferreira prevê contratação, por empresas, de pais de filhos adotivos [0] Comentários | Deixe seu comentário.

É de autoria do deputado Ezequiel Ferreira de Souza, Projeto de Lei que tramita na Assembleia Legislativa, que incentiva a adoção no Rio Grande do Norte. O projeto prevê que empresas privadas que recebem incentivo do Governo do Estado, devem reservar pelo menos 5% das vagas de pessoal para a contratação de pais adotivos.

“Um gesto nobre como a adoção não merece ser esbarrado na situação do desemprego. É preciso pensar e colocar em prática políticas que ajudem esse processo ser mais viável”, explica Ezequiel Ferreira. 

Não está inserido no Projeto de Lei, a administração ou contratação de funcionários contemplados na cota dos 5%.

Cabe à lei apenas garantir o cumprimento da empregabilidade dos pais/mães adotivos.  

12 de setembro de 2015 às 15:44

Deputados Jacó e Antônio Jácome recebem título de Cidadão de Lajes [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Os deputado estadual Jacó e federal Antônio Jácome receberam ontem o título de Cidadão Lajense. 

As homenagens foram concedidas durante a realização da Terceira Semana Evangélica de Lajes, evento apoiado pelos parlamentares desde a primeira edição.

“Nós acompanhamos de perto as demandas deste município em temos requerido, por meio do nosso mandato, providências para o desenvolvimento doa cidade, como por exemplo a recuperação de seus açudes. É com grande alegria que me torno um cidadão lajense”, disse Jacó.

Os deputados ainda realizaram Ação de Cidadania em Lajes, com atividades de prevenção em saúde e ação social.

  

12 de setembro de 2015 às 14:04

Suplente de deputado, Luiz Gomes diz que pode disputar Prefeitura de Natal com apoio do governador [0] Comentários | Deixe seu comentário.

O deputado estadual Fernando Mineiro (PT), que trabalha o projeto de conquistar a Prefeitura de Natal com apoio do PSD do governador Robinson Faria, ganha um adversário.Ontem, através de uma assessoria de imprensa, o suplente de deputado Luiz Gomes (PEN) divulgou nota assumindo a condição de pré-candidato a prefeito, devendo ‘contar com apoio do governador Robinson Faria e de um forte grupo político caso consiga viabilizar a candidatura’.

12 de setembro de 2015 às 13:33

Projeto de UTI regional pode sinalizar com apoio de Robinson à candidatura de Eduardo Lemos em Macau [0] Comentários | Deixe seu comentário.

O recente encontro do governador Robinson Faria com o médico cardiologista Eduardo Lemos, onde os dois voltaram a discutir sobre regionalização da saúde, levantou uma curiosidade em Macau, onde Lemos tem atuação política e pode ser candidato a prefeito mais uma vez no próximo ano.Filiado ao PSB, Lemos poderia articular uma aliança com o PSD e ter o apoio do governador?

Com Robinson, o médico discutiu sobre a implantação de uma UTI em Macau para atender a pacientes da região.

O governo entraria com projeto e equipamentos, e o custeio seria rateado com os prefeitos.

O governador autorizou Eduardo Lemos a procurar o secretário de Saúde, Ricardo Lagreca para prosseguir com o projeto.

Desde o começo da gestão que Eduardo tem sido ouvido nas decisões da Saúde estadual.

  

12 de setembro de 2015 às 11:26

Empreiteiro diz que repassou 20 milhões em propina para o PT durante os governos Lula e Dilma [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Do blog do Josias de Souza, no UOL:
Pessoa afirma ter repassado R$ 20,5 mi ao PT 

O empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, revelou em depoimentos prestados em Brasília como delator do esquema de pilhagem da Petrobras que repassou R$ 20,5 milhões em propinas ao PT no intervalo de dez anos —parte como doação oficial ao partido, parte em dinheiro vivo. Os pagamentos começaram em 2004, sob Lula. E foram até 2014, sob Dilma.
As revelações vieram à luz em notícia veiculada na noite desta sexta-feira, no Jornal Nacional. Num dos depoimentos, ocorrido em maio, Pessoa contou que João Vaccari Neto, o ex-tesoureiro do PT, chegava para as conversas municiado de informações estratégicas. Tinha conhecimento das obras da Petrobras e dos valores dos contratos obtidos pela UTC, sobre os quais cobrava propinas.
Pessoa relatou também que Vaccari às vezes pedia dinheiro vivo, por fora. Mas não soube explicar os motivos. O delator retratou o ex-gestor das arcas petistas assim: “PT na testa, sindicalista, um soldado do partido que queria manter o PT no poder.”
Só a partir de 2008 a UTC passou a ser mordida também pelos funcionários da Petrobras, informou Pessoa. Ele pagava propinas a Renato Duque, então diretor de Serviços, e ao gerente desse mesmo setor, Pedro Barusco. Segundo Pessoa, Duque foi indicado para a diretoria da Petrobras pelo grão-petista José Dirceu.
Ouvida, a defesa de Dirceu reafirmou que ele não indicou Duque. O PT reiterou o lero-lero segundo o qual todas as doações que recebeu foram legalmente declaradas à Justiça Eleitoral. Os advogados de Vaccari acusaram o dono da UTC de mentir. Sustentaram que o ex-tesoureiro petista nunca pediu nem recebeu propinas. Só teria manuseado doações legais. Barusco reafirmou o teor dos depoimentos prestados como delator. E o advogado de Duque não foi localizado.

12 de setembro de 2015 às 10:54

Enquanto lobista delata caciques do PMDB, Michel Temer leva 6 ministros peemedebistas para Rússia e Polônia [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Por Thaisa Galvão

Enquanto no Brasil a delação premiada do lobista Fernando Baiano vai listando caciques do PMDB envolvidos no esquema de recebimento de propinas, o PMDB levanta voo…

Com tudo pago pelo governo, que anda cortando gastos até com a Educação da Pátria Educadora, e ainda pode cortar dos programas sociais, uma comitiva do PMDB, comandada pelo vice-presidente Michel Temer, segue para visita oficial a Moscou (Rússia) e Varsóvia (Polônia).

Temer leva com ele oito ministros, dos quais seis do PMDB.

Do PMDB:

Eduardo Braga (Minas e Energia)

Kátia Abreu (Agricultura)

Henrique Eduardo Alves (Turismo)

Helder Barbalho (Pesca e Aquicultura)

Edinho Araújo (Portos)

Eliseu Padilha (Aviação Civil)

Do PT

Jaques Wagner (Defesa)

Do PTB

Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior)

A viagem oficial começa amanhã e termina no dia 18.

Em Moscou, o vice-presidente participará da 7ª Reunião da Comissão de Alto Nível (CAN) Brasil-Rússia, onde serão tratados temas de cooperação econômico-comercial, energia, defesa, agropecuária, ciência e tecnologia e espacial.

Resumindo: nada. 

Muita conversa pra nada.

Ora se no Brasil ninguém consegue ajustar a economia, não vai ser na Rússia que isso vai acontecer.

A comitiva também visitará o Pavilhão do Brasil na Feira World Food Moscow 2015, a principal feira de alimentos, bebidas e agronegócios da Rússia.

Mais um ponto turístico da viagem de férias do vice-presidente e seus aliados.

Mas precisava de tantos?

Não, claro!

Em Varsóvia, Temer se reúne com o presidente polonês, Andrzej Duda, e com a primeira-ministra, Ewa Kopacz. Também participa do Foro Empresarial Brasil-Polônia, organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Repito: precisa dessa tropa de aliados toda?

Faça aí as contas das diárias desse povo…

Desnecessário!

Não bastaria o vice?

E tá pensando que a tchurma é só essa aí?

O deputado federal Fábio Ramalho (PV-MG) também vai…

A secretária executiva do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Emília Maria Silva Ribeiro Curi, também vai…

O subsecretário-geral Político I do Ministério das Relações Exteriores, Fernando Simas Magalhães, também vai…

O Blog ainda não conseguiu checar se no avião presidencial da FAB, também foram reservados assentos para as digníssimas esposas de Temer e seus convidados.

Uma festa!

12 de setembro de 2015 às 9:42

Temer lavando a jato? [0] Comentários | Deixe seu comentário.

É pra lá de estranho que o ex-presidente Lula, a presidente Dilma Rousseff, caciques do PT, e os presidentes do Senado Renan Calheiros e da Câmara, Eduardo Cunha, caciques do PMDB, sejam citados e cogitados o tempo todo como envolvidos na Lava Jato, e o vice-presidente Michel Temer, cacicão do PMDB, não tenha nada a ver com isso…

Ou tem?

Leia Lauro Jardim, na Veja Online:

  

12 de setembro de 2015 às 7:50

Para Delfim Netto, ex-conselheiro de Dilma, presidente meteu os pés pelas mãos para se reeleger e o Brasil afundou [1] Comentários | Deixe seu comentário.

