Thaisa Galvão

27 de julho de 2014 às 2:51

Henrique governador: “Um sonho adormecido [0] Comentários | Deixe seu comentário.

Quarenta e quatro anos dando expediente no mesmo lugar, falando na mesma tribuna e para o mesmo público: o Brasil.

Henrique Eduardo Alves começou a se eleger deputado federal quando tinha 21 anos e nunca mais parou.

Perdeu duas.

Duas eleições em que tentou ser prefeito de Natal.

Mas, como as eleições eram municipais, as derrotas não o deixaram sem mandato.

Contados os votos aqui, ele retornava a Brasília onde lá estava seu gabinete à sua espera.

Agora Henrique vê diante de seus olhos, talvez o maior desafio de sua vida.

Maior até do que a disputa vitoriosa pela presidência da Câmara, que o fez presidente da República por duas vezes.

É que, dessa vez, se perder a eleição, pela primeira vez em toda sua carreira política, terá que buscar outro tipo de ocupação enquanto fica sem mandato.

Claro que ele não pensa nessa possibilidade.

Conversei com o deputado Henrique Alves, presidente da Câmara e candidato a governador, no seu apartamento. Entre uma reunião e outra com lideranças de vários municípios do interior, e pouco antes de sair para Assu, onde foi receber o apoio do prefeito e garantir, com isso, o segundo palanque do município.

 

Thaisa Galvão – Ser governador. Sonho de Henrique. Mas, parecia que não seria para agora já que você demorou a se definir.

Henrique Alves – Era um sonho adormecido. Sempre sonhei em ter essa oportunidade, essa honra, e até essa emoção, né? Mas, depois que eu alcancei essa posição a nível nacional, com o meu partido e hoje na Câmara dos Deputados, ele poderia estar amortecido, mas na hora que surgiu a oportunidade eu vi que era apenas adormecido mesmo, porque está me honrando muito, me emocionando muito e eu acho que é o maior desafio, em um bom momento da minha vida pública, poder disputar, e se Deus quiser ser governador do meu Estado.

 

Thaisa Galvão – Antes da sua definição o nome era o do empresário Fernando Bezerra. E o que se sabe é que não havia grande simpatia eleitoral pelo nome do ex-senador. Ele guardou o lugar para você, que só apareceu depois que sentiu a simpatia do partido?

Henrique Alves – Não, veja bem, eu era candidato à reeleição, a deputado federal de novo, com a perspectiva que eu não posso negar de me reeleger presidente da Câmara. Eu ouvi o partido inteiro, município por município, nossa militância, nossos líderes, nossos amigos, e todos naquela opção: Henrique ou Garibaldi. Como eu estava naquele projeto, e é importante para o Estado manter a cadeira de presidente da Câmara, não é uma questão de vaidade, de falsa modéstia, mas a pauta do Brasil passa muito pela Presidência da Câmara dos Deputados. É discussão de entidades, de associações, é o poder executivo, tudo nasce da iniciativa do Parlamento mais da Câmara do que do Senado, que é a casa revisora, embora igualmente importante. Então, quando é que o Estado teria oportunidade de ter, de novo, uma presidência da Câmara podendo ajudar tanto ao Rio Grande do Norte? Então era esse o foco que eu estava tendo. No levantamento que nós fizemos, como Garibaldi não queria mais disputar, já tinha tido 3 eleições e era natural, nós buscamos a alternativa de Fernando Bezerra.

 

Thaisa Galvão – Então a candidatura de Fernando Bezerra era para valer mesmo.

Henrique Alves – Foi pra valer mesmo. Mas aí a gente verificou que, ouvindo todo o PMDB, os 167 municípios, a gente constatou que o partido, a sua grande maioria, queria Garibaldi, em primeiro lugar, e Henrique em segundo lugar. Eu tive uma conversa com Fernando e ele dizia ‘eu acho que não é nem Garibaldi, é o seu momento. Foi muito franco, muito generoso, até. Aí conversei com Garibaldi e ele disse ‘Henrique, eu já disputei 3 vezes o governo do Estado, você quer que eu dispute a quarta? Eu acho que é hora de sua primeira’. Então ele foi tão direto, tão franco, que aquilo bateu na minha consciência e eu disse ‘você tem razão, Garibaldi. A partir desse momento eu não peço mais a sua candidatura, eu tenho um dever e quero muito me honrar de pela primeira vez disputar o Governo do Estado’.

 

Thaisa Galvão – Então foi a partir daí que você assumiu a postura de candidato ao Governo…

Henrique Alves – A partir dali eu botei na cabeça, me conscientizei, me emocionei, até,  e disse ‘agora é a hora de cumprir essa missão com muita honra, de governar o meu Estado. Afinal eu devo tudo ao Rio Grande do Norte na minha vida pública que eu construí, que me dá hoje uma posição de relevo a nível nacional, eu devo ao povo do Rio Grande do Norte, então, eu acho que é a minha hora de tentar fazer por esse estado o que está precisando, e com, não é também vaidade de novo, mas com uma certa dose de realismo, eu acho que eu posso, pelo que eu construí em Brasília, ao longo de todos esses anos, como líder 6 anos do PMDB, como deputado federal 40 anos, como presidente da Câmara, eu acho que não haverá mais nenhuma porta de uma autoridade que seja , que eu não possa abrir e pedir, de cabeça erguida, para o Rio Grande do Norte. Então, essa motivação, e depois manifestações várias, muitas, por onde andávamos, nas cidades, as pessoas telefonavam, eram mensagens…a coisa foi num crescendo, num crescendo, que aí está essa ampla coligação que construímos com muita verdade, com muita humildade, com muita sinceridade, com muita vontade para disputar a eleição.

Foto: Cláudio Abdon

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