Da revista Época, a entrevista com o ex-ministro da Fazenda, Delfim Netto:
Antonio Delfim Netto: “A Dilma tem de montar seu governo de novo”

O ex-ministro da Fazenda diz que o rebaixamento da nota do Brasil mostra que o ministro Joaquim Levy estava certo – e que a presidente tem de deixá-lo trabalhar

VINICIUS GORCZESKI E GUILHERME EVELIN

Aos 87 anos, o ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto continua com o raciocínio rápido, a língua afiada – e articuladíssimo. O vice-presidente Michel Temer, seu interlocutor frequente, teve a ideia de propor o aumento da Cide, contribuição cobrada na comercialização da gasolina, depois de ler um artigo de Delfim no jornal Valor Econômico, um dos dois com os quais mantém colaboração semanal. “O Michel leu meu artigo durante um voo e me ligou perguntando se aquilo era sério”, diz o ex-ministro. “Respondi que era. Nenhum aumento de imposto é bom. Mas este é propositivo. Cria emprego e investimento.” Ele recebeu ÉPOCA na última quarta-feira em seu escritório, instalado num casarão no bairro de Higienópolis, em São Paulo, horas antes de a Standard & Poor’s rebaixar a nota de crédito do Brasil. No dia seguinte, Delfim comentou a notícia, ruim para o país “em todos os aspectos imagináveis”.

  
ÉPOCA – Como a perda do selo de bom pagador pode acentuar a crise brasileira?

Delfim Netto – Essa decisão já era bola cantada, mas ela é muito ruim para o Brasil. Ela generaliza no mundo a ideia de que o país é muito mal administrado. Tem outro problema. O rebaixamento não será corrigido no curto prazo. Quando um país é rebaixado, demora-se anos para que ele recupere de volta o selo de bom pagador, o que só ocorre quando ele prova realmente que mudou sua política econômica. No fundo, isso tem de ser interpretado como uma verdadeira lição. O Brasil foi reprovado. Fomos mandados de volta a uma segunda época. E ela é muito mais complicada. Será preciso provar que somos muito mais brilhantes como país do que éramos.
ÉPOCA – Como fica a situação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, após o rebaixamento da nota de crédito? 

Delfim – O que aconteceu é um sinal claro: quem tinha a razão era o Levy. Ele trabalhou muito na direção de evitar o rebaixamento. O grande drama dessa história toda foi a remessa do Orçamento de 2016 com o deficit de R$ 30 bilhões. Foi uma demonstração de que o Brasil não quer e não está disposto a cortar despesa nenhuma, mesmo, e ponto final. Isso foi de uma miopia política trágica. O recado foi: “Joguei a toalha. Vocês me salvam, façam o que quiserem”. O governo teve de recuar ao ver as consequências.
ÉPOCA – Por que o plano de ajuste de Levy não deu certo?

Delfim – Até agora, as despesas do governo não diminuíram – e o Levy está brigando por isso. A ideia de que tem de continuar gastando terminou por causa do avanço da relação da dívida sobre o PIB. Não adianta brincar com uma dívida pública que veio de 53% do PIB para 70% do PIB. Não podemos deixar que ela atinja os 80%. Porque não vai ter mais para quem vender os papéis. Isso é uma cobra que começou a morder o rabo. O sujeito que pensa o mínimo, e não importa se você é de direita ou de esquerda, vai concordar que há um problema de aritmética insolúvel. Tudo isso é de uma irresponsabilidade mortal e é produto de o Poder Executivo ter perdido sua liderança e seu protagonismo. Ele deveria estar enchendo o Congresso com bons projetos e boas propostas de mudanças, porque, se você não restabelecer o mínimo de confiança de que começaremos a crescer, nenhum ajuste fiscal dará certo.
ÉPOCA – O senhor crê que a presidente Dilma Rousseff pode ainda recuperar esse protagonismo? 

Delfim – É difícil dizer. Ela tenta fazer alguns movimentos. Visivelmente, ela não tem um plano estratégico apoiado por medidas táticas. Assisti a uma coisa espantosa. O governo está esperando sugestões de fora para dentro, porque se apresentar sugestões de dentro para fora nada acontecerá. Recuperar a credibilidade necessária para o país sair da crise está nas mãos dela. A Dilma tem de montar seu governo de novo e enfrentar o panelaço. Ela merece uns panelaços, mas ela tem de ir à TV dizer: “Faça o panelaço que eu vou salvar o teu filho”.
ÉPOCA – Em sua opinião, por que a presidente tem dificuldades de fazer um mea-culpa?

Delfim – A Dilma tem uma personalidade muito forte. A história da Dilma não é a história da Barbie. Ela nunca se convenceu de que estava errada. O Levy não está dando certo porque ele é um ministro sombra. A ministra é ela. O que o Levy faz, ele tem objeção dentro do governo mesmo. Porque não há convicção no governo de que aquela é a solução.
ÉPOCA – Isso não se deve também à oposição feita a Levy pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa?

Delfim – O Nelson é um bom profissional. Na minha opinião, é falsa essa ideia de que ele está propondo gastos à vontade. O ministro do Planejamento também tem direito a opiniões e a presidente pode arbitrar. É para isso que ela existe. Nem acredito que haja um problema entre o Levy e o Nelson. São as entourages dos dois. O Palácio é um serpentário. Lá, tem cascavel, jararaca e muçurana, que é cobra que come outra cobra, venenosa.
ÉPOCA – Ao enviar a proposta de Orçamento com deficit, o governo alegou que já havia cortado o que podia. O que há de verdade nisso?

Delfim – É verdade que o Brasil está no piloto automático rumo ao precipício. Mesmo que o Executivo fosse virtuosíssimo, ele tem controle apenas sobre 8% do dispêndio. A coisa mais grave da Constituição são as vinculações. Por que todo sujeito com poder quer vincular o gasto? Porque não acredita na democracia. A vinculação significa que não importa quem seja o sujeito escolhido para governar o país, ele sempre será um imbecil. Aí, eu digo a ele o que tem de fazer para a eternidade. Vincular gastos de educação e de saúde na Constituição significa que as prioridades nunca mudarão. O Congresso nunca entendeu que a vinculação é a destruição do próprio Congresso. Significa colocar o país em piloto automático. O piloto que foi posto para fora é o Congresso.
ÉPOCA – Por que aumentar a Cide é uma boa medida?

Delfim – Aumentar a Cide é uma medida esperta porque basta um decreto. Na arrecadação, isso dará um impacto de R$ 15 bilhões, metade do atual buraco. E nos Estados a arrecadação é da ordem de R$ 5 bilhões. É um imposto na direção certa porque produz emprego, aumenta os investimentos, diminui a emissão de poluentes no planeta. Qual a objeção? Terá inflação, mas não passa de 0,8% ou 0,9%.
ÉPOCA – E o aumento do Imposto de Renda para os rendimentos mais altos, como sugeriu o ministro Levy?

Delfim – O Levy está dizendo – com uma certa elegância – que você terá de fazer um Imposto de Renda sobre os dividendos. Mas não vamos ter ilusão sobre os mecanismos eleitorais e os interesses que dominam o Congresso. É claro que isso não passa lá.
ÉPOCA – O senhor era visto como um conselheiro informal do governo Dilma. Por que passou a ser crítico?

Delfim – Isso é história. De vez em quando ela me honrava com um convite e íamos bater um papinho. Tenho respeito pelas qualidades dela. Mas critico onde acho que ela perdeu o bom- senso administrativo. Ela se assustou quando percebeu que havia, no fim de 2011, sinais claros de que o crescimento estava afundando. Aí, pôs os pés pelas mãos. Fez um intervencionismo exagerado, uma prepotência terrível, mexeu em tudo quanto é coisa. Fiquei muito decepcionado quando vi aquela operação de alquimia. O governo fez deficit público, depositou os recursos públicos no BNDES, e o banco pagava dividendos para o Tesouro. Transformou a dívida pública em superavit primário. Pensei que não havia mais nada a fazer. Era irremediável. Você não pode violar as regras da contabilidade nacional. Cada vez que tenta fazer isso, dá com os burros na água. E, em 2014, a economia afundou. Em um ano, o deficit nominal passou de 3% para 6% do PIB, o superavit primário de 1,8% do PIB virou um deficit primário de 0,6%, e a dívida pública subiu 6 pontos. Foi um desastre.
ÉPOCA – Foi por causa da reeleição, não é?

Delfim – Não tenha a menor dúvida. Se alguém pensa que foi por ingenuidade, que eles não sabiam o que estavam fazendo… Sabiam, sim.
ÉPOCA – Se estamos no piloto automático rumo ao precipício, como vamos chegar às eleições de 2018?

Delfim – Talvez o Brasil não caiba no precipício.
ÉPOCA – Esse é o cenário mais otimista?

Delfim – É o cenário mais civilizado. A presidente tem dificuldades para decidir, mas é uma pessoa com absoluta honestidade de propósitos. O impeachment não pode ser uma desculpa. É uma questão objetiva, e não de opinião. Se houver razão objetiva, a civilidade manda que se execute a lei. Se não houver, será um desrespeito à lei. O Brasil talvez seja o único país emergente que tem um Supremo Tribunal Federal realmente independente. Não vamos macular isso, porque isso reduzirá para o resto da vida a nossa perspectiva. O Brasil será um país menor se violar essas regras. 

12 de setembro de 2015 às 0:52

Época revela que propina financiou campanha de Lula em 2006 [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Leia trecho da reportagem de capa da revista Época:

  
Cerveró diz ao MP que contrato em Pasadena rendeu propina à campanha de Lula

O ex-diretor da Petrobras revela, em proposta de delação premiada, como negociou pedágio de R$ 4 milhões com a Odebrecht para a campanha de Lula em 2006

THIAGO BRONZATTO COM ALANA RIZZO, RICARDO DELLA COLETTA E FILIPE COUTINHO


À mesa de um restaurante decorado com lustres de cristal, obras de arte contemporânea e castiçais dourados, na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, três diretores da Petrobras e dois executivos do grupo Odebrecht almoçavam reservadamente às vésperas das eleições de 2006. Era um encontro de homens de negócios. Do lado da petroleira, estavam lá os diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque; do lado da maior construtora do país, Márcio Faria e Rogério Araújo. Os cinco não falavam apenas de negócios. Falavam também de política. Nos tempos de petrolão, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, falar de negócios na Petrobras exigia falar de política: contratos com a estatal, conforme demonstram as provas da Lava Jato, eram frequentemente fechados somente mediante pagamento de propina a políticos do PT, do PMDB e do PP, a depender da diretoria. Hoje, a maioria dos cinco comensais está presa em Curitiba, acusada de participação destacada no petrolão.
Nos idos de 2006, quando transcorreu o almoço, os cinco, seja por dentro, seja por fora, mandavam muito na Petrobras. Renato Duque, diretor de Serviços, era homem do PT. Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento, do PP. E Nestor Cerveró, diretor internacional, do PT e do PMDB. Naquele almoço, Cerveró era o homem de negócios mais importante. Discutiam-se as obras para modernizar a refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos, cuja metade das ações fora comprada pela Petrobras meses antes. No jargão do mundo do petróleo, essas obras são conhecidas como “revamp”.
E que revamp. No almoço, estimou-­se que ele custaria até R$ 4 bilhões. A refinaria de Pasadena, cuja operação de compra era conhecida dentro da Petrobras pelo codinome projeto Mangueira, não tinha o apelido de “ruivinha” fortuitamente. Era um novelo de dutos enferrujados, de aparência avermelhada provocada pela oxidação dos metais. Se a Petrobras fizera um péssimo negócio ao comprar Pasadena, como veio a se confirmar nos anos seguintes, a Odebrecht estava prestes a faturar mais um formidável contrato. Decidia-se ali, no restaurante na Praia do Flamengo, que a construtora ganharia o contrato de R$ 4 bilhões. Em troca, os executivos da Odebrecht se comprometiam a pagar propina adiantada de R$ 4 milhões à campanha à reeleição de Lula – o mesmo Lula que, conforme revelou ÉPOCA em seu site na sexta-feira, dia 11, passou a ser considerado pela Polícia Federal oficialmente suspeito no petrolão. O mensalão nem esfriara, e o PT, liderando o consórcio de partidos, já encontrava no petrolão um substituto mais lucrativo para os negócios da alta política brasileira. 

*

A reunião no Rio e o acerto dos R$ 4 milhões foram revelados oficialmente à força-tarefa da Lava Jato pelo protagonista dessa operação: Nestor Cerveró. As informações estão registradas na mais recente proposta de delação premiada de Cerveró, em posse dos procuradores da Lava Jato e obtida por ÉPOCA. Trata-se de relatos pormenorizados de Cerveró sobre os negócios corruptos que tocaram primeiro na Diretoria Internacional da Petrobras, sob ordens do PT e do PMDB, e, a partir de 2008, na Diretoria Financeira da BR Distribuidora, sob ordens do PT e do senador Fernando Collor, do PTB (leia os resumos dos relatos abaixo). Neles, Cerveró afirma que a compra de Pasadena rendeu US$ 15 milhões em propina. E envolve no esquema a área internacional, além de outros funcionários da Petrobras, senadores como Delcídio Amaral, do PT, líder do governo no Senado, o presidente da Casa, Renan Calheiros, e Jader Barbalho, ambos do PMDB.
Para enviar os relatos aos procuradores, Cerveró trabalhou durante quatro dias. Reuniu histórias, resgatou datas de reuniões e valores das operações registradas em documentos e anotações que guarda em sua cela. Para corroborar as acusações, a família de Cerveró pretende recorrer a uma pilha de agendas de suas viagens e reuniões realizadas entre 2003 e 2008, período em que ocupou o cargo de diretor internacional da petroleira. Esses documentos estão guardados num cofre, à espera de uma resposta positiva dos procuradores da Lava Jato. “Do jeito que Cerveró está desesperado, ele entrega até a própria mulher”, diz um agente da Polícia Federal em Curitiba que tem contato com Cerveró.
Condenado a 17 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, preso há dez meses, Cerveró tenta a delação desde julho. É uma negociação difícil e lenta. Envolve os procuradores da força-tarefa em Curitiba e da equipe do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Como Cerveró pode entregar políticos com foro no Supremo Tribunal Federal, caso de Delcídio, Renan e Jader, as duas frentes de investigação – Curitiba e Brasília – precisam se convencer da conveniência da delação do ex-diretor. Há hesitação em ambas. Apesar dos relatos agora revelados por ÉPOCA, os procuradores esperam – exigem – mais de Cerveró. “Ele (Cerveró) continua oferecendo muito pouco perto da gravidade dos crimes que cometeu”, diz um dos investigadores de Curitiba. “A delação de Cerveró, para valer a pena, precisa de tempo. Ele ainda promete menos do que sabe”, afirma um procurador da equipe de Janot.
A situação de Cerveró ficou ainda mais difícil depois de a PGR fechar, na semana passada, o esperado acordo de delação com o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, operador das bancadas do PMDB no Senado e, em menor grau, na Câmara. O operador do PMDB, condenado a 15 anos de prisão, deve entregar as contas que foram irrigadas com pixulecos de Pasadena e das sondas contratadas pela área internacional da Petrobras, sob a responsabilidade de Cerveró. Eles atuavam juntos. Segundo Cerveró relatou aos procuradores, Baiano representou a bancada do PMDB no Senado no reparte da propina na Diretoria Internacional da Petrobras – e o dinheiro, ao menos US$ 2 milhões, foi parar nas mãos de Renan e de Jader Barbalho em 2006. Baiano já admitiu aos procuradores que intermediou propina para os senadores do PMDB em contratos na área internacional – a área do parceiro Cerveró. A delação de Baiano, que prometeu entregar comprovantes bancários das propinas, exigirá ainda mais de Cerveró. Ele fechará a delação somente se falar muito.
Nos relatos aos procuradores, porém, Cerveró já indicou o caminho da propina ao PMDB. Segundo ele, o dinheiro foi repassado a Baiano, que, por sua vez, intermediou pagamentos a outro lobista ligado ao PMDB. Esse lobista, de acordo com Cerveró, Baiano e um operador do PMDB, ouvido por ÉPOCA, repassou a propina a Renan e a Jader. Surpresa: esse lobista, cujo nome ainda não pode ser revelado por razões de segurança, também passou a negociar uma delação com os procuradores. A questão na Lava Jato parece ser: quem sobrará para fazer delação?

*

Outro lado
O senador Jader Barbalho nega que tenha recebido propinas de contratos para a Petrobras. “Nunca nem ouvi falar (sobre os navios-sondas)”, diz ele. O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral, afirma que jamais fez reunião com diretores da Petrobras junto com o empresário Ricardo Pessôa, da UTC, e nega que recebeu propinas da Petrobras. 
A Odebrecht diz que “de fato foi consultada, formalmente e não em nenhum tipo de evento social, sobre a possibilidade de formar consórcio com outras construtoras brasileiras para disputar contrato para eventual modernização da refinaria de Pasadena”. ‎A companhia diz que tais obras, porém, nunca foram realizadas. “Tal convite, por parte da Petrobras, não tem qualquer relação com doações eleitorais que a empresa faz”, diz a nota. A companhia ainda esclarece que o contrato assinado em 2010 sofreu alteração no valor “em função única e exclusivamente da alienação, por parte da Petrobras”. A empresa diz que todos os questionamentos feitos sobre esse acordo foram esclarecidos. Também procurado por ÉPOCA, Lula não retornou as ligações.